O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, fez um alerta na última 16 de agosto de 2026 sobre o uso de mísseis norte-coreanos em um ataque aéreo russo que resultou em mortes e feridos. O líder ucraniano também afirmou que um contingente de até 50 mil militares asiáticos estaria pronto para integrar as forças armadas da Rússia.
As declarações reacenderam o debate sobre o apoio crescente da Coreia do Norte à Rússia no conflito ucraniano, que já dura cinco anos sem sinais de resolução. Sob a liderança de Kim Jong-un, o regime de Pyongyang tem intensificado o fornecimento de recursos humanos e bélicos ao Kremlin, à medida que os materiais russos se tornam mais escassos com a continuidade da guerra. Essa aliança estratégica, formalizada em um tratado de cooperação militar em junho de 2024, beneficia ambos os países: a Rússia recebe o suporte necessário para sua campanha militar, enquanto a Coreia do Norte solidifica sua posição geopolítica e pode obter contrapartidas tecnológicas ou econômicas.
Zelensky já havia mencionado em outras ocasiões que mísseis produzidos em Pyongyang foram empregados em diversas investidas aéreas russas no território da Ucrânia.
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Um desses ataques, que ganhou repercussão por vitimar oito membros da mesma família no mês passado, estaria conectado a uma nova remessa de mísseis balísticos norte-coreanos enviada recentemente à Rússia, conforme relatos de uma autoridade ucraniana.
Essa nova unidade é composta por 120 projéteis distribuídos em seis lançadores distintos e conta com 90 militares norte-coreanos para operá-la. Ela será posicionada na região de fronteira de Voronezh, visando ataques contra a Ucrânia.
Esses armamentos se somam a uma vasta lista de equipamentos militares que a Coreia do Norte tem fornecido à Rússia nos últimos anos, seguindo o pacto de cooperação estratégica assinado em junho de 2024, que garante auxílio militar ao aliado em caso de agressão externa.
Os itens bélicos norte-coreanos enviados à Rússia incluem mais de 15 milhões de munições, veículos de combate, centenas de mísseis balísticos e canhões de artilharia, segundo informações de um instituto de estudo da guerra e um grupo observador do conflito composto por 11 nações-membros da Organização das Nações Unidas.
Acusação de Zelensky sobre mísseis norte-coreanos em bombardeio mortal na Ucrânia
Além dos armamentos, Kim Jong-un também mobilizou batalhões de soldados para atuar na linha de frente na Ucrânia, movimento que marcou uma escalada inédita no conflito. Foram aproximadamente 14 mil militares enviados entre 2024 e 2025 – uma ação que, na época, foi descrita pelo Ocidente como “escalada muito séria e perigosa” –, e uma nova leva de até 50 mil soldados estaria sendo preparada para integrar o Exército russo, de acordo com Zelensky.
Diante da intensificação no fluxo de armamentos e tropas norte-coreanas para a Rússia, a Coreia do Norte “intensificou seu engajamento” com seu aliado, buscando fortalecer sua posição global em meio ao conflito, afirmou um instituto econômico norte-americano neste mês.
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Outros 30 mil trabalhadores norte-coreanos foram enviados à Rússia nos últimos meses para preencher lacunas na economia russa causadas pela guerra, informou o instituto de estudo da guerra.
Todo esse apoio militar levanta a questão da extensão da participação da Coreia do Norte na guerra da Ucrânia. Pyongyang justificou o envio de tropas como uma forma de assistência a uma “nação-irmã”, dentro do contexto do tratado bilateral. Em maio de 2025, Kim mencionou que a participação da Coreia do Norte no conflito seria legítima, justificada pela necessidade de proteger seu aliado.
O impacto de uma nova leva de 50 mil soldados norte-coreanos na guerra ainda é incerto, tanto em termos de equilíbrio de forças quanto de potencial escalada entre os países envolvidos. Segundo o instituto de estudo da guerra, o conflito entrou em uma fase diferente nos últimos meses, com a Ucrânia iniciando uma campanha mais vigorosa de ataques aéreos a alvos estratégicos em território russo, utilizando mísseis e drones de médio e longo alcance.
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Kiev também recebeu auxílio de aliados ao longo da guerra, principalmente na forma de mísseis de longo alcance, sistemas de defesa aérea e outros equipamentos bélicos, fornecidos pelos Estados Unidos e por nações europeias aliadas da Organização do Tratado do Atlântico Norte.
Com a estagnação da linha de frente, a guerra da Ucrânia transformou-se gradualmente em um “conflito de drones”, com ambos os países utilizando amplamente esses artefatos para bombardeios em território inimigo, complementando os ataques de mísseis.
A ofensiva da Rússia na Ucrânia “está enfrentando dificuldades”, conforme avaliação do instituto de estudo da guerra, devido ao avanço territorial quase imperceptível em comparação com o elevado custo humano. Estima-se que a Rússia já perdeu a vida de quase 500 mil soldados, com um total de 1,2 milhão de baixas (entre mortos, feridos e desaparecidos) até o momento.
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O alto número de baixas resultou em dificuldades para a Rússia recrutar novos militares. Essa situação pode ter levado o presidente russo a readmitir soldados feridos para o front e a aceitar reforços estrangeiros – tanto Moscou quanto Kiev empregam mercenários de outras nações no conflito.
Existem também indicativos de escassez de equipamentos e armamentos militares. Veja exemplos para ambos os lados:
- Rússia: o desfile do Dia da Vitória, em abril, não contou com veículos militares pesados pela primeira vez desde o início da guerra;
- Ucrânia: não conseguiu interceptar nenhum dos 23 mísseis balísticos lançados pela Rússia contra Kiev em um ataque em 6 de julho.
A Ucrânia conseguiu estabelecer uma defesa robusta na linha de frente com seus soldados e um “paredão de drones”, mesmo com um número menor de militares, de acordo com o instituto de estudo da guerra.
“A defesa ucraniana tem demonstrado resiliência, enquanto a ofensiva russa enfrenta desafios”, afirmou o instituto de estudo da guerra.

