Motivo de embate entre Câmara e Paço, Pafus avança e segue para sanção do prefeito

Redação
By
5 Min Read
Motivo de embate entre Câmara e Paço, Pafus avança e segue para sanção do prefeito

Programa que descentraliza recursos para unidades de saúde foi alvo de tensão entre Executivo e Legislativo nas últimas semanas

Foto Matéria (1)
Felipe Cardoso

O Programa de Autonomia Financeira das Unidades de Saúde (Pafus), que se tornou pivô de uma “guerra fria” entre o Paço Municipal e a Câmara de Goiânia, foi aprovado em definitivo na terça-feira (12/5). A proposta segue agora para sanção do prefeito.

O projeto institui um novo modelo de gestão para as unidades da rede municipal de saúde. Ele permite a descentralização da execução orçamentária de despesas de pequeno valor destinadas à manutenção e ao funcionamento de CAIS, Ciam’s, UPA’s e postos de saúde. Os recursos serão oriundos do Fundo Municipal de Saúde e movimentados em contas específicas vinculadas ao próprio fundo.

SAIBA MAIS:

  • Mabel desburocratiza repasses e dá autonomia financeira às unidades de saúde | Mais Goiás
  • Autonomia financeira é prioridade para mulheres, aponta pesquisa | Mais Goiás

A tramitação da matéria foi marcada por tensão política. O Executivo avaliou que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) estaria retardando a análise do projeto. Diante disso, chegou a cogitar a utilização de instrumentos regimentais para avocar a proposta, ou seja, retirá-la da comissão, submetendo o texto à análise de um outro colegiado ou ao plenário. A comissão é presidida pelo vereador Luan Alves (MDB), da oposição ao prefeito Sandro Mabel (UB).

Após articulações internas, no entanto, a base do prefeito recuou da estratégia. Conversas entre o líder do Governo na Câmara, Wellington Bessa (Mobiliza), a secretária municipal de Governo, Sabrina Garcez, e o presidente da CCJ garantiram o andamento normal da matéria até a votação.

Mudanças

Com a aprovação, as unidades passarão a ter maior autonomia para adquirir materiais, contratar fornecedores e executar pequenos reparos sem a necessidade de processos licitatórios conduzidos pela administração municipal. A fiscalização dos gastos ficará a cargo dos conselhos de saúde, sem prejuízo da atuação do grupo junto ao Sistema Único de Saúde (SUS).

foto materia 2 Motivo de embate entre Câmara e Paço, Pafus avança e segue para sanção do prefeito
Após aprovação do texto em plenário, matéria volta ao Executivo para sanção do prefeito de Goiânia (Foto: Divulgação/Câmara Municipal)

O prefeito em exercício, Anselmo Pereira (MDB), acompanhou a votação do texto em plenário ao lado de auxiliares da gestão e afirmou que vai sancionar a lei assim que ela chegar à mesa. “O projeto que chegar lá no gabinete, se eu estiver lá, vou sancionar. É um projeto que tem pressa. Ele tem pressa desse dinheiro chegar, e tenho certeza que o Mabel, democraticamente, vai dizer: sancione e publique. Inclusive, devo fazer um ato lá com toda a assistência social, para que isso contamine todas as ações das demais secretarias”, declarou Pereira.

No comando

O vereador, que é 1° vice-presidnete do Poder Legislativo municipal, assumiu o comando do Executivo em razão das viagens do prefeito Sandro Mabel (UB) e do presidente da Câmara, Romário Policarpo (Cidadania). A vice-prefeita, Claudia Lira, se recusou a assumir o cargo porque vai se candidatar nas eleições deste ano.

LEIA TAMBÉM:

  • Vice-presidente da Câmara, Anselmo Pereira assume prefeitura de Goiânia neste sábado | Mais Goiás
  • Nas alturas: Mabel usa guindaste para vistoriar revitalização de monumento; assista

O secretário municipal de Saúde, Luiz Pelizzer, destacou os impactos práticos da mudança. “A partir de agora, se uma lâmpada queimar na segunda, quarta-feira ela estará trocada. Se aparecer uma goteira na segunda, quinta-feira ela estará resolvida. A porta quebrou, na sexta-feira a unidade terá uma porta nova”, exemplificou. 

“Com isso, as unidades ficarão mais bonitas, mais humanas e farão com que a população seja melhor atendida e acolhida”, disse.

A aposta da gestão municipal é que a autonomia financeira traga respostas mais rápidas às demandas cotidianas das 117 unidades da rede, reduzindo a burocracia e agilizando serviços considerados essenciais para o atendimento à população.

Compartilhe