O promotor Fábio Vieira afirmou nesta quarta-feira que Jairo Souza Santos Júnior apresenta traços de psicopatia severa. Ele também classificou Monique Medeiros como narcisista com sinais de megalomania. A declaração ocorreu durante a fase de debates no julgamento pela morte de Henry Borel. O júri popular está no décimo dia de sessões no 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. As sustentações orais da acusação e da defesa podem durar várias horas.
O julgamento, considerado um dos mais longos da história recente do Tribunal do Júri fluminense, avançou para a etapa decisiva. Réus respondem por homicídio qualificado. A fase de debates permite que as partes apresentem argumentos finais aos jurados antes da votação da sentença.
Debates iniciam com foco na personalidade dos réus
O promotor iniciou a sustentação destacando o perfil dos acusados. Ele sustentou que Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, usava influência política e econômica para intimidar. Vieira descreveu um contexto de medo ao redor da família. Mulheres se aproximavam atraídas pelo poder do ex-vereador.
- Jairo Souza Santos Júnior teria demonstrado psicopatia severa segundo a acusação
- Monique Medeiros foi apontada como narcisista com traços de megalomania
- Promotor citou fala da ré sobre ser a melhor mãe possível para Henry
- Poder político e econômico de Jairinho foi mencionado como elemento central
A acusação buscou contextualizar as relações dentro do casal. Vieira reforçou que o ex-vereador exercia domínio. Ele ligou esses traços aos fatos apurados sobre a morte da criança. Monique negou ter percebido abusos contra o filho. Ela transferiu a responsabilidade principal para o companheiro.
Histórico do caso Henry Borel volta ao centro das discussões
Henry Borel morreu em março de 2021 no apartamento onde vivia com a mãe e o padrasto em Jacarepaguá. O menino tinha quatro anos. A denúncia aponta lesões graves e omissão de socorro. O processo tramita desde então com diversas audiências e recursos. O júri atual reúne depoimentos de testemunhas, laudos periciais e interrogatórios dos réus.
O caso ganhou repercussão nacional. Debates sobre violência contra crianças e responsabilidade parental marcaram as etapas anteriores. Jurados ouviram relatos sobre a rotina da família. Peritos analisaram lesões encontradas no corpo da vítima. A fase de testemunhas encerrou recentemente. Agora, as partes concentram esforços em convencer os sete jurados.
O julgamento transcorre sob forte acompanhamento da imprensa e da opinião pública. Medidas de segurança foram reforçadas no fórum. Familiares de Henry Borel acompanham as sessões. O pai da criança, Leniel Borel, tem cobrado justiça publicamente ao longo dos anos.
Estratégias da acusação e da defesa começam a se confrontar
A promotoria construiu argumento em torno de um padrão de comportamento. Vieira enfatizou que o poder de Jairo Souza Santos Júnior facilitava o controle sobre relações pessoais. Ele citou o temor relatado por pessoas próximas. A acusação também questionou a versão de Monique sobre ignorar sinais de violência.
A defesa dos réus deve rebater esses pontos nas próximas horas. Advogados buscam desqualificar laudos e relatos. Eles argumentam sobre ausência de provas diretas em alguns aspectos. O tempo total para debates pode chegar a nove ou dez horas. O juiz Elizabeth Machado Louro preside os trabalhos.
Após as sustentações, os jurados recebem quesitos para responder. Decisão sobre condenação ou absolvição depende do veredito majoritário. Sentença pode ser lida ainda nesta quarta ou na quinta-feira. O processo permite recursos posteriores independentemente do resultado.
Contexto familiar e social é explorado pela acusação
O promotor detalhou dinâmicas do relacionamento entre Jairo e Monique. Ele mencionou atração inicial ligada à posição social do ex-vereador. Traços de personalidade foram usados para explicar omissões e ações. Monique teria se apresentado como mãe exemplar em falas anteriores. A acusação contrapôs essa imagem aos fatos investigados.
Testemunhas anteriores descreveram ambiente de tensão no apartamento. Relatos incluíram mudanças de comportamento de Henry. Perícia indicou lesões compatíveis com agressão. A defesa contesta interpretações de alguns exames. O júri avalia todas as versões apresentadas.
Expectativa por desfecho após dez dias de sessões
O Tribunal do Júri registrou longas audiências desde o início do processo. Depoimentos de réus ocorreram nos dias anteriores. Monique falou primeiro em alguns momentos por decisão judicial. Jairo também prestou esclarecimentos. Agora, o foco está nas alegações finais.
A sociedade acompanha o caso como símbolo de proteção à infância. Debates sobre impunidade e rigor na Justiça surgem em paralelo. Dentro do fórum, o clima é de concentração. Jurados recebem orientações para decidir com base nas provas. O promotor Fábio Vieira encerrou parte inicial de sua fala reforçando a gravidade dos fatos.
O julgamento segue em andamento. Novas informações devem surgir conforme as defesas apresentem suas argumentações.


