Entidade quer saber se equipamento tem ligação com delegado Christian Zilmon; delegado nega
OAB-GO pede investigação sobre uso de drone para monitorar advogada (Foto: Freepik)
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) cobra uma investigação para verificar se um drone utilizado, recentemente, para sobrevoar a residência da advogada Áricka Rosália Alves Cunha tem ligação com o delegado Christian Zilmon Mata dos Santos. As imagens da aeronave foram gravadas por familiares da jurista e mostram o equipamento em operação sobre a casa dela, em Cocalzinho de Goiás.
No sábado (18), o delegado postou um vídeo com um drone. Nas redes sociais, ele negou ter feito uso do aparelho para monitorar a casa. Ao Mais Goiás, ele reforçou que não fez o monitoramento, informou que não estava no local e possuía registros dos voos. Inclusive, o delegado enviou um vídeo sobre o assunto ao portal.
“É citado que fiz perseguição de forma mentirosa com drones. O drone sofreu até uma queda, uma avaria, é esse aqui ó [mostra o item], uma avaria, tem o registro de voo, provando, porque estava longe daqui. O suposto perseguidor, ele não voa”, afirmou. Ele ainda afirmou ter muito respeito pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Goiás (OAB-GO) e não vai transformar a situação em uma “guerra institucional”.
Christian Zilmon prendeu a advogada Áricka Cunha no escritório dela, em Cocalzinho, em 15 de abril, sob a alegação de que a profissional teria cometido o crime de difamação contra ele em redes sociais. A profissional foi liberada em seguida e afirmou que tomaria as providências jurídicas necessárias.
A OAB-GO também se manifestou contra a operação e, por meio do Sistema de Defesa das Prerrogativas (SDP), determinou a abertura de procedimentos contra o delegado. O portal não conseguiu contato com a advogada Áricka.
O caso ganhou repercussão após a advogada ter sido presa no dia 15 de abril, dentro do próprio escritório, após criticar o arquivamento de um boletim de ocorrência. A abordagem foi feita pelo próprio delegado e registrada em vídeo, o que ampliou a repercussão nas redes sociais e no meio jurídico.
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Segundo relatos já divulgados, a prisão ocorreu sob acusação de difamação contra o delegado. A defesa da advogada e a OAB-GO classificaram a medida como arbitrária e apontaram possível violação das prerrogativas da advocacia.
No fim de semana, a Justiça de Goiás entendeu que o delegado não poderá atuar em procedimentos nos quais figure como suposta vítima em casos envolvendo uma advogada presa por ele. A medida foi proferida pelo juiz Samuel João Martins, que atendeu parcialmente a pedido da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás. Nas redes sociais, Christian Zilmon informou que vai cumprir a medida, mas que, caso haja crime, outro delegado pode prender a advogada.
Repercussão e investigação
Após a divulgação do caso, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás passou a acompanhar a situação e ingressou com medidas judiciais. O presidente da entidade, Rafael Lara Martins, afirmou que a decisão liminar reforça garantias fundamentais, como o exercício da advocacia e a liberdade de expressão.
Já o delegado envolvido se manifestou publicamente, defendendo a legalidade da atuação e alegando que a advogada teria adotado comportamento inadequado durante os fatos.
A Polícia Civil de Goiás informou que instaurou procedimento interno para apurar as circunstâncias da ocorrência.
RELEMBRE:
- Advogada acusada de difamar delegado é presa em Cocalzinho


