Prisões de garimpeiros ilegais disparam 906% em Goiás em 2025, aponta PM

Redação
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Prisões de garimpeiros ilegais disparam 906% em Goiás em 2025, aponta PM

Detidos migram de outros estados para atuar em Goiás. Atividade é altamente prejudicial ao meio ambiente

Garimpo ilegal em Cavalcante - (Foto: reprodução/Batatão ambiental)

Garimpo ilegal em Cavalcante – (Foto: reprodução/Batatão ambiental)

Pedro Moura

O número de garimpeiros ilegais presos em Goiás disparou 906% em 2025, segundo dados do Batalhão Ambiental da Polícia Militar. Ao todo, 161 pessoas foram detidas em ações contra o garimpo ilegal no estado, contra 16 registros em 2024. Em 2026, até o momento, militares já contabilizaram cerca de 15 Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCO) relacionados à prática. O entendimento da corporação é de que o volume de prisões reflete a intensificação de operações policiais em áreas com maior incidência de minerais, como ouro e cristais, no território Goiano.

Na última segunda-feira (13), por exemplo, três homens foram presos na zona rural de Cavalcante durante uma ação conjunta. No local, os policiais apreenderam máquinas de escavação, equipamentos de perfuração, veículos, ouro e frascos de mercúrio — substância altamente tóxica utilizada na extração do metal. Segundo o subcomandante do Batalhão Ambiental, major Bruno Portela, a maior concentração de ocorrências está em municípios como Cristalina, Minaçu, Niquelândia, Santa Cruz, Matrinchã e Piraí do Rio. “Há maior abundância de cristais e ouro, o que atrai a atuação de garimpeiros ilegais”, afirmou.

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Garimpo flagrado em Cavalcante – (Foto: reprodução/Batalhão Ambiental)

As ações são realizadas pelo Batalhão Ambiental, ligado ao Comando de Operações do Cerrado (COC), e têm como foco combater crimes ambientais e a exploração irregular de recursos naturais.

Garimpo ilegal em Goiás

Para o major, a alta de prisões está relacionada ao fortalecimento da fiscalização e à integração entre as forças de segurança pública. A migração de garimpeiros de outras unidades da federação, porém, também é outro fator considerado pelas forças de segurança. Portela revela que, apesar do aumento, o cenário goianoi ainda é distante do encontrado em regiões da Amazônia e do Pará, onde a extração ilegal de minérios ocorre em larga escala.

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Batalhão Ambiental destruindo balsa usada em garimpo ilegal – (Foto: reprodução/Batalhão Ambiental)

Obstáculos na repressão

Portela afirma que a maior dificuldade no combate a esse tipo de delito está na reiteração delitiva, visto que as penas e multas previstas na legislação não são suficientes para dissuadir o infrator da prática criminosa. Para se ter uma ideia, a pena para o garimpo ilegal chega a apenas um ano, enquanto que as multas podem alcançar R$ 50 milhões.

“A balança entre vantagem e punição é desregulada, o que torna a atividade atrativa do ponto de vista da punibilidade. A fiscalização é difícil, complexo e sensível, já que as áreas de atuação sempre são de acesso complicado, o que torna as operações sempre arriscadas. Todavia, a Polícia Militar e os demais órgãos relacionados estão preparados para o enfrentamento dessa prática”, reforça o subcomandante. 

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Impactos ecológicos e sociais

Ainda conforme Portela, o garimpo ilegal trás riscos tanto à fauna quanto a flora das regiões onde é praticado, podendendo levar a extinsão espécies de plantas e animais. Há ainda o risco à vida, devido a violência empregada na prática com a invasão de propriedades privadas na busca por cristais – embora em menor escala..

“[O garimpo provoca] poluição, degradação, desmatamento, contaminação de solo e cursos d’água, intoxicações, aumento da violência, disseminação de doenças, entre outras coisas”, conclui o major Bruno Portela. 

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