Saul Klein – Foto: Foto: Reprodução/Prefeitura de Araraquara
Saul Klein, filho caçula do fundador das Casas Bahia, Samuel Klein, acionou a Justiça de São Paulo em julho de 2025 para solicitar a antecipação de sua parte na herança paterna, alegando despesas médicas elevadas após uma internação em UTI. O empresário, de 71 anos, foi internado no Hospital Vila Nova Star, um dos mais caros da capital paulista, devido a uma infecção generalizada causada por uma úlcera gástrica hemorrágica. A disputa pela fortuna bilionária de Samuel, falecido em 2014, opõe Saul aos irmãos Michael e Eva há mais de uma década, sem previsão de resolução, e tramita na 4ª Vara Cível de São Caetano do Sul. A defesa de Saul argumenta que ele precisa de recursos para custear cirurgias, medicamentos e cuidadores, enquanto a defesa de Michael Klein contesta a urgência, afirmando que Saul já recebeu alta e possui convênio médico.
A ação de Saul ocorre em um contexto de saúde fragilizada. Ele passou por uma cirurgia emergencial em 11 de julho de 2025, após ser encontrado em estado grave em sua residência. O quadro incluiu anemia intensa, exigindo transfusão sanguínea. A defesa do herdeiro destaca a necessidade de “amparo material” para garantir sua recuperação, enquanto o juiz José Francisco Matos determinou prazo de 15 dias para manifestação das partes.
- Internação no Vila Nova Star, hospital de alto custo em São Paulo.
- Cirurgia emergencial devido a úlcera gástrica hemorrágica.
- Disputa judicial pela herança de Samuel Klein, iniciada em 2015.
- Condenação de Saul em 2023 por tráfico de pessoas e exploração sexual.
Histórico da disputa familiar
A briga pela herança de Samuel Klein, avaliada em bilhões de reais, começou logo após sua morte em 2014. O patriarca deixou três herdeiros diretos: Michael, Eva e Saul. O processo, que tramita há mais de dez anos, é marcado por acusações mútuas e contestações sobre a divisão do patrimônio. Saul, ex-executivo da Casas Bahia, questiona doações feitas por Samuel nos últimos dois anos de vida, que teriam reduzido o espólio de R$ 8 bilhões para cerca de R$ 500 milhões. A defesa de Saul alega que assinaturas em documentos, incluindo o testamento de 2013, podem ter sido falsificadas, beneficiando principalmente Michael e sua filha, Natalie Klein.
Michael, por sua vez, nega irregularidades e afirma que as assinaturas são legítimas, com laudos técnicos contratados por sua defesa atestando a veracidade. Ele também alega que possuía procuração para representar o pai, o que tornaria desnecessária qualquer falsificação. A disputa ganhou complexidade com a entrada de um suposto quarto herdeiro, Moacyr Ramos de Paiva Agustinho Junior, que buscava reconhecimento de paternidade, mas faleceu em 2021 sem resolução.
- Testamento de Samuel Klein dividiu R$ 499 milhões entre os herdeiros.
- Saul contesta doações que favoreceram Michael e sua filha.
- Laudos grafotécnicos divergentes sobre assinaturas em documentos.
- Inquérito policial apura possível estelionato na divisão da herança.
Condenação por crimes graves
Em 14 de julho de 2023, Saul Klein foi condenado pela Justiça do Trabalho a pagar R$ 30 milhões por tráfico de pessoas e exploração sexual. A ação civil pública, movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), revelou que Saul aliciava jovens entre 16 e 21 anos, em situação de vulnerabilidade, com promessas falsas de trabalho como modelos. As vítimas eram levadas a um sítio em Boituva, interior de São Paulo, onde eram submetidas a violência psicológica, vigilância armada e práticas sexuais forçadas. O esquema causou danos psicológicos graves e transmissão de doenças sexualmente transmissíveis às vítimas.
A sentença destacou que Saul usava seu poder econômico para perpetrar os crimes, sendo considerada a maior condenação do país por tráfico de pessoas e a segunda maior por dano moral coletivo em casos de trabalho escravo. A decisão reforçou a gravidade das violações à dignidade humana, com o MPT alertando para o risco de reincidência devido à influência do réu.
- Condenação envolveu 14 denúncias de mulheres exploradas.
- Esquema operava em um sítio em Boituva, com vigilância armada.
