Estudos apontam para Super El Niño mais intenso com graves consequências para a produção agrícola no Brasil

Redação
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Estudos apontam para Super El Niño mais intenso com graves consequências para a produção agrícola no Brasil

Centros globais de monitoramento meteorológico na Europa e nos Estados Unidos registraram a formação de um fenômeno batizado de “Super El Niño” sobre o Oceano Pacífico. Este evento climático, que se expande rapidamente, demonstra potencial para gerar tempestades e secas severas em diversas partes do planeta, com desdobramentos significativos também para várias regiões brasileiras.

Projeções recentes e comunicados emitidos por instituições como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM) indicam uma probabilidade superior a 80% de que o evento climático se instale no segundo semestre de 2026, com duração prevista até o começo de 2027.

Entenda a natureza e a intensidade do Super El Niño

O El Niño se caracteriza por uma elevação na temperatura em determinadas áreas do Oceano Pacífico. Contudo, a manifestação deste ano exibe uma configuração geográfica mais robusta, conforme observações do pesquisador do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais do Ministério de Ciência e Tecnologia). Ele detalha que os sensores de temperatura revelam que o fenômeno é significativamente mais potente e abrange uma extensão territorial superior à habitual.

Apesar do aquecimento oceânico, o efeito do El Niño se estende ao clima continental, explica Luis Marcelo Zeri. Com as águas do Oceano mais aquecidas em relação a eventos anteriores, a expectativa é de uma manifestação climática mais severa e com impactos mais abrangentes.

A interligação entre a temperatura do Oceano e as condições climáticas no Brasil é designada como “teleconexão”, um processo complexo que afeta regiões distantes, influenciando padrões de chuva e seca em escala global.

O especialista esclarece que se trata de uma “conexão à distância que ocorre na atmosfera”. Ele detalha que a evaporação da água e o calor superficial de uma localidade ascendem na atmosfera, são deslocados por ventos e correntes, e acabam por influenciar áreas geograficamente distantes. Tais teleconexões estabelecem ligações globais, transportando umidade ou ar seco, e são cruciais na formação de zonas desérticas ou de maior nebulosidade. O El Niño, acrescenta, é uma manifestação natural dessa teleconexão entre o Oceano Pacífico e certas áreas do norte e sul do Brasil.

Consequências do fenômeno para o setor agrícola nacional

Conforme o pesquisador do Cemaden, a estiagem gerada pelo El Niño tem potencial para prejudicar a produção agrícola brasileira. A intensidade do impacto varia conforme a localidade e o cronograma de plantio e colheita, exigindo atenção redobrada dos produtores rurais.

Ele enfatiza que “se um período de seca coincide com a época de plantio ou com uma fase delicada do cultivo, a safra é diretamente afetada, comprometendo toda a programação agrícola”, resultando em perdas econômicas significativas.

Uma segunda grande preocupação climática decorrente do Super El Niño é o volume excessivo de chuvas. A região Sul do Brasil, que ainda lida com a recuperação das enchentes devastadoras de 2024 no Rio Grande do Sul, surge como uma das áreas mais suscetíveis a esses novos impactos, elevando a apreensão sobre a capacidade de reestruturação.

O especialista acrescenta que “não se pode ignorar que o El Niño provoca também um volume hídrico excessivo na região Sul do Brasil, representando outro impacto considerável, capaz de inundar lavouras, comprometer a colheita, o plantio e todo o planejamento da safra”.

Quanto aos efeitos da estiagem, os municípios localizados nas áreas potencialmente afetadas podem se organizar para mitigar os danos, buscando fontes alternativas de recursos hídricos e incentivando a poupança de água. Zeri adverte que “as cidades que dependem de açudes e reservatórios hídricos devem monitorar atentamente o consumo nos períodos de maior criticidade”.

O pesquisador do Cemaden também alerta para a crescente ameaça de incêndios florestais, uma vez que condições climáticas mais quentes e secas criam um ambiente propício para a rápida disseminação do fogo. Ele reforça a importância de “estar preparado para reagir a esses eventos”, sugerindo que os municípios acionem suas defesas civis para elaborar e implementar planos de emergência contra incêndios.

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