Dólar fecha acima de R$ 5,15, no maior patamar em dois meses, e Ibovespa cai com maior chance de alta dos juros americanos – Valor Econômico

Redação
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Dólar fecha acima de R$ 5,15, no maior patamar em dois meses, e Ibovespa cai com maior chance de alta dos juros americanos – Valor Econômico

O humor do mercado voltou a piorar nesta sexta-feira, em um movimento derivado do exterior, onde os fortes dados de emprego nos Estados Unidos reforçaram as apostas de que o Federal Reserve (Fed) pode ter de apertar a política monetária. O dólar ganhou força tanto no exterior quanto no Brasil e fechou acima de R$ 5,15, no maior patamar em dois meses, ao mesmo tempo em que os juros futuros voltaram a incorporar prêmios na curva, o que deixa as taxas em forte alta, com alguns vencimentos mais longos já ultrapassando o nível de 14,5%. O Ibovespa, por sua vez, recuou em meio à maior aversão global a risco.

O dólar à vista fechou em alta de 1,78%, a R$ 5,1566, no mercado à vista, após máxima de R$ 5,1571, enquanto no mercado de juros as taxas sofriam forte aumento do prêmio de risco. Por volta das 17h15, o DI para janeiro de 2029 escalava de 14,425% para 14,820%, enquanto a do DI para janeiro de 2031 avançava de 14,41% para 14,740%. Enquanto isso, o Ibovespa encerrou o pregão com queda de 0,77%, aos 169.019 pontos, acumulando oito semanas consecutivas de queda pela primeira vez desde o lançamento do Plano Real, em 1994.

“O humor com o Brasil já não era dos melhores e, agora, veio essa ‘puxada’ nos mercados globais com o ‘payroll’”, observa um gestor de moedas em condição de anonimato. O real, inclusive, está entre as divisas de pior desempenho na sessão, atrás, somente, do won sul-coreano. Com o aumento das expectativas em torno de um aumento nos juros americanos, cresce a possibilidade de fortalecimento do dólar — movimentos que penalizam tanto o real quanto os juros futuros, que já sofriam com a piora na percepção de risco no Brasil, como mostrou o Valor nesta sexta-feira.

A alta dos juros curtos também é relevante, em um sinal de um espaço ainda menor para flexibilização da Selic. No fechamento de quarta-feira, o mercado precificava somente 12 pontos-base de cortes no ano. No horário acima, a taxa do DI para janeiro de 2027 subia de 14,295% para 14,420%.

Estados Unidos

Em Nova York, o desempenho dos principais mercados piorou na tarde desta sexta-feira, sob pressão do “payroll” muito acima do previsto e das perdas das ações do setor de tecnologia.

No fechamento da sessão desta sexta-feira, o índice Nasdaq despencou 4,18%, aos 25.709,43 pontos; e o S&P 500 caiu 2,65%, aos 7.383,68 pontos. O Dow Jones recuou 1,35%, aos 50.866,78 pontos. O setor de tecnologia derreteu 5,78%, com as maiores perdas provenientes da da Broadcom (-7,92%), Arm (-12,9%), Marvell (-16,74%), Intel (-11,28%) e Micron (-13,21%).

O índice DXY, que mede a força do dólar contra seis divisas pares, subia 0,65%, a 100,058 pontos, perto das 16h15.

No mercado de renda fixa, a taxa da T-note de dois anos, mais sensível à política monetária do Federal Reserve (Fed), saltava de 4,049% a 4,166%, em um nível de volatilidade incomum para o mercado de juros nos Estados Unidos.

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