Um cavalo morreu na noite de domingo (12) em Terezópolis de Goiás, após permanecer semanas doente e sem atendimento veterinário nas proximidades da GO-060, em um quiosque desativado. Conforme moradores, o animal tinha um ferimento crônico que evoluiu para uma infecção grave.
Eles relataram que o equino vivia nas ruas desde a morte de seu antigo proprietário, há cerca de quatro anos. Eles alegam que a prefeitura teria sido notificada sobre o agravamento do quadro de saúde do animal há pelo menos um mês, mas que nenhuma atitude foi tomada. Nem para tratamento, nem para retirá-lo da área, que tem risco de acidentes por se tratar de uma rodovia. O município, por sua vez, diz que só foi procurado na noite de sexta-feira (10) e que teve dificuldades de conseguir um veterinário por se tratar de final de semana, mas que o atendimento estava autorizado.
O fisioterapeuta Marcelo Henrique Betiol da Silva fez registros do animal e tentou ajudá-lo. Ao Mais Goiás, ele disse que há cerca de um mês, moradores da região viram o cavalo andando perto das barracas, ao lado da rodovia, com uma ferida enorme no ânus e acionaram a secretaria de Meio Ambiente, mas não tiveram retorno.
No domingo, segundo ele, o cavalo já agonizava deitado, perto de um quiosque. “Tentamos dar os primeiros socorros, mas ele estava com as pernas traseiras muito inchadas e a ferida infeccionada. Tentamos contato com a prefeitura e a secretaria novamente, mas sem sucesso”, relatou. Marcelo disse que um veterinário chegou ao local por volta das 19h, mas já não adiantava mais.
Ele revela que, inclusive, procuraram ajuda da vereadora de Anápolis, Seliane da SOS. “Ela não conseguiu nos ajudar, pois teria que levar o animal para Anápolis. Por ser domingo, ninguém poderia ajudar, então tentamos a prefeitura, mas ninguém nos ajudou.”

Protetora
A empresária e protetora Elisangele Guimarães também atuou para tentar salvar o animal. Ela diz que, na última semana, a procuraram para pedir ajuda. “Me ligaram na sexta-feira à noite e contaram onde o cavalo estava, mas o animal já estava muito debilitado. Ficamos o dia inteiro tentando conseguir um veterinário, mas não conseguimos”, lamentou.
Ela também tentou contato com a “SOS de Anápolis”, que estava disposta a ajudar, mas precisava de transporte para carregar. “Não achamos homem, transporte, prefeito, ninguém…”
Em nota ao Mais Goiás, a vereadora Seliane da SOS informou que soube da demanda no início da semana e se sensibilizou com a situação. Contudo, o cavalo só foi localizado no domingo, já em situação de urgência. “Busquei imediatamente meu veterinário de confiança, mas ele não estava em Anápolis. Pedi, inclusive, que trouxessem o animal para Anápolis para facilitar o atendimento, mas isso não foi possível”, narrou.
Ela reforça que não se omitiu e se prontificou a ir até Terezópolis. “Desde o início, deixei claro: essa responsabilidade é do município de Terezópolis. Mas, acima de qualquer atribuição, existe a vida, e quando se trata de vida, a gente age.”
Por volta das 15h30, o corpo do animal ainda aguardava ser recolhido pelo município no quiosque. Ele foi removido por volta das 15h45, após o Mais Goiás conversar com a prefeitura.
Resposta da prefeitura
O secretário municipal de Meio Ambiente, Felisberto Tavares, disse que a prefeitura só foi informada na sexta-feira (10) à noite e que já procurou veterinário no sábado cedo, mas não conseguiu nenhum para o atendimento. “Lamentavelmente foi no fim de semana e domingo ele faleceu.”
Ele revela que o atendimento já estava autorizado, mas ressalta que o animal já estava doente quando o município tomou conhecimento. Felisberto aproveitou para alertar que existem muitas pessoas abandonando animais no município, sobretudo cachorros, e que a “multa é pesada” para esse tipo de ação. No caso do cavalo, cujo dono teria falecido, ele argumenta: “Se o dono morreu, alguém soltou.”



