INVESTIGAÇÃO
egundo o MPDFT, divulgação de aposta durante a Copa de 2026 teria induzido seguidores ao erro e gerado remuneração à influenciadora

Órgão afirma que influenciadora teria recebido 30% sobre perdas de apostadores atraídos por divulgação (Foto: reprodução / redes sociais)

Uma publicação feita por Virginia Fonseca durante a Copa do Mundo de 2026 entrou no centro de uma Ação Civil Pública (ACP) movida pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) contra a influenciadora e a Blaze. Segundo o órgão, a influenciadora divulgou em seus stories uma aposta com um resultado favorável a Cabo Verde no confronto contra a Argentina. A partida, no entanto, terminou com vitória argentina por 3 a 2. Conforme a ação, a divulgação teria feito parte de uma estratégia de captação de usuários pela plataforma, remunerando a influencer com 30% das perdas dos apostadores atraídos.
De acordo com o MPDFT, a publicação feita nos stories do Instagram poderia influenciar seguidores a apostarem no resultado indicado pela influenciadora, especialmente pelo vínculo de confiança estabelecido entre personalidades digitais e suas audiências. O órgão afirma ainda que o conteúdo não teria deixado claro o caráter publicitário da divulgação, simulando uma manifestação espontânea.
Segundo a ACP, informações obtidas a partir de reportagens da revista Piauí, da CPI das Bets e das investigações conduzidas pela Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor (Prodecon) indicam que o contrato entre a plataforma e a influenciadora previa um modelo de remuneração baseado no compartilhamento de receita (revenue share). Nesse formato, segundo o Ministério Público, Virginia receberia um percentual sobre os valores perdidos pelos usuários que chegassem à plataforma por meio de sua divulgação.
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Ação aponta possível conflito entre publicidade e remuneração
Para o MPDFT, o modelo de remuneração criaria um conflito de interesses, pois as perdas financeiras dos apostadores estariam relacionadas ao ganho econômico dos divulgadores. Na ação, o órgão afirma que esse mecanismo poderia ampliar o risco de prejuízo aos consumidores ao associar publicidade de grande alcance a incentivos financeiros vinculados ao desempenho das apostas.
O MPDFT pede que a Justiça determine a suspensão de qualquer cláusula ou mecanismo contratual que vincule a remuneração de influenciadores às perdas dos apostadores, ao volume de apostas gerado por campanhas ou ao desempenho econômico da operação. Em caso de descumprimento, foi solicitada multa diária de R$ 1 milhão.
A ação também requer que Virgínia retire conteúdos publicitários relacionados a apostas que, segundo o órgão, possam induzir consumidores ao erro, estimular apostas em eventos esportivos específicos ou apresentar publicidade sem identificação clara do caráter comercial. Para eventual descumprimento, o MP pede multa diária de R$ 500 mil.
A investigação da Prodecon começou após denúncias de consumidores e análise de mais de 42 mil reclamações registradas contra a plataforma. O MPDFT afirma ainda ter identificado, em comunicações promocionais enviadas pela Blaze, estratégias de persuasão, senso artificial de urgência e divulgação de vantagens com condições apresentadas em menor destaque.
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MP pede suspensão de contratos e apresenta novas exigências
Além das medidas contra a Blaze e Virginia Fonseca, o MPDFT também solicitou que a empresa apresente cópias dos contratos firmados com outros três influenciadores, entre eles um jogador da Seleção Brasileira e outros nomes utilizados em campanhas da plataforma. Segundo a entidade, a documentação é necessária para aprofundar a apuração sobre os modelos de remuneração adotados, incluindo possíveis vínculos entre pagamentos, captação de apostadores e desempenho financeiro da operação.
O Mais Goiás entrou em contato com a assessoria da influenciadora, Virginia Fonseca e com a Blaze para solicitar posicionamentos sobre as informações citadas na Ação Civil Pública, mas não obteve resposta até o fechamento desta reportagem. O espaço permanece aberto para manifestações.
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