Mendonça determina o retorno de Vorcaro para a Papudinha – Poder360

Redação
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Mendonça determina o retorno de Vorcaro para a Papudinha – Poder360

Ministro do STF decidiu que fundador do Banco Master deve ser transferido em 24h para a unidade prisional, enquanto delação segue paralisada

Na imagem, foto de Daniel Vorcaro tirada quando ele deu entrada em unidade prisional no interior de São Paulo | Reprodução

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Daniel Vorcaro foi preso pela 2ª vez no início de março de 2026

Copyright Reprodução – 6.mar.2026

de Brasília

O relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal, ministro André Mendonça, determinou nesta 5ª feira (25.jun.2026) a transferência do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, para uma cela na Papudinha, ala do Complexo Prisional da Papuda, em Brasília. Investigado por liderar fraudes no Sistema Financeiro Nacional, Vorcaro deixará a Superintendência da Polícia Federal enquanto as tratativas para delação premiada seguem paralisadas. Leia a íntegra da decisão (PDF – 160 kB).

A informação sobre a transferência de Vorcaro havia sido antecipada pelo Poder360. A avaliação é que, como não há expectativa para um retorno das negociações por uma nova proposta de delação, o fundador do Banco Master não precisa continuar na carceragem da Polícia Federal, em Brasília.

O pedido para o a ida do investigado à Papudinha foi encaminhado pela PF ao gabinete do ministro André Mendonça junto com a formalização de que rejeitaram a 2ª proposta de delação premiada da defesa de Vorcaro em 11 de junho. Dias depois, a PGR também não quis seguir com a negociação, afirmando falta de “provas robustas”

O fundador do Master apresentou duas propostas de delação, com uma defesa que foi marcada por mudanças na composição. Inicialmente, sob a liderança de Roberto Podval, depois José Luis Oliveira Lima e, agora, com o advogado Sérgio Leonardo.

Mendonça negou o pedido da defesa de Vorcaro para enviá-lo à prisão domiciliar por entender que ainda permanecem os elementos que sustentaram a ordem de prisão preventiva. O ministro também citou as manifestações da PF e da PGR, que recomendaram a manutenção da custódia.

Tanto a PF quanto a PGR demonstraram “preocupação com a segurança” de Vorcaro. A PGR argumentou que a ida para a Papudinha serve para resguardar o investigado em “estabelecimento prisional dotado de estrutura compatível com a sua especial condição de vulnerabilidade e risco”.

A defesa de Vorcaro, que antes havia pedido a transferência para a sede da PF em Brasília, agora afirma que é necessário um ambiente “apto a resguardar a sua vida e integridade física”.

Para Mendonça, foram comprovados riscos à segurança de Vorcaro, de modo que a prisão não poderia ser em uma cela comum do sistema prisional, mas em uma unidade de maior segurança, como no “19° Batalhão da Polícia Militar no Distrito Federal, conhecido como ‘Papudinha’”.

“A solução é a que melhor atende ao postulado da proporcionalidade, pois concilia, de um lado, a impossibilidade de manutenção prolongada do preso em dependências da Polícia Federal e, de outro, a necessidade de evitar sua colocação em cela comum, preservando-se a segurança do custodiado sem afastar a execução da prisão preventiva em estabelecimento estatal adequado”, escreveu o ministro.

O relator destacou que a Papudinha é a solução que concilia com a impossibilidade de manter Vorcaro na sede da PF e a necessidade de estabelecer uma segurança maior. “A solução é a que melhor atende ao postulado da proporcionalidade, pois concilia, de um lado, a impossibilidade de manutenção prolongada do preso em dependências da Polícia Federal e, de outro, a necessidade de evitar sua colocação em cela comum, preservando-se a segurança do custodiado sem afastar a execução da prisão preventiva em estabelecimento estatal adequado”, determinou o ministro.

COMPLIANCE ZERO

As apurações sobre as fraudes no Banco Master estão no escopo da Compliance Zero, autorizada inicialmente pela 10ª Vara Federal de Brasília em novembro de 2025. A 1ª fase prendeu provisoriamente os principais executivos ligados à instituição liquidada pelo BC. Ainda em novembro, o TRF-1 autorizou o uso de tornozeleira eletrônica e o retorno dos investigados para casa.

O caso passou a tramitar no STF a partir de dezembro de 2025, sob o comando do ministro Dias Toffoli. Ele autorizou a 2ª fase em janeiro de 2026, mas deixou a relatoria em 12 de fevereiro. André Mendonça assumiu. Vorcaro voltou a ser preso no início de março. Está detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Ele entregou uma proposta de delação premiada, cuja análise por parte do ministro do Supremo deve levar semanas.

Eis as fases da operação:

  • 1ª fase (18.nov.2025) – Daniel Vorcaro foi preso pela 1ª vez em 17 de novembro de 2025, um dia antes de a operação ser deflagrada. Ele tentava deixar o Brasil. A ação cumpriu 7 mandados de prisão e 25 de busca e apreensão em 4 Estados e no DF. O ex-banqueiro foi solto em 29 de novembro;
  • 2ª fase (14.jan.2026) – a PF realizou buscas em endereços ligados a Vorcaro. Foram apreendidos carros, relógios e dinheiro. Os valores bloqueados ou sequestrados na ação superaram R$ 5,7 bilhões. Tinha o objetivo de apurar o uso de fundos fraudulentos para maquiar os caixas do Master. Leia as íntegras das decisões que autorizaram a operação;
  • 3ª fase (4.mar.2026) – Vorcaro voltou a ser preso. De acordo com a PF, o ex-banqueiro tinha um grupo que intimidava adversários e pagava propina para 2 funcionários do BC. No mesmo dia, um homem que trabalhava para o fundador do Master tentou se matar enquanto estava sob a custódia da PF –ele morreu em 6 de março. Leia a íntegra da decisão que deu aval à ação;
  • 4ª fase (16.abr.2026) – a operação da PF prendeu Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. É investigado por suspeita de permitir operações sem lastro com o Master. Segundo a Polícia Federal, Costa recebeu propina de Vorcaro em imóveis de luxo. Leia a íntegra da decisão que autorizou a ação;
  • 5ª fase (7.mai.2026) – o senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi alvo. A PF cita o pagamento de propina de Vorcaro para o congressista –que negou. O relator do Master no STF, ministro André Mendonça, disse que a relação entre o político e o ex-banqueiro “extrapola a amizade”. Houve o bloqueio de R$ 18,85 milhões. Leia a íntegra da decisão que autorizou a operação;
  • 6ª fase (14.mai.2026) – foram cumpridos 7 mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão em SP, MG e RJ. O pai de Vorcaro foi preso. Era ele quem articulava o grupo de intimidação e espionagem do ex-banqueiro, de acordo com a PF. Leia a íntegra da decisão que autorizou a operação;
  • 7ª fase (19.mai.2026) – a PF deflagrou uma operação para apurar o vazamento de informações sigilosas ligadas ao Master. Mendonça mandou afastar um perito da corporação;
  • 8ª fase (26.mai.2026) – o ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ) foi alvo de mandados de busca e apreensão. A ação apura a suspeita de crimes envolvendo o Master e o Rioprevidência. O total movimentado é de R$ 3 bilhões, segundo a PF. Leia a íntegra da decisão que autorizou a operação.
    • 9ª fase (18.jun.2026) – o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o empresário Augusto Lima foram alvos da operação. A defesa do congressista baiano acionou o STF para anular a ação. Pressionado, Wagner deixou o posto de líder do Governo no Senado em 24 de junho. Leia a íntegra da decisão que autorizou a operação (PDF — 256 kB).
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