‘Usou o único meio que tinha para se defender’, diz defesa de bombeiro que atirou em cachorro em Goiânia

Redação
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‘Usou o único meio que tinha para se defender’, diz defesa de bombeiro que atirou em cachorro em Goiânia

A defesa do bombeiro militar que matou um cachorro com um tiro no estacionamento do Estádio Serra Dourada, em Goiânia, afirma que o agente agiu para se proteger durante um ataque e não teve intenção de matar o animal. Segundo o advogado Eduardo Moura, o homem foi cercado por uma matilha enquanto praticava atividade física e só recorreu à arma após tentar se desvencilhar sem sucesso.

“Ele efetivamente estava ali num estado de necessidade. É bom que fique claro que isso, é estado de necessidade, não é legítima defesa. Ele usou do único meio que ele tinha para se defender. Infelizmente, esse meio foi um meio fatal”, declarou o advogado.

De acordo com a versão apresentada, o bombeiro estava em horário de serviço e realizava exercício físico quando foi surpreendido por cerca de quatro a cinco cães. Ainda segundo a defesa, ele tentou afastar os animais inicialmente com tapas e gritos, mas um dos cães, identificado posteriormente como Brutos, continuou o ataque e passou a morder suas pernas.

“Quando estavam os vários cães em cima dele, ele desferiu alguns tapas, tentando afastar, gritou com os cães e nada. Então imagina se não tivesse cessado essa situação e ele chegasse a ser realmente lesionado com gravidade”, indagou o advogado.

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Não tinha intenção de matar

A defesa também destacou que o disparo não teve a intenção de matar o animal, mas de interromper o ataque. “O tiro dele não tinha a intenção de matar, ele tinha a intenção de afastar o perigo ali, mas infelizmente acabou sendo fatal”, disse.

cachorro x bombeiro ‘Usou o único meio que tinha para se defender’, diz defesa de bombeiro que atirou em cachorro em Goiânia

Após o ocorrido, o bombeiro procurou ajuda e avisou um segurança do local antes de seguir para o batalhão. Segundo a defesa, foi nesse momento que colegas perceberam que ele estava ferido. “Quando chegou ao batalhão, os colegas falaram: ‘Cara, sua perna está toda sangrando’, ele não tinha nem reparado”, relatou.

O militar foi levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Novo Mundo, onde recebeu atendimento médico. As lesões foram registradas por exame de corpo de delito, segundo a defesa.

O Mais Goiás questionou a defesa e o próprio bombeiro sobre a existência de imagens das lesões causadas no ataque. O advogado informou que ainda não teve acesso a esses registros, já que assumiu o caso recentemente e, até o momento, apenas conversou com o militar e o acompanhou durante o depoimento prestado na delegacia na quarta-feira (8). Já o bombeiro não respondeu sobre a existência das imagens até o fechamento desta reportagem.

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Sem testemunhas diretas, já que o bombeiro estava sozinho no momento, a defesa aguarda imagens de câmeras de segurança para reforçar a versão apresentada. “Nós estamos aguardando essas imagens, porque elas vão corroborar com o depoimento dele e mostrar que tinha essa matilha, que tinham vários cães correndo atrás dele”, afirmou.

Ameaças

O advogado ainda ressaltou que o cliente está abalado devido à repercussão. “Não existe razão nenhuma para simplesmente ele desferir um tiro em um cachorro se esse cachorro não estivesse em ataque. Hoje ele está absolutamente arrasado, a vida dele está arrasada por conta das ameaças”, disse.

Repercussão e versão de moradores

O caso gerou forte repercussão nas redes sociais e entre moradores da região. O cachorro, conhecido como Brutos e também apelidado de “Negão”, vivia nas proximidades do estádio e era cuidado por frequentadores.

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Moradores ouvidos pela reportagem afirmam que o animal fazia parte de um grupo de cães alimentados pela população local e contestam a versão de agressividade. “São cães dóceis. Ele era um cachorrinho brincalhão. Meu filho anda de bicicleta lá e nunca foi atacado”, relatou uma moradora que preferiu não se identificar.

'Dócil e brincalhão': cachorro morto por bombeiro era alimentado por moradores em Goiânia (Foto: Reprodução)
‘Dócil e brincalhão’: cachorro morto por bombeiro era alimentado por moradores em Goiânia (Foto: Reprodução)

Outros cobram transparência sobre os ferimentos relatados pelo militar: “Cadê o laudo e os ferimentos do bombeiro? Simples de resolver este caso!”

Manifestação

Em resposta às críticas à morte de Brutus, o Corpo de Bombeiros publicou uma nota afirmando que o militar se apresentou voluntariamente na delegacia logo após o ocorrido, prestou esclarecimentos e foi submetido a exame de corpo de delito. A corporação informou ainda que o cachorro foi encaminhado para perícia veterinária pela Polícia Técnico-Científica e foi instaurado procedimento administrativo interno para apurar a conduta do agente. Segundo a nota, a situação está sendo apurada de forma isenta.

Diante da comoção, protetores de animais organizam uma manifestação para pedir justiça pelo caso. O ato está marcado para o próximo domingo (12), no Parque Flamboyant, e deve reunir moradores e ativistas da causa animal.

O caso segue sob investigação do Grupo de Proteção Animal (GPA) da Delegacia Estadual de Meio Ambiente (Dema).

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