Terras raras de Goiás podem competir com a China, diz mineradora

Redação
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Terras raras de Goiás podem competir com a China, diz mineradora

Com aporte de R$ 2,8 bilhões dos EUA e geologia única, mineradora em Minaçu usa sustentabilidade para desafiar o domínio da China

Imagem ilustrativa

O Carbonato Misto de Terras Raras produzido em Goiás contém elementos como Disprósio e Térbio (Foto: reprodução FPMIN)

Inglid Martins

A jazida ‘Pela Ema’, em Minaçu, consolidou-se como uma das poucas fontes de argila iônica fora da Ásia, garantindo a Goiás uma vantagem competitiva inédita no setor mineral. Por ser um depósito raso e macio, a Serra Verde explicou que a extração consome menos energia e gera menor impacto ambiental que os depósitos de “rocha dura”, permitindo custos de produção capazes de competir com o mercado chinês. Essa característica atrai mercados globais que exigem matérias-primas com menor pegada de carbono para a fabricação de tecnologias limpas, como turbinas eólicas e veículos elétricos.

“O grande diferencial de Pela Ema é ser um depósito de argila iônica raso e macio, um dos relativamente poucos encontrados fora da Ásia. Isso significa que utilizamos métodos simples de mineração a céu aberto, o que contribui para menor consumo de energia e menores custos operacionais”, afirmou a empresa ao Mais Goiás.

Foto divulgação Grupo Serra Verde
Com investimento bilionário dos EUA, mina em Minaçu projeta produzir 6,4 mil toneladas de óxidos de terras raras até 2027 (Divulgação: Grupo Serra Verde)

Sustentabilidade como estratégia

A competitividade de Goiás no mercado de terras raras não é apenas financeira, mas também ambiental. Segundo a Serra Verde, a extração em Minaçu utiliza métodos de mineração com baixo impacto, diferenciando-se dos processos químicos agressivos utilizados em outros países.

Para garantir a segurança ambiental, a companhia utiliza um sistema de circuito fechado. “A operação foi desenhada com controles robustos, incluindo recirculação de cerca de 90% da água utilizada e disposição dos resíduos por empilhamento a seco, em área totalmente impermeabilizada, sem uso de barragens convencionais de rejeitos úmidos”, detalhou a mineradora.

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Financiamento e estabilidade

O plano de otimização da unidade será financiado por um empréstimo de US$ 565 milhões (cerca de R$ 2,8 bilhões) da U.S. Development Finance Corporation. O recurso é voltado à ampliação da capacidade produtiva e à redução de custos operacionais. Além disso, a empresa conta com um contrato de fornecimento de 15 anos com preços mínimos garantidos para terras raras magnéticas.

Segundo a companhia, esse modelo de negócio é o que permite enfrentar o domínio asiático: “Os preços mínimos garantidos proporcionam à Serra Verde fluxos de caixa seguros e previsíveis, em níveis superiores aos benchmarks asiáticos, reduzindo riscos e sustentando o desenvolvimento da companhia”.

Riqueza estratégica

O solo goiano é especialmente rico em elementos como Disprósio (Dy) e Térbio (Tb), considerados terras raras “pesadas” e essenciais para indústrias de alta tecnologia. “Eles são fundamentais para a produção de ímãs permanentes de alto desempenho, utilizados em setores como energia renovável, aeroespacial, robótica e defesa”, concluiu a empresa.

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