Ambipar – Foto: Instagram @ ambipar.group
A Justiça do Rio de Janeiro deferiu nesta quinta-feira, 25 de setembro de 2025, uma medida cautelar que protege o Grupo Ambipar contra ações de credores. A decisão da 3ª Vara Empresarial suspende cobranças e execuções por 30 dias, prorrogáveis por igual período. O pedido veio dos escritórios Salomão Advogados e Galdino Advogados, representando a Ambipar Participações e Empreendimentos, a Environmental ESG Participações e afiliadas.
O grupo, líder global em gestão ambiental, enfrenta pressões financeiras urgentes. Cláusulas de vencimento cruzado em contratos ameaçam ativar dívidas totais de US$ 550 milhões, equivalentes a cerca de R$ 3 bilhões ao câmbio atual. Um aporte de R$ 60 milhões ao Deutsche Bank vencia na sexta-feira, 26, sob risco de aceleração total das obrigações.
Suspeitas internas apontam para irregularidades em um contrato recente. Um ex-executivo teria assinado aditivo com o Deutsche Bank em setembro, relacionado a green bonds de US$ 35 milhões. Essa operação, firmada pela subsidiária Ambipar Lux, incluiu condições onerosas sem respaldo, agravadas por variações cambiais e desvalorização de títulos.
Origem da crise financeira no grupo
O contrato com o Deutsche Bank, datado de 18 de setembro, iniciou com empréstimo de US$ 35 milhões para operações em derivativos. Bancos exigiram garantias extras baseadas em perdas recentes, estimadas em mais de R$ 200 milhões no caixa nos últimos dias.
O Santander notificou a Ambipar na quarta-feira, 24, demandando pagamento de US$ 120 milhões até as 14h desta quinta. Essa cobrança isolada poderia disparar o cross-default, expondo o grupo a passivos de R$ 10 bilhões em aquisições realizadas entre 2020 e 2022.
A expansão agressiva incluiu 42 compras de empresas de resíduos e logística reversa. Essas movimentações elevaram a alavancagem, sensível à alta de juros no Brasil. O conselho aprovou na segunda-feira, 22, emissão de até R$ 3 bilhões em debêntures para resgate antecipado e reestruturação de capital.
Detalhes da decisão judicial
O juiz Leonardo de Castro Gomes analisou o risco iminente. Apesar da falta de documentos completos sobre a crise, ele reconheceu a urgência para evitar danos irreversíveis.
A liminar bloqueia todas as medidas de constrição, incluindo arrestos de bens e acelerações de dívidas. O grupo busca tempo para negociar com credores e equacionar compromissos.
A Ambipar opera em 40 países, com 24 mil funcionários e foco em serviços de emergência ambiental. A companhia enfatiza a continuidade das atividades, preservando empregos e operações essenciais.
Suspeita de fraude e saída de executivo
Investigações internas revelam que o aditivo contratual com o Deutsche Bank incluiu cláusulas abusivas. O ex-executivo, saído recentemente, atuou sem autorização plena, desequilibrando a estrutura financeira.
- O aditivo previa garantias adicionais ligadas a variações em green bonds, sem previsão original.
- Perdas em swaps derivativos somaram R$ 200 milhões em saídas de caixa recentes.
- A fraude deliberada acelerou notificações de bancos como Santander e outros credores.
- A CVM abriu processo administrativo para apurar irregularidades em emissões de títulos.
A saída do diretor ocorreu dias antes do pedido judicial, em meio a auditorias internas. O episódio destaca vulnerabilidades em governança corporativa.
Repercussões no mercado de capitais
As ações da Ambipar (AMBP3) entraram em leilão na B3 após queda de mais de 50%. Os papéis abriram a R$ 5,50 e tocaram mínima de R$ 3,91, com volume de 3,3 milhões de unidades negociadas.
Green bonds da companhia caíram 21 centavos de dólar, negociados a 15 centavos. Analistas citam o rating “BB-” em dólar e “AA-” em real da Fitch, questionando a sustentabilidade financeira.
O mercado vê a cautelar como pavimentação para recuperação judicial. Empresas com dívidas em bonds enfrentam triggers semelhantes, complicando reestruturações extrajudiciais.
Operações globais sob pressão
O grupo mantém serviços em manufatura reversa e resposta a emergências em múltiplos continentes. A proteção judicial visa preservar ativos enquanto negocia alternativas com credores.
Contratos com cláusulas cruzadas abrangem 280 empresas do conglomerado. A Ambipar argumenta que a medida emergencial garante sobrevivência operacional.

