Frente fria ameniza estiagem em Goiás, mas início do El Niño já preocupa

Redação
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Frente fria ameniza estiagem em Goiás, mas início do El Niño já preocupa

Frente fria mantém céu nublado e ameniza temperaturas, mas confirmação do El Niño acende alerta para o segundo semestre no estado

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Goiás tem melhora na qualidade do ar e redução do calor (Foto: Mais Goiás/Jucimar de Sousa)

Inglid Martins

O avanço de uma frente fria e a permanência de um canal de umidade sobre o Brasil Central favorecem o céu nublado e o clima ameno em Goiás nesta sexta-feira (12/06). O balanço do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas do estado (CIMEHGO) apontou acumulados significativos nas últimas 24 horas, como 17,8 mm em Rialma, 10,8 mm em Formosa e variações entre 1,0 mm e 3,4 mm na capital, quebrando o ciclo recente de estiagem. Apesar do tempo mais ameno, o início do El Niño já causa preocupação, já que o fenômeno pode acarretar uma onda de calor histórica.

Apesar do refresco momentâneo e das temperaturas mais baixas na região Centro-Sul, o cenário de longo prazo exige atenção. A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) dos Estados Unidos confirmou oficialmente o início do fenômeno El Niño. A consolidação do evento no Pacífico acendeu o sinal de alerta e ativou os protocolos de monitoramento da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMAD), devido aos impactos previstos para a agropecuária e para o regime hídrico do Cerrado.

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Frente fria derruba temperaturas em Goiás, mas El Niño acende alerta para irregularidade das chuvas (Foto: Cimehgo)

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Virada no tempo e impacto ambiental

Embora a frente fria principal já tenha se deslocado em direção ao Sudeste do país, sua banda de nebulosidade segue ativa sobre o território goiano. A cobertura persistente de nuvens, somada aos ventos que sopram do quadrante sudeste, barra a radiação solar e provoca um declínio acentuado nas temperaturas máximas, garantindo uma tarde atipicamente fresca para o período.

Essa mudança no tempo gerou um impacto positivo imediato na qualidade de vida e na segurança ambiental. As precipitações umedeceram o solo castigado por semanas de seca e limparam a atmosfera da poeira e da fuligem geradas por queimadas recentes. Como consequência, a umidade relativa mínima apresentou excelente recuperação temporária — afastando o estado dos índices críticos para a saúde humana — e o potencial de ignição do fogo recuou momentaneamente nas áreas atingidas.

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Probabilidade de El Niño entre junho e agosto é de 80% consequências em Goiás (Imagem: Agência Brasil)
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O perigo no horizonte: El Niño consolidado

Se o cenário imediato é de alívio, as previsões para os próximos meses acendem uma luz vermelha para autoridades e produtores rurais. O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico Equatorial, altera a circulação de ventos e massas de ar globalmente.

O gerente do CIMEHGO, André Amorim, adverte que o clima atual tem prazo de validade e pede cautela. Segundo o especialista, o El Niño deve desregular o regime de chuvas e intensificar as ondas de calor já na transição para as próximas estações.

As atenções do órgão agora se voltam para o planejamento de redução de danos. A tendência é de que as precipitações retornem de forma muito irregular a partir de setembro, acompanhadas por picos de calor acima da média histórica, o que pode prejudicar o calendário da safra agrícola e antecipar uma nova crise de incêndios florestais no final do ano.

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