O advogado Matheus Mayer Milanez comunicou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sua decisão de retirar a candidatura a deputado federal pelo Distrito Federal. A renúncia foi oficialmente protocolada em 14 de agosto de 2026, dois dias depois que a Justiça do DF concedeu medidas protetivas à sua ex-noiva. A mulher, que está grávida de 10 semanas, acusa Milanez de ter cometido ao menos três atos de violência doméstica.
As determinações judiciais proíbem Matheus Milanez de entrar em contato com a vítima por qualquer meio e exigem que ele mantenha uma distância mínima de 300 metros. O documento de renúncia enviado ao TSE descreve a decisão como “inteiramente livre, voluntária e consciente”, motivada por “razões de foro íntimo”.
Desistência da candidatura e proteção judicial para a vítima
A decisão de Matheus Mayer Milanez de se afastar da disputa por uma cadeira no Congresso pelo Republicanos no DF representa um giro relevante em seu perfil público, em meio às sérias acusações de violência doméstica. A Justiça do Distrito Federal já havia estabelecido, em 12 de agosto de 2026, que o advogado não pode se aproximar ou ter qualquer comunicação com a ex-noiva. A denúncia formal da mulher levou ao registro de um boletim de ocorrência na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher da Polícia Civil.
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A vítima relatou às autoridades que os incidentes de violência teriam se iniciado em dezembro de 2025 e se prolongado até agosto de 2026. A situação se agravou, segundo o relato, quando Milanez a teria expulsado de casa em agosto, enquanto ela esperava um filho do casal.
Cronologia das denúncias e supostos atos de violência
A ex-noiva de Matheus Mayer Milanez e o advogado mantiveram união estável a partir de 8 de fevereiro de 2025. As alegações de agressão abrangem um período de vários meses, conforme detalhado na apuração da Polícia Civil.
Os supostos episódios incluem:
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- 27 de dezembro de 2025: Durante a celebração do aniversário de Matheus, ele teria arremessado a ex-noiva no chão, provocando um ferimento na cabeça. O pai do advogado e uma amiga da mulher teriam testemunhado a agressão.
- 13 de junho de 2026: Matheus Mayer Milanez teria empurrado a ex-noiva novamente, resultando em um hematoma no braço. A mulher compartilhou o ocorrido com amigas por meio de mensagens.
- 3 de julho de 2026: Em um momento de crise de hipoglicemia da ex-noiva, Matheus teria jogado a refeição dela no chão após um desentendimento.
- 2 e 3 de agosto de 2026: Matheus Milanez é acusado de agredir a mulher e expulsá-la de casa no Distrito Federal, fazendo com que ela buscasse abrigo em um motel.
- 13 de agosto de 2026: Um vídeo teria sido gravado mostrando Matheus Milanez e amigos destruindo objetos pessoais da ex-noiva, acompanhado de xingamentos dirigidos à mulher.
A defesa do advogado e as alegações sobre a Lei Maria da Penha
Matheus Mayer Milanez, em nota divulgada, negou “de forma categórica” todas as acusações de agressão. Ele afirmou que as informações tornadas públicas não condizem com a realidade dos fatos e que foram apresentadas de forma fragmentada, sem o contexto completo que as explicaria. O advogado declarou que a verdade será esclarecida dentro do devido processo legal, com a apresentação das provas pertinentes.
Ele também expressou uma preocupação sobre a utilização da Lei Maria da Penha. Milanez disse que, a partir de 3 de agosto de 2026, as tratativas entre as partes estavam sendo conduzidas exclusivamente por seus respectivos advogados. Ele contou que, em 11 de agosto de 2026, um dia antes da matéria ser veiculada, a representante legal de sua ex-companheira teria informado que as tentativas de acordo não tiveram êxito e que ele teria até 12 de agosto para aceitar uma proposta, sob a ameaça de medidas judiciais. Milanez declarou que não concordou com os termos e foi então surpreendido pela reportagem. “A proteção conferida pela Lei Maria da Penha não pode, em nenhuma hipótese, se converter em instrumento de negociação. Isso enfraquece justamente as mulheres que dela dependem”, afirmou o advogado em sua defesa.
Carreiras públicas e o impacto das acusações em figuras em evidência
O caso de Matheus Mayer Milanez ilustra o intenso escrutínio público e as severas consequências que figuras em destaque, como advogados com histórico de atuação em causas de grande repercussão, podem enfrentar quando são alvo de acusações graves. Milanez é conhecido por ter atuado como advogado do general Augusto Heleno no Supremo Tribunal Federal (STF) durante o julgamento de um caso envolvendo trama golpista. Sua participação em sessões do STF, onde chegou a pedir um intervalo para jantar dos ministros, gerou visibilidade à época.
A renúncia da candidatura, mesmo com a negação das acusações, demonstra a intensa pressão que figuras públicas podem enfrentar diante de denúncias de violência doméstica. Este cenário leva a reflexões sobre a responsabilidade e a ética na vida pública. A Lei Maria da Penha, que o próprio advogado defendeu ser uma “conquista civilizatória” e cujo acolhimento imediato da palavra da mulher é essencial para a proteção que ela oferece, foi citada por Milanez em um contexto de preocupação com o que ele percebe como um possível uso indevido da lei para fins de negociação. Essa discussão, levantada por uma figura pública em meio a um processo judicial, ganha relevância no debate público sobre os limites e a aplicação da justiça e dos direitos das mulheres. O desenrolar do processo judicial será fundamental para determinar a veracidade das acusações e a eventual responsabilidade de Milanez, ao mesmo tempo em que a sociedade observa como a justiça lida com tais situações envolvendo figuras públicas.