- Vítimas sofreram traumas psicológicos e doenças sexualmente transmissíveis.
- Sentença de R$ 30 milhões foi a maior por tráfico de pessoas no Brasil.
Saúde de Saul e controvérsias
A internação de Saul Klein no Hospital Vila Nova Star gerou controvérsias. Embora sua defesa tenha noticiado, em 16 de julho de 2025, que ele permanecia na UTI sem previsão de alta, a equipe de Michael Klein afirmou que Saul recebeu alta dias depois. Um relatório médico anexado à ação judicial, assinado por Roberto Sebastian Zeballos, descreveu a necessidade de transfusão sanguínea e cirurgia de emergência, recomendando três meses de proteção contra estresse. A defesa de Saul insiste que a antecipação da herança é essencial para cobrir custos médicos, mas Michael contesta, apontando que Saul é beneficiário de um plano da Bradesco Seguro, com despesas custeadas por Enzo Gorentzvaig, advogado e empresário ligado a Saul.
A controvérsia sobre a saúde de Saul também reacendeu debates sobre sua situação financeira. Ele já havia recebido, em 2020, um adiantamento de R$ 30 milhões da herança, único entre os herdeiros a obter tal liberação. Um novo pedido de antecipação, feito em 2021, foi negado pela 4ª Vara Cível de São Caetano do Sul e ratificado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, que considerou o processo de inventário “não um caixa eletrônico” para saques indiscriminados.
- Saul recebeu R$ 30 milhões de adiantamento em 2020.
- Novo pedido de antecipação foi negado em 2021.
- Convênio médico de Saul é custeado por Enzo Gorentzvaig.
- Relatório médico recomenda três meses sem estresse.
Repercussões judiciais e financeiras
O pedido de antecipação de herança de Saul Klein reacendeu a atenção sobre o inventário de Samuel Klein, que permanece sem desfecho. A 4ª Vara Cível de São Caetano do Sul analisa a liminar, enquanto a disputa familiar se estende a ações nos Estados Unidos, onde Saul busca informações sobre ativos não declarados no espólio. A defesa de Michael Klein argumenta que Saul leva uma “vida ostentada” e que o novo pedido visa apenas sustentar seus gastos, enquanto a equipe de Saul reforça a necessidade de recursos para sua sobrevivência.
Além disso, Saul enfrenta outras pressões financeiras. Em setembro de 2024, seu ex-advogado, Marcos Chiaparini, acionou a Justiça cobrando R$ 3,4 milhões por serviços prestados na disputa do inventário. Chiaparini alega que Saul transferiu recursos a terceiros para evitar o pagamento de dívidas, incluindo as indenizações trabalhistas de 2023. A penhora de direitos hereditários foi autorizada, mas a liquidez desses bens é questionada devido à disputa em curso.
- Ação nos EUA busca dados sobre bens não declarados.
- Ex-advogado cobra R$ 3,4 milhões de Saul por serviços.
- Saul teria transferido R$ 35 milhões a 29 empresas e pessoas.
- Penhora de direitos hereditários foi autorizada em 2024.
Futuro da disputa e implicações
A batalha pela herança de Samuel Klein não mostra sinais de resolução iminente. A contestação de Saul sobre doações e possíveis falsificações mantém o processo em aberto, com inquéritos policiais e laudos técnicos em andamento. A entrada de Moacyr Junior, que buscava reconhecimento de paternidade, adicionou outra camada de complexidade, embora sua morte em 2021 tenha suspendido essa questão. A Justiça brasileira, incluindo o Superior Tribunal de Justiça, já sinalizou que a recusa de herdeiros em realizar testes de DNA pode presumir paternidade, mas o caso permanece sem definição.
Enquanto isso, a condenação de Saul por crimes graves continua a gerar impacto em sua reputação e finanças. O Ministério Público do Trabalho destacou a importância da sentença de 2023 como um marco no combate ao tráfico de pessoas, incentivando novas denúncias. A disputa familiar, combinada com as acusações criminais, coloca Saul Klein no centro de uma complexa rede de litígios que envolve não apenas a herança, mas também sua responsabilidade jurídica e financeira.
- Inquérito policial investiga falsificação de assinaturas.
- Caso de Moacyr Junior segue sem resolução na Justiça.
- Condenação de Saul é marco contra tráfico de pessoas.
- Disputa familiar pode se arrastar por mais anos.
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