A Receita Federal da França (DGFiP) reconheceu oficialmente, em 14 de agosto de 2026, que sofreu um ataque cibernético que permitiu a invasores acessarem seus sistemas e extrair dados no mês de junho do mesmo ano. A admissão veio após um suposto criminoso digital divulgar um banco de dados que, segundo ele, continha informações de dois milhões de contribuintes.
Um indivíduo que usa o pseudônimo “ZeroBytes” foi o responsável por anunciar a base de dados roubada em um fórum de crimes cibernéticos em 12 de agosto de 2026. A alegação era de que os registros pertenciam a mais de dois milhões de cidadãos franceses.

De acordo com as informações divulgadas por “ZeroBytes”, o acesso aos sistemas da DGFiP foi obtido por meio de credenciais que haviam sido roubadas, além de uma técnica que contornou a autenticação multifator (MFA).
O cibercriminoso ainda afirmou que mantinha acesso contínuo aos sistemas da Receita Federal francesa e propôs a venda dessas credenciais juntamente com o banco de dados obtido.
Inicialmente, a DGFiP não se manifestou sobre as afirmações do atacante. No entanto, em um comunicado divulgado em 13 de agosto de 2026, a autoridade contestou a alegação de que “ZeroBytes” teria mantido acesso prolongado aos sistemas.
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A declaração oficial da Receita Federal da França detalhou o ocorrido: “Na quarta-feira, 12 de agosto de 2026, um agente malicioso reivindicou acesso não autorizado ao sistema de informações da Direção de Finanças Públicas da França, ocorrido no final de junho de 2026 após um roubo de identidade”.
O comunicado prosseguiu, confirmando as investigações preliminares: “As investigações iniciais confirmam que esse acesso, que havia sido interrompido no final de junho como parte de uma auditoria, permitiu, no entanto, a consulta e a extração de dados relativos a indivíduos e profissionais.”
A DGFiP também informou as ações tomadas em resposta à denúncia. “Após essa denúncia, a Direção-Geral das Finanças Públicas da França implementou imediatamente novas restrições para impedir o acesso não autorizado e evitar novos usos indevidos. Investigações aprofundadas estão em andamento para determinar com precisão quais dados e quantos usuários foram afetados.”
A autoridade francesa afirmou ainda que irá notificar a CNIL, órgão responsável pela proteção de dados no país, sobre o incidente e que os usuários atingidos serão comunicados assim que forem identificados.
A invasão recente na Receita Federal francesa representa o mais novo episódio em uma série de violações de segurança que têm afetado órgãos públicos na França ao longo do ano.
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Crescimento dos ataques digitais contra o setor público francês
O Ministério das Finanças da França, responsável por supervisionar a DGFiP, já havia revelado em fevereiro que criminosos acessaram um banco de dados com informações bancárias de cidadãos franceses. Neste incidente, os invasores utilizaram credenciais furtadas e levaram 1,2 milhão de registros, mesmo com a rápida revogação do acesso pelo ministério.
Poucas semanas depois, o Ministério da Saúde da França confirmou um ataque cibernético à Cegedim Santé, uma provedora de tecnologia para a saúde. O ataque resultou no roubo de aproximadamente 15,8 milhões de arquivos administrativos. Desses, cerca de 165 mil documentos continham anotações médicas, incluindo, em “casos muito limitados”, históricos de saúde dos pacientes.
Em abril, o Ministério do Interior validou relatos de uma ofensiva contra a France Titres, a agência governamental encarregada da emissão de documentos de identidade, como passaportes e carteiras de motorista. O suposto responsável pelo ataque, um jovem de 15 anos, teria divulgado os dados na internet e alegou que a violação atingiu entre 18 e 19 milhões de pessoas, o que representa mais de um quarto da população da França metropolitana.
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Em junho, o departamento do Tchap, a plataforma de mensagens criptografadas do governo francês, iniciou uma investigação sobre uma possível falha de segurança. Os supostos agressores afirmaram ter obtido acesso a mais de 73 mil contas de usuários, 643 mil mensagens, cerca de 60 mil arquivos de mídia e centenas de salas de bate-papo.

