Líder Supremo do Irã acusa EUA e Israel de buscarem dominar nação após ataques recentes

Redação
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Líder Supremo do Irã acusa EUA e Israel de buscarem dominar nação após ataques recentes

O Líder Supremo do Irã, Mokhtaba Khamenei, afirmou que os Estados Unidos e Israel buscam “colocar a nação de joelhos” através de um plano cego, envolvendo guerra imposta, pressões econômicas, ataques políticos e propaganda. A declaração foi transmitida pela televisão estatal, contextualizando a crescente tensão na região após uma série de confrontos. As ações militares recentes marcam uma escalada significativa, aproximando o terceiro mês da guerra.

Essa forte acusação iraniana surge em um cenário de ataques mútuos e quebras de cessar-fogo. As Forças Armadas dos EUA bombardearam uma instalação militar em Bandar Abbas, no sul do Irã, na madrugada de quinta-feira. Além disso, abateram quatro drones de ataque lançados contra navios americanos nas proximidades do Estreito de Ormuz, configurando o segundo ataque americano contra o país persa em uma semana.

Conflito se intensifica com ataques mútuos

Os Estados Unidos confirmaram o abate de quatro drones de ataque iranianos que representavam uma ameaça às forças americanas e ao tráfego marítimo no Estreito de Ormuz. Essa ação preventiva ocorreu após o Irã supostamente ter bloqueado o estreito, crucial para o comércio global de petróleo. O presidente Donald Trump, em declaração anterior, já havia reforçado que as águas internacionais do Estreito de Ormuz não seriam controladas por nenhuma nação.

A Guarda Revolucionária do Irã respondeu rapidamente, lançando mísseis contra uma base aérea dos EUA no Kuwait na mesma manhã de quinta-feira. Este ataque foi categorizado pelos EUA como uma “violação flagrante do cessar-fogo” previamente estabelecido. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Ismail Bagaei, classificou a ação americana como uma “violação flagrante do direito internacional e da Carta da ONU”, reiterando a determinação do Irã em defender sua soberania nacional e integridade territorial.

Na sequência, o exército do Kuwait informou que suas defesas aéreas estavam interceptando ameaças hostis de mísseis e drones, sem especificar a origem. As autoridades kuaitianas instaram a população a seguir as instruções de segurança, enquanto explosões foram ouvidas no país, resultantes das interceptações.

Israel amplia ofensiva no Líbano e sanciona ONU

As forças israelenses lançaram novos ataques no sul do Líbano, especialmente na cidade de Tiro, apesar da prorrogação do acordo de cessar-fogo entre os países. Dezenas de pessoas morreram na região, que está sob intenso bombardeio desde a noite anterior, inclusive durante o feriado de Eid al-Adha. A Agência Nacional de Notícias Libanesa (NNA) relatou que pelo menos seis pessoas da mesma família, incluindo crianças, morreram em um ataque de drone israelense em Nabi Sari.

Um soldado israelense de 20 anos, Rotem Yanai, foi morto por um ataque explosivo de drone do Hezbollah perto da fronteira com o Líbano, resultando também em ferimentos a dois reservistas. Drones explosivos com fibra óptica tornaram-se uma arma eficaz da milícia pró-Irã libanesa. Em meio à escalada, Israel emitiu duas ordens de expulsão em massa para o sul do Líbano, incluindo a cidade de Tiro, com cerca de 200 mil habitantes, horas antes de iniciar o bombardeio.

A tensão diplomática também se acirrou com a Organização das Nações Unidas (ONU). O embaixador de Israel na ONU anunciou a suspensão das relações com o secretário-geral da ONU, António Guterres. A decisão se deu em protesto à inclusão de Israel na “lista negra” relacionada à violência sexual em conflitos. Essa medida implica um “congelamento” das relações com o gabinete do Secretário-Geral até o final de seu mandato em 2026.

Os desdobramentos recentes no conflito incluem:

  • Israel ataca sul do Líbano com intensidade renovada.
  • Soldado israelense é morto por drone explosivo do Hezbollah.
  • Israel suspende relações com o Secretário-Geral da ONU.
  • Ministro israelense Bezalel Smotrich defende demolição de prédios em Beirute.
  • Irã condena ataque dos EUA e promete retaliar.

Diplomatas reagem à escalada da violência

O Ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, criticou duramente Israel após a onda de ataques no sul do Líbano. Ele afirmou que “as democracias não violam os direitos humanos” e que palestinos e libaneses têm o mesmo direito a um Estado e a viver em paz. Albares destacou que a ordem para declarar o sul do Líbano uma “zona de guerra” é “completamente inaceitável” e “contrária ao direito internacional”, exigindo uma forte posição europeia.

A Alta Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros, Kaja Kallas, ofereceu auxílio nas negociações para impedir que o Irã desenvolva uma arma nuclear. A condição para iniciar essas conversas seria um acordo para pôr fim às hostilidades e reabrir o Estreito de Ormuz. Kallas ressaltou a expertise da Europa para contribuir nesse cenário, embora tenha lamentado a demora na assinatura de um primeiro acordo que permita uma trégua de 60 dias.

Israel, por sua vez, reiterou sua intenção de negociar o desarmamento do grupo xiita Hezbollah com o Líbano, com mediação dos EUA em Washington. O porta-voz do governo israelense, David Mencer, afirmou que as “conquistas” contra o grupo xiita oferecem uma “oportunidade única para promover um acordo histórico” com o país vizinho, mesmo após a intensificação dos ataques na região.

Impacto econômico e sanções no Estreito de Ormuz

As tensões geopolíticas no Oriente Médio provocaram um impacto imediato nos mercados financeiros. O índice Ibex 35 recuou 0,36% no meio do pregão de quinta-feira, fechando em 18.315,2 pontos, refletindo a preocupação dos investidores com a instabilidade na região. As flutuações nas bolsas de valores europeias são um indicativo direto da sensibilidade do mercado aos conflitos internacionais.

O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Departamento do Tesouro dos EUA sancionou a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA) na quarta-feira. A PGSA foi incluída na “Lista de Nacionais Especialmente Designados e Pessoas Bloqueadas” (Lista SDN), sob a acusação de tentar lucrar economicamente com navios que transitam pelo Estreito de Ormuz. A medida baseia-se na Ordem Executiva 13224, que visa organizações que apoiam o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC).

Segundo o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, essa ação é uma prova de que a ofensiva de “Fúria Econômica” deixou o regime iraniano “desesperado por dinheiro”. As exigências iranianas para o trânsito pelo estreito incluem o pagamento de pedágios e o fornecimento de informações sensíveis sobre as embarcações, o que os EUA veem como uma tentativa de extorsão.

Baixas entre lideranças do Hamas e cenário em Gaza

A ofensiva israelense em Gaza resultou na morte de mais dois líderes do Hamas nas últimas duas semanas: Mohammed Odeh e Izz al-Din al-Haddad. Ambos estavam entre os arquitetos do ataque contra Israel em 7 de outubro de 2023. Essas mortes fazem parte de uma série de assassinatos seletivos que, embora enfraqueçam o grupo insurgente, não conseguiram romper o impasse no conflito em curso.

Apesar de um frágil cessar-fogo ter entrado em vigor em outubro, o Hamas ainda controla quase metade do enclave costeiro sitiado. O grupo tem rejeitado consistentemente os pedidos de desarmamento. Israel continua a realizar ataques regulares contra o que descreve como alvos militantes, resultando frequentemente na morte de civis e na conquista de mais território na Faixa de Gaza. A devastação na região persiste, sem sinais claros de resolução definitiva do conflito.

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