Príncipe William vende terras da Cornualha para investir em habitação social

Redação
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O príncipe William anunciou um plano ambicioso de modernização do Ducado da Cornualha através da venda de um quinto de suas propriedades imobiliárias. O valor esperado de £500 milhões será investido em habitação social, energia renovável e regeneração ambiental nos próximos dez anos. Will Bax, novo diretor executivo do ducado nomeado em 2024, revelou os detalhes da operação ao jornal britânico The Times.

A decisão do príncipe reflete uma tentativa de reposicionar a monarquia britânica diante de críticas sobre lucros dos ducados reais. Investigações do The Times e Channel 4 expuseram como a coroa lucrava com arrendamentos em instituições públicas, hospitais, escolas e até no Ministério da Justiça. O herdeiro do trono busca transformar esses privilégios feudais, que datam do século XIV, em iniciativas de bem público.

Cronograma e áreas afetadas pela venda

As operações imobiliárias atingirão cinco regiões específicas. As Ilhas Scilly, a Cornualha, Dartmoor, a região de Bath e o distrito londrino de Kennington passarão por transformações. Cada área foi selecionada por sua localização periférica e potencial de desenvolvimento.

  • Ilhas Scilly: expansão do parque industrial em St Mary’s
  • Cornualha: projetos de regeneração e desenvolvimento
  • Dartmoor: iniciativas de empreendedorismo para jovens
  • Bath: infraestrutura habitacional
  • Kennington (Londres): revitalização urbana
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Metas habitacionais e geração de empregos

O novo diretor executivo Bax anunciou um objetivo claro para os próximos quinze anos. Entre 2025 e 2040, o ducado pretende construir entre dez mil e doze mil habitações. Este número representa uma resposta direta à crise de habitação acessível no Reino Unido. Os projetos priorizarão imóveis destinados a população de baixa renda e classe média.

Um investimento de aproximadamente £120 milhões foi alocado especificamente para iniciativas de emprego. Essas ações visam impulsionar economias locais através de parcerias público-privadas. Bax destacou que o parque industrial em St Mary’s, nas Ilhas Scilly, terá seu tamanho dobrado. Em Dartmoor, o programa oferecerá aos jovens oportunidades de empreendedorismo dentro do parque nacional.

Energia renovável como pilar estratégico

Os projetos de energia limpa representam um componente fundamental do investimento. Ao longo dos dez anos seguintes, o ducado desenvolverá infraestrutura renovável capaz de fornecer eletricidade a cem mil casas. Essa meta alinha o plano às ambições climáticas do Reino Unido. A colaboração com o governo britânico já está em andamento para viabilizar esses empreendimentos. Restauração ambiental e proteção da vida selvagem complementam a estratégia de sustentabilidade.

Contexto histórico e controversia

O Ducado da Cornualha constitui uma das maiores propriedades privadas do Reino Unido. Com cinquenta e quatro mil hectares distribuídos por vinte e um condados na Inglaterra e País de Gales, o patrimônio é avaliado em £1,1 bilhão. O ducado faz parte de um portfólio total de £20 bilhões ligado à coroa. Essa riqueza concentrada gerou críticas públicas sobre justiça social e responsabilidade da monarquia.

Revelações jornalísticas anteriores mostraram que o ducado lucrava ao impor contratos de arrendamento a instituições públicas. Hospitais pagavam aluguel por terrenos. Escolas custeavam ocupação de imóveis. O Ministério da Justiça pagava aluguéis pela antiga prisão de Dartmoor, embora a instalação estivesse desativada há anos devido a problemas com gás radônio. O príncipe William reconheceu implicitamente esses problemas ao afirmar que o ducado “deveria existir não apenas para possuir terras, mas, antes de tudo, para ter um impacto positivo no mundo”.

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Visão de Bax sobre a reforma institucional

O diretor executivo Bax demonstrou abertura ao diálogo sobre críticas futuras. Ele admitiu que sempre haverá pessoas questionando tanto a existência do ducado como propriedade privada quanto a própria monarquia constitucional. “Essas duas coisas estão de certa forma interligadas”, afirmou. Bax ressaltou que respeita opiniões diferentes quando expressas com boas intenções. Sua nomeação em 2024 reflete o comprometimento do príncipe William em executar mudanças estruturais antes de sua eventual ascensão ao trono.

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