Dívida do São Paulo com ex-técnicos chega a R$ 10 milhões após saída de Crespo, Zubeldía e Dorival Júnior

Redação
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Dívida do São Paulo com ex-técnicos chega a R$ 10 milhões após saída de Crespo, Zubeldía e Dorival Júnior

O São Paulo enfrenta um cenário financeiro complexo para honrar compromissos com profissionais que já deixaram o comando técnico do clube. Um áudio vazado do presidente Harry Massis expôs a fragilidade do caixa tricolor, que ainda contabiliza pendências milionárias. Atualmente, o montante devido a Hernán Crespo, Luis Zubeldía e Dorival Júnior soma aproximadamente R$ 10 milhões. A diretoria tenta equacionar os pagamentos enquanto mantém o foco na gestão do elenco atual e nas competições da temporada 2026.

A situação mais recente envolve o argentino Hernán Crespo, demitido em abril deste ano após a eliminação na semifinal do Campeonato Paulista. O treinador, que cumpria sua segunda passagem pelo Morumbis, gerou um novo passivo trabalhista para a instituição. Embora o clube tenha quitado recentemente R$ 2,1 milhões de um acordo referente à primeira passagem do técnico, em 2021, a nova rescisão impôs encargos adicionais pesados. O Tricolor precisa desembolsar pouco mais de R$ 4 milhões em multas rescisórias para Crespo e sua comissão técnica.

Zubeldia
Zubeldia – Foto: Erico Leonan/SPFC

Divisão dos débitos com treinadores argentinos e brasileiros

A engenharia financeira do São Paulo precisa lidar com perfis de dívidas distintos entre os três profissionais citados por Harry Massis. No caso de Luis Zubeldía, que treinou a equipe entre abril de 2024 e junho de 2025, o valor foi definido em um acordo direto logo após sua saída. Por ter sido fruto de uma negociação amigável na época, o valor não apareceu imediatamente nos balanços anteriores, mas representa uma saída de caixa real para o clube.

  • Hernán Crespo: R$ 4 milhões referentes à multa da segunda passagem.
  • Luis Zubeldía: R$ 3 milhões oriundos de acordo pós-demissão em 2025.
  • Dorival Júnior: R$ 3,2 milhões em valores pendentes de salários e direitos.
  • Total estimado: R$ 10,2 milhões em compromissos de curto e médio prazo.

Já a situação de Dorival Júnior apresenta características contratuais específicas. O técnico, que conquistou a Copa do Brasil pelo clube antes de assumir a Seleção Brasileira, não possui uma multa rescisória ativa, já que saiu para atender ao chamado da CBF. No entanto, o balanço financeiro aponta que o São Paulo ainda detém uma dívida de R$ 3,2 milhões com o treinador. Esse valor está dividido entre registros de pessoa física e a empresa que gere a imagem do profissional. Entre 2024 e 2025, a gestão conseguiu amortizar R$ 1,45 milhão desse total, mas o saldo remanescente ainda pressiona o orçamento.

Impacto no balanço geral e acordos trabalhistas

A dificuldade em quitar os ex-comandantes é apenas uma parte de um problema estrutural maior detalhado nos documentos contábeis do Tricolor. O clube fechou o ciclo de 2025 com um passivo considerável em relação a processos cíveis e acordos trabalhistas. O planejamento para 2026 depende diretamente da capacidade de gerar novas receitas para cobrir esses buracos deixados por gestões e decisões administrativas anteriores.

  • Credores identificados: Cerca de 40 entidades entre ex-atletas e empresas.
  • Valor total de acordos: R$ 80,3 milhões em dívidas consolidadas.
  • Perfil da dívida: Processos judiciais, intermediários e escritórios advocatícios.
  • Situação de Thiago Carpini: Clube não registra pendências com o treinador.

Diferente de seus antecessores, Thiago Carpini, que comandou o time em 2024, não deixou resíduos financeiros em aberto com o São Paulo. Isso permitiu que a diretoria concentrasse esforços nos débitos mais vultosos, como os de Crespo. A falta de fluxo de caixa imediato, mencionada por Massis no áudio que circulou em grupos de conselheiros e torcedores, sugere que o clube precisará de cautela extrema no mercado de transferências para não agravar a situação.

Monitoramento do mercado e retorno de atletas

Mesmo com as contas apertadas, o departamento de futebol segue monitorando movimentações para reforçar o plantel sob o comando de Roger. A busca por equilíbrio ocorre enquanto o lateral Wendell entra no radar do Cruzeiro, que já sondou as condições para uma possível negociação. A venda de jogadores é vista como a principal saída para aliviar os R$ 10 milhões devidos aos técnicos.

A boa notícia no campo esportivo fica por conta de Pablo Maia. O volante, peça fundamental no esquema tático, retomou os treinamentos e deve estar à disposição em breve. A recuperação de ativos do próprio elenco valoriza o grupo e reduz a necessidade de investimentos externos em contratações emergenciais. O foco administrativo agora é evitar que novos atrasos gerem juros ou sanções desportivas que possam prejudicar o desempenho no Campeonato Brasileiro e nas copas nacionais.

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