O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou, na manhã desta quinta-feira (9/4), três projetos de lei que envolvem o combate à violência contra a mulher. Os textos foram assinados em uma cerimônia no Palácio do Planalto com a presença de ministros e parlamentares.
Entre as propostas sancionadas está o projeto que determina o uso da tornozeleira eletrônica por agressores, como medida de prevenção. Outro texto torna crime hediondo o assassinato de filhos e parentes com o intuito de atingir a mulher, o chamado vicaricídio. O termo ganhou repercussão após o caso de Itumbiara (GO), no qual os irmãos Benício e Miguel foram mortos pelo próprio pai, então secretário de Governo do município, Thales Machado.
Lula sancionou também o PL que cria o Dia Nacional de Proteção e Combate à Violência contra as Mulheres Indígenas.
Durante discurso, o presidente defendeu uma mudança na educação para evitar que crimes do gênero persistam. “Nós não estamos cuidando da causa, porque junto com cada projeto de lei desse, que a gente aprova e sanciona, era preciso ter concomitantemente um projeto de lei educando os violentos”, afirmou o petista.
“Se a gente não levar para o campo da educação essa questão da violência contra a mulher, qualquer espécie de violência, a gente não resolve esse problema no curto prazo de tempo.”

![]()

1 de 8
Primeira-dama Janja
BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

2 de 8
Presidente Lula sanciona o PL sobre monitoração eletrônica de agressores em casos de violência doméstica; PL sobre o crime de vicaricídio e o PL que institui o Dia Nacional de Proteção e Combate à Violência contra as Mulheres Indígenas
BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

3 de 8
Presidente Lula sanciona o PL sobre monitoração eletrônica de agressores em casos de violência doméstica; PL sobre o crime de vicaricídio e o PL que institui o Dia Nacional de Proteção e Combate à Violência contra as Mulheres Indígenas
BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

4 de 8
Presidente Lula e primeira-dama Janja
BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

5 de 8
Presidente Lula e primeira-dama Janja
BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

6 de 8
Presidente Lula sanciona o PL sobre monitoração eletrônica de agressores em casos de violência doméstica; PL sobre o crime de vicaricídio e o PL que institui o Dia Nacional de Proteção e Combate à Violência contra as Mulheres Indígenas
BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

7 de 8
Presidente Lula
BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

8 de 8
Presidente Lula e primeira-dama Janja
BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto
Veja o que dizem as propostas:
PL 2942/2024
A proposta determina que agressores deverão usar tornozeleira eletrônica de forma imediata, nos casos em que houver risco iminente à vida ou à integridade física e psicológica de mulheres e crianças vítimas de violência doméstica.
O projeto é de autoria dos deputados Marcos Tavares (PDT-RJ) e Fernanda Melchionna (PSol-RS). O texto permite também que delegados de polícia poderão determinar o uso do equipamento em cidades que não têm juiz.
Prevê, ainda o aumento 5% para 6% da cota de recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) que devem ser destinados à compra dos dispositivos de monitoramento eletrônico.
Leia também
PL 3880/2024
O projeto de lei tipifica o crime de vicaricídio, quando ocorre o assassinato de filhos ou parentes como forma de punição às mulheres. De acordo com a proposta, o crime será considerado hediondo e as penas variam entre 20 a 40 de reclusão, além de multa.
O texto ganhou força no Congresso após o assassinato dos irmãos Benício e Miguel, que foram mortos pelo próprio pai, então secretário de Governo de Itumbiara, Thales Machado, que depois tirou a própria vida.
Através das redes sociais, o secretário relacionou o crime a problemas no casamento e suspeitas de traição por parte da esposa.
PL 1020/2023
A terceira proposta sancionada institui o Dia Nacional de Proteção e Combate à Violência contra as Mulheres Indígenas. A data será celebrada em 5 de setembro, a mesma em que se comemora o Dia Internacional da Mulher Indígena.
A matéria é assinada na semana do Acampamento Terra Livre (ATL), ato que reúne lideranças de todo o país em Brasília para chamar atenção à pauta indígena.
Reações
Em uma publicação nas redes sociais, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), comemorou a sanção das propostas.
“Sei que ainda há muito para avançar e vamos seguir trabalhando para isso. As brasileiras têm direito a viver sem medo, com liberdade e toda autonomia”, afirmou.
A primeira-dama Janja Lula da Silva, que acompanhou o ato, destacou que o estabelecimento do monitoramento eletrônico de agressores é importante, mas precisa ser acompanhado de outras medidas que garantam a segurança das mulheres.
“Só que essa tornozeleira, ela precisa ter um aparato muito grande em torno dela. A medida protetiva e a tornozeleira não garante a vida da mulher. Ela precisa vir com outras ações que a gente tem trabalhado […] para que os órgãos de segurança realmente atuem e evitem que mulheres que têm medida protetiva sejam mortas. A gente precisa evitar, a gente precisa que as mulheres continuem vivas”, ressaltou.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva, afirmou que a sanção dos projetos representam uma “mudança concreta na forma como o Estado responde à violência contra a mulher”.
“Não basta conceder a medida, é preciso garantir sua efetividade. E esta lei de hoje tenta exatamente viabilizar hoje”, disse.


