Homem morre após ser atingido por espada junina na Bahia

Redação
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Homem morre após ser atingido por espada junina na Bahia

Tarcísio Sodré Ramos do Nascimento, 47, se feriu enquanto manuseava o artefato explosivo durante festejo em Sapeaçu, no Recôncavo. Porte e uso de espadas juninas são proibidos no estado desde 2003; prefeitura cancela programação e decreta luto oficial

Homem morre após ser atingido por espada junina na Bahia

© Reprodução

Folhapress

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Um homem de 47 anos morreu na noite de terça-feira (23) após ser atingido por uma espada junina, de fogos de artifício, no município de Sapeaçu, no Recôncavo Baiano.

A vítima foi identificada pela Polícia Civil como Tarcísio Sodré Ramos do Nascimento. Segundo a corporação, equipes da Delegacia Territorial de Sapeaçu investigam as circunstâncias do caso.

De acordo com a polícia, as primeiras informações apontam que o homem se feriu enquanto manuseava uma espada junina no bairro da Jaqueira. Ele chegou a ser socorrido para uma unidade de saúde do município, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

“Laudos periciais do Departamento de Polícia Técnica vão auxiliar nas apurações”, informou a Polícia Civil.

A Prefeitura de Sapeaçu divulgou nota de pesar pela morte e informou o cancelamento da programação prevista para a noite desta quarta-feira (24), no Mercado Municipal, além da decretação de luto oficial no município.

Em comunicado, a gestão municipal afirmou que está prestando suporte jurídico e atendimento humanizado aos familiares da vítima e destacou a necessidade de debate sobre a chamada guerra de espadas, prática tradicional na região, mas alvo de controvérsia e discussões há décadas.

A prefeitura também informou que, em respeito à família, os festejos foram cancelados e que a programação da noite se restringiria à exibição de um jogo de futebol no espaço público.

As chamadas espadas juninas são artefatos pirotécnicos artesanais tradicionalmente usados em festas de são João em cidades do interior da Bahia, especialmente no Recôncavo. Elas consistem em tubos carregados com pólvora que, quando acesos, são lançados manualmente, produzindo faíscas e se deslocando em alta velocidade.

A Polícia Civil da Bahia reforçou que o porte, a posse, o armazenamento, o transporte e o uso de espadas juninas são proibidos no estado. Segundo o órgão, as condutas relacionadas a esses artefatos são enquadradas no artigo 16 do Estatuto do Desarmamento (Lei nº 10.826/2003).

A corporação afirma ainda que, apesar dos avanços decorrentes de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) firmado com o Ministério Público, ainda não houve implementação integral das medidas previstas, como a possível criação de um espaço específico para a prática -o chamado “Espadódromo” -e a regulamentação de diretrizes para produção industrial e transporte dos artefatos.

A Polícia Civil também destaca que seguem vedadas todas as condutas relacionadas às espadas, com previsão de pena de três a seis anos de reclusão, além de outras sanções legais, sem possibilidade de fiança em caso de flagrante.

O órgão informou ainda que, em Senhor do Bonfim, equipes da 1ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior intensificam ações de fiscalização e repressão à prática.

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