Um vulcão submarino no Pacífico Sul entrou em erupção em janeiro de 2022. A explosão do Hunga Tonga-Hunga Ha’apai liberou enormes quantidades de cinzas, vapor e gases. Agora, um estudo publicado em maio de 2026 mostra que o evento também ajudou a decompor parte do metano que ele próprio emitiu.
A descoberta veio de dados de satélite. Cientistas observaram uma nuvem de formaldeído na estratosfera. Essa substância surge quando o metano se quebra na atmosfera.
Erupção gerou nuvem com vapor salgado e cinzas
O vulcão expeliu material equivalente a 58 mil piscinas olímpicas de vapor de água salgada misturado com cinzas. A luz solar reagiu com essa mistura. O processo formou átomos de cloro. Esses átomos atacaram moléculas de metano.
A equipe liderada por Maarten van Herpen detectou o fenômeno. O físico da Acacia Impact Innovation, na Holanda, coordenou a análise. A nuvem de formaldeído persistiu por mais de dez dias.
- A erupção liberou cerca de 330 mil toneladas de metano.
- Cerca de 900 toneladas se decomporam por dia no pico.
- O formaldeído alcançou até 12 partes por bilhão a 30 km de altitude.
- O processo durou pelo menos uma semana.
Os pesquisadores compararam com fenômenos conhecidos. Partículas de poeira do Saara no Atlântico geram reação semelhante. No caso do Hunga Tonga, a escala foi muito maior.
Estudo confirma oxidação acelerada de metano
A pesquisa saiu na revista Nature Communications. Dados do Sentinel-5P e outros satélites foram usados. A pluma vulcânica viajou ao redor do planeta. Ondas de choque deram duas voltas completas.
O metano tem potencial de aquecimento 80 vezes maior que o dióxido de carbono em 20 anos. Ele responde por um terço do aquecimento global atual. Reduzir sua concentração na atmosfera traria efeitos rápidos.
A erupção liberou metano equivalente ao de duas milhões de vacas por dia. Mas a mesma pluma removeu parte dele. Essa limpeza inesperada chamou atenção dos cientistas.
Reação pode inspirar técnicas contra mudanças climáticas
O cloro gerado na estratosfera atacou o metano. O formaldeído serviu como marcador. Como ele dura poucas horas, sua presença contínua indicou decomposição ativa.
Van Herpen sugere que o achado abre caminho para intervenções. Injetar partículas com ferro em áreas oceânicas poderia replicar o efeito. O objetivo seria decompor metano em fontes antrópicas.
Pete Edwards, da Universidade de York, no Reino Unido, manifestou cautela. Ele não participou do estudo. A troposfera, onde as emissões humanas ocorrem, tem dinâmica diferente da estratosfera. Efeitos colaterais precisam ser avaliados com rigor.
Detalhes da erupção reforçam força do evento
O Hunga Tonga-Hunga Ha’apai explodiu com potência centenas de vezes superior à bomba de Hiroshima. O tsunami e a onda de choque afetaram regiões distantes. Imagens de satélite captaram a coluna de fumaça subindo 64 km.
O estudo quantificou a oxidação de metano. A pluma continha material suficiente para sustentar a reação por dias. Isso explica níveis baixos de outros compostos observados.
Cientistas de várias instituições colaboraram. Entre elas, o Royal Belgian Institute for Space Aeronomy e a Universidade de Utrecht. A análise cruzou múltiplas fontes de satélite.
Implicações para monitoramento futuro de emissões
O método de detecção por formaldeído pode ser aprimorado. Ele permite medir remoção de metano em grande escala. Isso ajuda a validar técnicas de geoengenharia.
Especialistas enfatizam que a redução direta de emissões continua essencial. O metano vem de agricultura, lixo e combustíveis fósseis. Qualquer solução complementar exige testes exaustivos.
A erupção de 2022 forneceu um experimento natural raro. Ela mostrou que vulcões podem tanto poluir quanto limpar a atmosfera. O equilíbrio depende de condições químicas específicas.


