O ex-deputado Deltan Dallagnol (Novo-PR) defendeu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nesta quinta-feira (14/5), após o vazamento de um áudio e de mensagens entre o filho mais velho de Jair Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Master.
Em publicação feita nas redes sociais, Deltan afirmou que o áudio de Flávio Bolsonaro para Vorcaro “não mostra crime” e classificou o episódio como um caso de “patrocínio privado sem contrapartida”.
“O áudio do Flávio com Vorcaro não mostra crime. Mostra patrocínio privado sem contrapartida. É o mesmo critério que a Lava Jato usou para não acusar Lula pelo filme da Odebrecht em 2009, quando Odebrecht, OAS e Camargo Corrêa patrocinaram a cinebiografia do seu chefe e depois faturaram bilhões em contratos do PAC.” afirmou.
Dallagnol também disse que, no caso envolvendo Flávio Bolsonaro, “nem alegação de contrapartida existe” e destacou que o senador teria sido “o primeiro a pedir investigação ampla”.
Embate com Gleisi
A publicação de Deltan é uma resposta às provocações feitas pela deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR), que debochou do “silêncio ensurdecedor” de Deltan e do senador Sergio Moro (PL-PR).
“Gleisi quer saber onde estou. Estou aqui, pedindo a CPMI que o PT está travando”, escreveu Dallagnol.
A troca de críticas ocorre em meio à disputa política no Paraná, onde Dallagnol e Gleisi são pré-candidatos ao Senado.
O ex-deputado declarou ainda apoiar “todas as investigações” e questionou se Gleisi Hoffmann apoiaria a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar o caso envolvendo o Banco Master.
“Se você realmente quer investigação, topa assinar a CPMI do Master agora e mobilizar a esquerda para ela começar ainda em maio?”, escreveu.
Leia também
Áudio vazado
Reportagem publicada pelo Intercept Brasil revelou que o banqueiro Daniel Vorcaro teria desembolsado cerca de R$ 61 milhões para financiar o filme biográfico Dark Horse, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a publicação, os recursos teriam sido solicitados pelo senador Flávio Bolsonaro.
De acordo com a reportagem, os pagamentos ocorreram entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações diferentes. O valor total negociado para o projeto chegaria a R$ 134 milhões, embora, segundo o site, não existam provas de que toda a quantia tenha sido efetivamente transferida.
Um dos áudios divulgados pelo Intercept, atribuído a Flávio Bolsonaro e datado de 8 de setembro de 2025, mostra o senador cobrando Vorcaro por atrasos nos repasses para a produção do filme.
“Eu fico sem graça de ficar te cobrando, está em um momento muito decisivo aqui do filme. E tem muita parcela para trás, e está todo mundo tenso e eu fico preocupado aqui com o efeito contrário do que a gente sonhou pro filme, né?”, teria dito o parlamentar na gravação.
Após a divulgação do conteúdo, Flávio Bolsonaro confirmou que participou das negociações envolvendo o financiamento do longa, mas negou qualquer irregularidade nas tratativas.


