TCM determinou paralisação do concurso por 90 dias para investigar possível conflito de interesses em aprovação para cargo de administrador
Concurso da Câmara de Goiânia é suspenso após suspeita envolvendo candidato ligado à banca organizadora (Foto: Divulgação/Câmara Municipal de Goiânia)
A suspeita de favorecimento envolvendo um candidato aprovado em primeiro lugar levou à suspensão do concurso público da Câmara Municipal de Goiânia por 90 dias. A decisão foi tomada pelo Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCM-GO) após denúncias apontarem que o candidato ao cargo de administrador, com salário inicial de R$ 10 mil, mantinha vínculo com o Instituto Verbena/UFG, responsável pela organização do certame. O caso segue sob investigação.
A principal suspeita é o possível conflito de interesses envolvendo o candidato Luã Lírio de Souza Cruz, que obteve 96 pontos de um total de 100. Segundo as denúncias encaminhadas ao tribunal, ele atuava junto ao Instituto Verbena/UFG em um período próximo a aplicação das provas, incluindo participação em eventos e projetos ligados à banca organizadora.
Sem comprovação de fraude
Apesar da suspensão, o TCM destacou que ainda não há comprovação de fraude ou manipulação no resultado do concurso. Mesmo assim, o tribunal entendeu que existem indícios suficientes para justificar a paralisação temporária do certame enquanto as investigações são aprofundadas.
As apurações apontam que, embora tenha solicitado afastamento do instituto em janeiro de 2025 para atuar na Defensoria Pública da União, Luã ainda mantinha ligação com o Verbena. Uma reportagem institucional da própria UFG mostrou que o servidor participou representando o instituto em um evento realizado em Campina Grande no dia 10 de março, período próximo à realização do concurso aplicado em 15 de março.

O TCM também determinou diligências para verificar se houve acesso privilegiado a informações internas do certame ou qualquer vantagem indevida durante o processo seletivo.
Instituto Verbena afirma que adotou medidas preventivas
Em manifestação apresentada ao tribunal, o Instituto Verbena/UFG informou que o servidor comunicou formalmente um possível conflito de interesses ainda em dezembro de 2025 e solicitou afastamento completo de atividades relacionadas ao concurso da Câmara de Goiânia.
Segundo a instituição, foram adotadas medidas administrativas para impedir qualquer interferência do candidato no processo, incluindo bloqueio de acessos internos e restrição de permissões ligadas ao certame.
Já a Procuradoria-Geral da Câmara Municipal afirmou ter recebido a decisão “com serenidade” e disse confiar na lisura do concurso conduzido pelo Instituto Verbena/UFG.
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Em nota, o órgão destacou que a própria decisão do TCM reconhece que não há, até o momento, provas de fraude, manipulação de resultados ou acesso indevido às provas, mas apenas denúncias ainda em fase inicial de investigação.
A Câmara também informou que irá colaborar com as investigações e aguardar a conclusão das apurações.


