Foi na pequena Irecê, no semiárido baiano, que o empresário Daniel Muniz viu, pela primeira vez, as ruas do bairro em tons de verde e amarelo. À época, com 9 anos, a expectativa para ver o Brasil vencer mais uma Copa do Mundo era grande. Hoje, aos 33, com as lembranças do penta e também das tentativas pelo hexa desde então, ele enxergou a possibilidade de mudar o dia-a-dia da Rua 7-C, no Garavelo, em Goiânia. Não só ele.
“Na verdade quem teve a ideia foi minha esposa, porque ela me mostrou um vídeo e falou que a gente podia fazer isso, porque há muito tempo não tinha. Aí vinha aquela nostalgia dos anos 2000, quando todo mundo fazia, e que iria ser legal para a gente, para a população. Só que a gente não imaginava que iria tomar tamanha proporção”, relata Daniel.
E tomou mesmo. Pelo menos 15 comerciantes da região se juntaram a Daniel e a esposa Atna e colocaram a mão na massa, ou melhor, na tinta. Cerca de 60 pessoas se uniram para a decoração da Copa. Ele conta que tatuadores fizeram a arte e a população ficou por conta de colorir os desenhos. O empresário explica ainda que foi de porta em porta pedir apoio dos vizinhos.

“Eu fui de comércio em comércio, com papel e caneta, para falar da ideia, dos benefícios que iria ter para a gente, peguei telefone, número de WhatsApp, fiz um texto, mandei e falei que seria importante para a nossa rua, que iria atrair mais gente também para o comércio, e que seria legal todo mundo participar. A intenção era fazer a rua toda. Só que metade da rua não topou. Como a outra metade topou, a gente conseguiu fazer metade da rua”, explica.
Entre os desenhos, figuras marcantes de conquistas brasileiras em Copas como Pelé (58, 62 e 70), Ronaldinho Gaúcho (2002), Neymar, o canarinho pistola e até um caramelo estampam a via, que ainda conta com uma cobertura de bandeirolas verde e amarelas. Segundo Daniel, ações como essa reacendem a chama do carinho pela Seleção Canarinho.
“É uma chama, como se fosse um carvãozinho aceso. Ações como essa é como se você jogasse um álcool com açúcar ali no carvão, que vai reacendendo a chama no coração do brasileiro. Brasileiro é assim, é igual brasa, vai passando a energia de um para o outro, e quando você vê está aquela chama toda”, afirma Daniel.
Clima de Copa em Aparecida
Escudo da Seleção, bandeirão do Brasil, bola, taça Fifa e cachorro caramelo. Quem for à Avenida José Leandro da Cruz, no Jardim Luz, em Aparecida, vai se deparar com uma decoração especial para a Copa do Mundo.
O professor André Salles, que também tem 33 anos, dá aula de futebol e é apaixonado por esporte, consequentemente, por Copa do Mundo. Ele conta que foi a filha, Maria Helena, de 6 anos, que o levou para ajudar na pintura idealizada pela tia, que é comerciante da região.
“Por ver o pai gostar muito de futebol, ela me acompanha muito. Inclusive ela treina junto comigo. Então não fui eu que levei ela. Ela é que despertou o interesse, então ela gosta bastante também. Ela é de 2020, então na primeira Copa dela ela tinha 2 aninhos, então ela já fez bagunça lá em 2022, torceu, ela é bem animada”, conta.

O professor relata ainda que ela já tem os preferidos entre os convocados pelo técnico Carlo Ancelotti.
“Ela fala muito do Neymar, mas por conta dessas músicas do Youtube ela fala muito do Martinelli, ela fala ‘bate nele’ (risos). Ela também torce pelo Vinícius Júnior, mas o mais conhecido dela é mesmo o Neymar”, conta.
Entre desenhos, reuniões de vizinhos e entusiastas da Seleção Brasileira, rostos de grandes ídolos de glórias passadas e do presente, o torcedor abusa da criatividade para fazer brilhar harmonia em tempos de Copa do Mundo e a esperança pela sexta estrela na camisa mais vitoriosa da história.
Faltam 15 dias para o início da Copa do Mundo Fifa 2026.


