José Paulo Kupfer: Em ata, Copom fecha espaços para cortes de juros; analistas mantêm pé atrás – UOL Economia

Redação
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A mensagem transmitida, numa tentativa de tradução do “coponês” — o idioma usado pelo Copom para se comunicar com os iniciados — para o português das ruas pode ser descrita mais ou menos como a seguinte:

“A inflação em prazo mais curto está mesmo em alta, mas, calma, pessoal, o ambiente e o cenário estão muito confusos e incertos, tem choque de oferta atuando e outros ameaçando na frente, decisão mais dura sobre juros hoje lá no futuro pode dar inflação abaixo do centro da meta por um bom período, melhor não correr esse risco. Vamos então dar uma enrolada aqui e suspender o ciclo de cortes da Selic no próximo Copom, em agosto, ok?”

Novidades na política de juros

Do ponto de vista mais estrutural, em relação ao ambiente econômico, o Copom reafirmou na ata sua visão de que o cenário de convergência da inflação à meta ficou mais complicado. Mas, de outro lado, ponderou que os juros estão muito elevados há bastante tempo, e que, com isso, bem ou mal, a política de juros acabou impondo freios à atividade econômica, ajudando a aliviar pressões inflacionárias.

Tudo considerado, o Copom está avisando, agora de forma bem mais explícita, que o atual ciclo da política de juros contempla a possibilidade de reduções e interrupções ou mesmo altas alternadas dos juros básicos. A possibilidade de ciclos alternados na marcha dos juros básicos será uma novidade no histórico do Copom.

Também é uma novidade, reafirmada na ata, a decisão de dar peso à atividade econômica, atendendo ao mandato secundário do Banco Central — “suavizar as flutuações da atividade econômica”—, algo que antes só aparecia, burocraticamente, na comunicação do BC com a praça.

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