Pré-candidato intensifica agenda com lideranças religiosas, promete anistia e aposta no segmento como peça-chave para chegar ao segundo turno
A expectativa é que os fiéis enxerguem em Caiado uma alternativa à polarização política no país (Foto: Divulgação)
Interlocutores da campanha do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), avaliam que há espaço para crescimento do presidenciável junto à comunidade evangélica, tradicionalmente alinhada à direita e considerada reduto bolsonarista. A estratégia tem sido ampliar a presença em encontros do segmento e reforçar o discurso de combate ao PT. A expectativa é que os fiéis enxerguem em Caiado uma alternativa à polarização política no país.
O ex-governador de Goiás tem dito em seus discursos que o Partido dos Trabalhadores é conivente com crime organizado e afirmado que o Brasil precisa de alguém com coragem, sem “rabo preso” e com vontade política para enfrentar desafios. O tom crítico ao PT tem encontrado eco entre lideranças evangélicas e fiéis.
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Como gesto direto ao segmento, o pré-candidato prometeu que, se eleito, seu primeiro ato será conceder anistia a todos os envolvidos nos atos de 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que responde por atentar contra o Estado Democrático de Direito. Parte dos envolvidos nos ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília, tem ligação com o meio evangélico.
Além do discurso, Caiado tem ressaltado sua experiência no Executivo e no Legislativo, citando os mandatos como deputado, senador e governador. Ele se apoia também em pesquisas de satisfação realizadas em Goiás para sustentar a tese de que é possível “unir as pessoas e pacificar o Brasil”.
Nos bastidores, o comentário é que Caiado pretende escolher um nome ligado à comunidade para compor a vice. Inicialmente, a preferência seria por uma mulher e, se possível, que reúna as duas características.

Embora apareça distante de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas, a avaliação de aliados é de que o principal desafio está no primeiro turno. A leitura interna é que, se avançar ao segundo turno contra Lula, Caiado poderia reunir o apoio das forças da direita e ampliar significativamente suas chances de vitória.
Marcando presença
Na terça-feira (21), feriado de Tiradentes, Caiado participou de evento da Igreja Fonte da Vida, no Clube Juventus, na Mooca, Zona Leste de São Paulo. O apóstolo César Augusto afirmou que “Deus precisa de um homem corajoso e coerente para fazer as mudanças neste país” e declarou que a comunidade tem “dois candidatos maravilhosos”, sem formalizar apoio. A fala foi interpretada como um gesto que coloca Caiado em condição de igualdade com Flávio Bolsonaro entre os fiéis.
Estrategicamente, Caiado nomeou, no início de abril, o deputado federal Otoni de Paula (MDB) com a missão de aproximá-lo do eleitorado evangélico. Já no dia 15 do mesmo mês, ele visitou lideranças da Convenção Geral dos Ministros das Igrejas Assembleia de Deus do Brasil (CGADB), em São Paulo. Lá, foi recebido pelos pastores José Wellington Costa Junior, presidente, e José Wellington Bezerra da Costa, presidente de honra da entidade.
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Na reta final de março, durante o lançamento de sua pré-candidatura, também recebeu apoio do bispo Samuel Cássio Ferreira, presidente executivo da Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil, Ministério de Madureira. “O Brasil não pode viver no extremo nem da direita nem da esquerda. É hora de estarmos com alguém centrado, de posição firme”, afirmou o religioso, acrescentando que o “povo está cansado” da polarização.
Brasil afora
O percentual de evangélicos no Brasil bateu recorde e chegou a 26,9% da população. Os dados são do Censo 2022, divulgados em 2025 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Isso significa que um a cada quatro brasileiros pertence ao segmento religioso. O crescimento, embora contínuo, registrou uma leve desaceleração no ritmo comparado à década anterior.


