Trump autoriza suspensão de cotas de importação de carne bovina nos EUA

Redação
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Trump autoriza suspensão de cotas de importação de carne bovina nos EUA

O governo americano estuda facilitar importações de carne bovina através da suspensão temporária de cotas de compras externas. A flexibilização teria duração de 200 dias e busca aliviar a inflação de alimentos nos EUA, onde a carne moída acumula alta de 40% nos últimos cinco anos.

A medida representa uma abertura para exportadores brasileiros como Minerva, MBRF e JBS, que devem ganhar espaço no mercado americano com a redução de restrições tarifárias. Atualmente, o Brasil entra na cota de “outros países” com limite de 65 mil toneladas anuais, mas vem exportando acima desse limite mesmo com tarifa superior a 26%.

Pressão inflacionária impulsiona flexibilização

Os preços altos da proteína animal pesam na economia americana e refletem na popularidade do presidente. O mercado doméstico dos EUA é o maior do mundo, porém passou a depender de importações após redução do rebanho local. Nos últimos 75 anos, o rebanho americano atingiu seu menor nível, conforme relatório do banco Citi.

Secas sucessivas nas regiões produtoras dificultaram a expansão da reprodução do gado. Em 2021, os EUA importavam 10% do consumo doméstico. Ano passado, essa fatia cresceu para 20%, segundo informações do Wall Street Journal. O consumidor americano médio sente o impacto direto dessa escassez nos preços pagos em supermercados.

Ganhos desiguais entre frigoríficos brasileiros

O Citi apontou que a Minerva sairá mais beneficiada. As ações da companhia saltaram 4,63% para R$ 4,29 no pregão de ontem. MBRF e JBS registraram quedas menores recuos de 2,55% para R$ 16,82 e 2,67% para R$ 76,31 respectivamente, mas ainda têm potencial de ganho com a medida.

A diferença está no modelo de negócios. A Minerva focou sua estratégia na exportação. MBRF e JBS possuem frigoríficos instalados nos EUA e usam as importações em suas operações domésticas americanas. Mesmo assim, ambas poderão se beneficiar com aumento de demanda por carne brasileira.

Beef
Beef – Photo: Pilin_Petunyia/istock

Mudança na hierarquia global de produção

Os EUA dominaram a produção global de carne bovina desde os anos 1960. Nos últimos anos, cederam espaço ao Brasil, que assumiu o posto de maior produtor conforme estimativas do Departamento de Agricultura americano (USDA). O Brasil também é o maior exportador mundial da proteína.

A redução do rebanho americano explica essa mudança no cenário produtivo internacional. Pesquisadores atribuem o fenômeno à dificuldade de ampliar rebanhos diante das secas que afetam as regiões tradicionais de criação. Esse deslocamento beneficia diretamente os exportadores brasileiros, que encontram demanda crescente.

Como funcionam as cotas atuais

O sistema americano de importação usa cotas para controlar entrada de produtos. Países podem vender com tarifa baixa até determinada quantidade. Ultrapassado esse limite, incide tarifa de pouco mais de 26% valor anterior ao tarifaço generalizado anunciado em 2025.

Os limites variam conforme o país de origem. Fornecedores tradicionais como Austrália, Nova Zelândia, Argentina e Uruguai têm cotas específicas. O Brasil entra na categoria “outros países”, com direito a 65 mil toneladas anuais. Mesmo com tarifa elevada, o Brasil exportou 126 mil toneladas ano passado, ultrapassando sua cota.

  • Limite de cota brasileira: 65 mil toneladas anuais
  • Exportação brasileira em 2025: 126 mil toneladas
  • Exportação brasileira em 2026 (jan-abr): 126 mil toneladas
  • Tarifa atual acima da cota: 26%
  • Duração proposta da suspensão de cotas: 200 dias

Oposição de produtores americanos

A redução de restrições a importações enfrentará resistência dos produtores de carne americana. Precedente recente aponta para essa dificuldade: quando a Casa Branca anunciou flexibilização apenas para exportações argentinas, a indústria doméstica reagiu contrária.

Consultores do setor esperam movimento similar desta vez. Os produtores americanos temem concorrência com carne importada a preços mais competitivos. O equilíbrio entre aliviar inflação para consumidores e proteger indústria doméstica representa desafio político para a administração Trump.

Impacto nos preços locais brasileiros

A abertura do mercado americano chega em momento crítico para o Brasil. A China, maior mercado para carne bovina brasileira, implementou própria política de cotas para favorecer produtores locais. O limite brasileiro de exportação para a China poderá ser atingido este mês conforme projeção do Citi.

Com restrições na China, exportadores brasileiros direcionarão volumes para os EUA. Isso absorverá excedente de produção que poderia inundar o mercado doméstico brasileiro, reduzindo pressão para queda de preços internos. Volumes que iriam para a China mas esbarrariam em limites locais terão destino garantido nos EUA.

Consultores do setor consideram essa dinâmica positiva para exportadores brasileiros. A absorção de excedente pelos EUA evita que pressão excessiva caia sobre preços domésticos. Para produtores e frigoríficos brasileiros, a suspensão de cotas abre oportunidade de escoamento maior de produção em mercado de alto valor agregado.

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