A Polícia Civil de São Paulo indiciou Deolane Bezerra, Marcola, líder do PCC (Primeiro Comando da Capital), e outras cinco pessoas por suspeita de envolvimento em organização criminosa e lavagem de capitais. A decisão é resultado de um relatório complementar das investigações enviado à Justiça.
Segundo a SSP-SP (Secretaria da Segurança Pública de São Paulo), o indiciamento acontece após a conclusão da primeira etapa de análise dos materiais apreendidos na Operação Vérnix, deflagrada pela polícia Civil e pelo MPSP (Ministério Público de São Paulo), no último dia 21 de maio.
Após a análise dos materiais, os investigadores também pediram a ampliação do bloqueio de bens, o sequestro de veículos e a custódia judicial de joias e relógios apreendidos durante a ação, além do compartilhamento de informações com a Polícia Federal após a identificação de indícios relacionados a possíveis crimes tributários.
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De acordo com as investigações, o grupo continuava em atividade no momento da operação e estaria promovendo a reestruturação de empresas supostamente utilizadas para ocultar patrimônio e recursos financeiros.
O caso segue sendo investigado e, segundo a secretaria, “não estão descartadas novas medidas judiciais e a identificação de outros envolvidos no esquema”.
Entenda a investigação
A Operação Vérnix, deflagrada pela Polícia Civil e pelo MPSP (Ministério Público de São Paulo), prendeu Deolane no dia 21, após a identificação de sua participação nas ações criminosas.
A investigação começou em 2019 dentro da Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior paulista, que identificou atuações de lavagem de dinheiro coordenadas pelo PCC.
Agentes da Polícia Penal apreenderam bilhetes e manuscritos no interior da penitenciária, que estavam com dois presos. Os conteúdos dos materiais revelaram algumas dinâmicas internas da facção, como atuação de lideranças encarceradas e possíveis ataques contra agentes públicos.
Deolane mantinha vínculos pessoais e negociais com membros do PCC e um dos gestores fantasmas da transportadora Lopes Lemos Transportadora Ltda, de nome fantasma “Lado a lado”, também investigada.
O papel de Deolane
Segundo os investigadores, Deolane tinha estreitos vínculos pessoais e negociais com um dos gestores fantasmas da transportadora investigada.
As apurações apontam que a influenciadora passou a ocupar posição de destaque no caso em razão de movimentações financeiras expressivas, incompatibilidades patrimoniais e indícios de conexão com integrantes do núcleo de comando do PCC.
Os levantamentos mostraram o uso de pessoas jurídicas, recebimentos de origem não esclarecida, circulação de valores milionários e aquisição ou vinculação a bens de alto padrão.
Para os investigadores, a projeção pública, a atividade empresarial formal e a movimentação patrimonial eram utilizadas como camadas de aparente legalidade para dificultar a identificação da origem ilícita dos recursos.
A investigação também identificou o uso de estruturas empresariais e patrimoniais sucessivas, mecanismo que teria como finalidade dificultar o rastreamento da origem, circulação e destinação dos recursos.


