Humorista Bussunda: 20 anos da partida trágica durante a cobertura da Copa na Alemanha

Redação
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Humorista Bussunda: 20 anos da partida trágica durante a cobertura da Copa na Alemanha

A manhã daquele sábado, na Alemanha, começou com apreensão para a equipe do Casseta & Planeta. Claudio Besserman Vianna, o Bussunda, surgiu para o café da manhã às 6h30 no hotel Erb Best Western, próximo a Munique, e sua aparência pálida alertou o diretor de fotografia Paulo Santos. O humorista, que raramente madrugava, apresentava mal-estar noturno e fortes dores no peito, levando Santos a insistir: “Você precisa ir para um hospital”.

Myriam Chebabi, a produtora, foi rapidamente contatada para levar o comediante ao hospital. Por uma coincidência, dois paramédicos estavam no próprio hotel e foram solicitados para atender o humorista em seu quarto. Bussunda chegou a interagir brevemente com os socorristas, mas logo em seguida desmaiou. Beto Silva e Claudio Manoel, colegas do Casseta & Planeta, chegaram a tempo de presenciar os esforços de reanimação. Contudo, a constatação final veio logo: “O Bussunda morreu”, anunciou Myriam, profundamente abalada, às 7h30 de 17 de junho de 2006.

A equipe do Casseta & Planeta estava na Alemanha para a cobertura da Copa do Mundo de 2006. A morte de Bussunda ocorreu na véspera da partida entre Brasil e Austrália, um confronto que a seleção brasileira venceria por 2 a 0, com gols de Adriano e Fred.

O artista estava em um momento de grande sucesso profissional, imortalizando personagens cômicos como Ronaldo Fofômeno, Ulson Montanha e Marrentinho Carioca. Apesar do sobrepeso visível, o humorista, então com 43 anos, aparentava ter boa saúde. O cardiologista Flávio Cure, responsável pelo acompanhamento médico do comediante, revelou ao Jornal O GLOBO que Bussunda havia feito um check-up completo seis meses antes do Mundial, com todos os exames apresentando resultados normais. O médico ainda destacou que seu paciente não era fumante e praticava exercícios físicos com regularidade.

“Ele realizou até mesmo uma cintilografia, um exame bastante detalhado. Embora seja comum que infartos nessa faixa etária sejam fulminantes, o ocorrido foi uma verdadeira surpresa para mim. Estava tudo em ordem com ele”, afirmou o cardiologista ao jornal na época.

A série documental “Meu amigo Bussunda”, lançada pelo Globoplay em 2021, detalha os últimos momentos antes do falecimento do humorista. Bussunda, ao lado de Beto Silva, Claudio Manoel e Hélio de la Peña, estava acompanhando a seleção brasileira, produzindo esquetes com personagens como Seu Creysson e Felipão nas ruas de Munique. O documentário revela que, na noite anterior à tragédia, Bussunda consumiu salsichão, joelho de porco e uma quantidade considerável de cerveja. Na tarde do mesmo dia, Claudio Manoel o convidou para uma “pelada” em um campo de futebol próximo ao hotel, e o comediante respondeu com entusiasmo: “Só se for agora”.

“Carreguei, por um tempo, uma certa culpa, pois fui eu quem liguei chamando para jogar bola”, desabafa Manoel na produção que ele próprio dirigiu. “Fiquei pensando que se não tivesse tido essa ideia infeliz de jogar essa porra dessa pelada…”, prossegue o comediante, olhando para baixo, sem completar a frase.

Os integrantes do Casseta e a equipe técnica do programa formaram um time para enfrentar um grupo de jovens americanos também hospedados no hotel, que jogavam bem. Os brasileiros, no entanto, demonstraram grande esforço e não se entregaram. Beto Silva relatou que, após um “pique” bastante intenso, Bussunda ficou exausto e optou por ir para o gol. Cerca de trinta minutos depois, a partida terminou. No retorno ao hotel, o humorista se queixou de tontura e enjoo, sentando-se em um meio-fio enquanto jogavam água fria em sua cabeça. Em seguida, ele se recolheu ao quarto para descansar, deixando os colegas apreensivos.

Por volta das 20h, Bussunda procurou Daniel Audaz, o gerente de produção do programa, reclamando de uma forte dor de cabeça. Audaz lhe ofereceu uma aspirina, alertando que se a condição não melhorasse, seria necessário ir ao hospital. Às 23h, Claudio Manoel telefonou para o quarto do amigo para verificar seu estado, e o humorista respondeu de forma concisa: “Vou ficar bem se vocês me deixarem dormir”, encerrando a conversa.

A série documental detalha que Bussunda passou a noite em intenso mal-estar, até o momento em que se levantou e encontrou o fotógrafo Paulo Santos. Contudo, nem a presença fortuita de dois paramédicos no hotel conseguiu reverter o ataque cardíaco fulminante que o acometeu. Após diversas tentativas de reanimação, os socorristas solicitaram o auxílio de Hélio de la Peña e Beto Silva para colocar o humorista em uma maca. No entanto, logo em seguida, constataram que não havia mais possibilidade de reanimá-lo. Ele havia partido.

A profunda consternação que tomou conta da equipe do Casseta & Planeta rapidamente se alastrou por todo o Brasil. Bussunda era uma figura de carisma nacional e querido por todos. Eram 4h da madrugada no país quando seus colegas de programa começaram a entrar em contato com os familiares do humorista para comunicar a trágica notícia.

A série documental do Globoplay apresenta cenas dos irmãos, da esposa e da filha de Bussunda em prantos durante o velório, realizado no Clube de Regatas do Flamengo. O clube, por sua vez, decretou três dias de luto em tributo ao jornalista, que era sócio honorário e um fervoroso torcedor. O corpo de Bussunda foi retirado da sede do Flamengo no exato momento em que o atacante Adriano marcava o gol inaugural da vitória do Brasil por 2 a 0 contra a Austrália, o segundo adversário da seleção naquele Mundial.

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