Gás natural sobe 19,2% na Petrobras a partir de 1º de maio

Redação
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Gás natural sobe 19,2% na Petrobras a partir de 1º de maio

A Petrobras reajustou em 19,2% o preço da molécula do gás natural vendido às distribuidoras, com vigência a partir de 1º de maio. O aumento foi divulgado nesta sexta-feira e afeta diretamente o gás canalizado e o gás natural veicular (GNV) usado em automóveis. A estatal indexa seus contratos à variação do petróleo tipo Brent, do câmbio e, desde janeiro, também ao índice Henry Hub dos Estados Unidos.

No período de três meses analisado, o petróleo Brent subiu 24,3%, enquanto o gás natural nos EUA caiu 14,1% e o real se valorizou 2,5% frente ao dólar. A Petrobras ressalva que o impacto efetivo ao consumidor varia conforme tributos estaduais e as tarifas praticadas por cada distribuidora regional.

Brent dispara enquanto dólar recua

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O movimento do mercado internacional explica a dinâmica do reajuste. O Brent, principal petróleo de referência global, acumula alta significativa em abril. O dólar enfraqueceu ante o real, o que teoricamente deveria pressionar menos os preços em reais. Contudo, a alta do Brent sobrepesou esse efeito cambial.

O Henry Hub, índice de gás natural negociado em Louisiana e usado como referência mundial, fechou o período em queda. Este é o principal termômetro de oferta e demanda de gás natural na América do Norte. Ainda assim, o ganho do Brent foi decisivo para o aumento final.

Redução acumulada desde 2022 ainda prevalece

Apesar do reajuste de maio, a Petrobras informou que o preço médio da molécula acumula uma redução de 26% desde dezembro de 2022, incluindo este último aumento. A empresa utiliza sistema de média trimestral para mitigar volatilidade de curto prazo.

Os contratos preveem variações trimestrais. O cálculo considera:

  • Oscilação do petróleo Brent
  • Taxa de câmbio R$/US$
  • Variação do índice Henry Hub (desde janeiro de 2026)
  • Prêmios de Incentivo à Demanda e Performance

As distribuidoras negociam volumes específicos e produtos diferenciados, resultando em variações finais distintas por região e companhia.

Gás de botijão não sofre alteração

O aumento não atinge o gás de botijão (GLP), que segue modelo de reajuste independente. O GLP é regulado por outras metodologias e tabelas próprias, definidas pela ANP e pelas distribuidoras de GLP. Apenas o gás canalizado e o GNV recebem os efeitos diretos deste reajuste trimestral.

Querosene de aviação também sobe

No mesmo comunicado, a Petrobras elevou o preço do querosene de aviação (QAV) para distribuidoras. A companhia citou “contexto excepcional causado por questões geopolíticas” para justificar o aumento de R$ 1 por litro. Desde o final de fevereiro, as tensões no Oriente Médio pressiona os preços de combustíveis globalmente.

A estatal oferecerá ao mercado a opção de parcelar o reajuste em seis vezes, com primeira parcela em julho de 2026. Esta medida visa preservar a demanda do produto e mitigar impactos no setor de aviação brasileiro.

Contratos indexados e revisões periódicas

Os ajustes de QAV ocorrem no início de cada mês, conforme estabelecido em contrato. Para o gás natural, as atualizações são trimestrais. A Petrobras argumenta que estes mecanismos garantem transferência transparente de variações de mercado internacional, evitando subsídios ou descompensações a longo prazo.

A nota oficial da estatal detalha que as variações finais efetivas dependem dos produtos específicos contratados e dos volumes retirados. Os prêmios de Incentivo à Demanda e Performance, criados em 2024, influenciam os preços finais negociados.

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