O Lyon publicou um relatório financeiro detalhando uma cobrança de 126 milhões de euros contra o Botafogo, valor que equivale a cerca de R$ 727 milhões. O documento aponta que o clube francês, integrante da rede multiclubes Eagle Football, projeta dificuldades para reaver o montante integral. A diretoria da equipe europeia estima uma desvalorização de quase R$ 500 milhões sobre esse crédito por causa do risco de inadimplência. O balanço foi divulgado nesta terça-feira e expõe uma crise interna no conglomerado gerido pelo empresário norte-americano John Textor.
A cúpula do Lyon alega que o investidor utilizou a estrutura financeira do clube francês para avalizar operações do time brasileiro. Essas garantias teriam sido firmadas sem o conhecimento prévio dos demais diretores da Eagle Football Group. A situação gera um impasse jurídico, já que o Botafogo também move ações contra os franceses na Justiça do Rio de Janeiro. O clube carioca cobra valores que superam os R$ 745 milhões em processos abertos no último mês de abril.

Lyon identifica garantias financeiras ocultas em favor da SAF Botafogo
O relatório financeiro descreve que John Textor teria emitido documentos de crédito em nome do Lyon ou de suas subsidiárias para cobrir obrigações do Botafogo. De acordo com o balanço, uma dessas garantias ocorreu em março de 2024. O objetivo era assegurar o pagamento a uma empresa de fomento comercial após a compra de um atleta pelo clube alvinegro. O Lyon afirma que as demonstrações financeiras anteriores não continham esses dados porque a diretoria desconhecia tais movimentações contratuais.
- Garantia de março de 2024: focada em operação de factoring para aquisição de jogador.
- Garantia de abril de 2025: assinada pela OL SASU em favor de credores da SAF Botafogo.
- Valor máximo inicial: aproximadamente 30 milhões de euros em créditos cedidos.
- Exigência atual: o beneficiário pode cobrar até 14,8 milhões de euros diretamente do Lyon.
A segunda garantia citada no documento é datada de abril de 2025. O Lyon detalha que a operação envolveu a cessão de supostos créditos referentes a transferências de jogadores entre as duas equipes que nunca foram concretizadas. A auditoria francesa trabalha com a tese de que essas obrigações foram assumidas pela legislação inglesa. O clube europeu tenta agora entender a extensão total das promessas feitas pelo gestor norte-americano em reuniões fechadas.
Impasse jurídico e cobranças cruzadas entre clubes da Eagle Football
A relação financeira entre as instituições da rede de Textor enfrenta um momento de alta tensão institucional. Enquanto o Lyon reporta perdas milionárias, o Botafogo obteve decisões favoráveis na esfera cível brasileira. No mês passado, a Justiça do Rio determinou que o clube francês depositasse R$ 122 milhões em um prazo de três dias úteis. Contudo, o Lyon afirma formalmente que não recebeu notificações sobre as disputas legais movidas pela SAF no Brasil.
A complexidade contábil se agrava com a provisão de perdas feita pelos franceses. Ao registrar uma redução ao valor recuperável, o Lyon sinaliza ao mercado que não conta com a entrada rápida desses recursos. O cenário financeiro do grupo Eagle Football precisa de estabilização para evitar novas quedas nas avaliações de mercado na Europa. Analistas acompanham os desdobramentos dessa crise de governança interna que atinge diretamente o planejamento das equipes para o restante da temporada de 2026.
Movimentações de John Textor e impacto na gestão multiclubes
O empresário John Textor acumula funções de direção que permitem trânsito entre as contas das diversas sedes da Eagle Bidco. O Lyon sustenta que as garantias dadas em seu nome serviram para sustentar fluxos de caixa e dívidas operacionais do Botafogo e também do Molenbeek, da Bélgica. A estratégia de usar um clube saudável como fiador de outro em dificuldades operacionais é o ponto central do questionamento dos conselheiros franceses. O balanço divulgado reforça que a transparência sobre esses avais é vital para a saúde fiscal da empresa listada em bolsa.
As obrigações assumidas pelo Botafogo perante instituições financeiras dependiam, em muitos casos, da robustez do balanço europeu do grupo. Com a descoberta dessas garantias retroativas, o Lyon precisou ajustar seus números de 2024 e 2025 para refletir o passivo contingente. A Eagle Football ainda não se manifestou oficialmente sobre mudanças na estrutura de comando após o vazamento dessas informações. O mercado financeiro aguarda uma posição clara de Textor sobre como pretende sanar os débitos entre as partes relacionadas sem prejudicar a competitividade esportiva.


