Levantamento realizado pelo jornal O Globo informou que, para completar o álbum de figurinhas da Panini para Copa do Mundo 2026, os colecionadores poderão ter que pagar até R$ 6,2 mil (confira aqui). O valor praticamente equivale ao de uma passagem de Goiânia para Nova York na época do torneio.
O Mais Goiás consultou o preço do traslado do aeroporto Santa Genoveva, em Goiânia, para Nova York com embarque previsto para 9 de junho, quase véspera da estreia da seleção brasileira contra o Marrocos (dia 13), e retorno no dia 16 de junho. Embora esse valor sofra alterações o tempo todo, no momento da pesquisa havia companhia aérea cobrando R$ 3,9 mil pelos tíquetes.
Esse preço mais barato foi encontrado no trajeto operado parcialmente pela Gol e pela American Airlines, com escalas nos aeroportos de Guarulhos, em São Paulo, e de Miami, no sul dos Estados Unidos.
Já a Latam cobra R$ 7 mil por um voo com escala única no aeroporto de Guarulhos.

Quanto custa o ingresso para os jogos do Brasil
O Mais Goiás também consultou no site da Fifa o preço dos ingressos para os jogos do Brasil na primeira fase da Copa do Mundo.
Para o jogo contra o Marrocos, o primeiro do escrete canarinho no campeonato, no dia 13 de junho, o tíquete mais barato custa 1,4 mil dólares e o mais caro, 8,8 mil na moeda americana. Esta partida acontecerá em New Jersey.
Assistir ao segundo jogo do Brasil, contra o Haiti, custa mais barato: 968 dólares na área menos valorizada do estádio Lincoln Financial Field, na Philadelfia (arquibancada superior). O ingresso mais caro também fica 8,8 mil dólares.
Para a partida entre Brasil e Escócia, a terceira e última da fase de grupos, a se realizar em Miami, o bilhete mais barato está saindo por 1,7 mil dólares e o mais caro, por 8,8 mil.
Clique aqui para conferir no site da Fifa.
Sobre o álbum de figurinhas
Impulsionado pelo novo formato do torneio, com 48 seleções confirmadas após as repescagens, o álbum terá 980 cromos, 112 páginas e pacotinhos a R$ 7 — o maior da história.
A jornalista e influenciadora Giovanna Attili Moura (@sccp.attili), de 23 anos, que faz coleção desde a Copa de 2006, na Alemanha, é uma das que vão à luta. Sua estratégia inicial foi não comprar o álbum na pré-venda e sim esperar chegar às bancas. A previsão é 1º de maio.
— Me planejei um pouco, tenho algum dinheiro guardado, mas os preços me pegaram de surpresa. Talvez seja mais demorado completar do que imaginava — conta Giovanna. — A não ser que a Panini veja meu potencial como influenciadora e resolva me ajudar (risos).
Para ela, o álbum mais marcante é o de 2010, da Copa da África do Sul, quando a mãe o comprou de surpresa, e uma tia lhe presenteou com 100 pacotinhos. Uma época com outra realidade, na qual o pacote saía a 75 centavos. O preço não parou de subir desde então: R$ 1 em 2014 (Brasil); R$ 2, em 2018 (Rússia); e R$ 4, em 2022 (Catar).
Assim, a principal estratégia segue sendo a ajuda mútua entre colecionadores nos tradicionais pontos de troca.
— Em Franca, todo ano de Copa, os colecionadores se reúnem nas pracinhas para trocar figurinhas. As mais conhecidas ficam lotadas e a gente passa a tarde inteira do final de semana trocando. As pessoas se reúnem também durante a semana, à noite. Então, dá para ir todo dia se quiser — diz Giovanna. — É uma boa estratégia. Gasta o suficiente para ter as figurinhas sem ficar comprando muitos pacotinhos à toa.

De toda forma, ela reconhece que essa paixão está mais restrita nos tempos atuais. Na última Copa, em 2022, por exemplo, eram necessárias cerca de 670 figurinhas para completar o álbum, com cada envelope custando R$ 4, com cinco figurinhas (R$ 0,80 cada).
O valor mínimo para completar o álbum era de R$ 536. Para fechar o álbum de 2026, o valor mínimo é de R$ 980, aumento de 82,84%.
Mas, segundo o matemático Gilcione Nonato, da Universidade Federal de Minas Gerais, a probabilidade de uma pessoa preencher o álbum sem comprar nenhuma figurinha repetida é a mesma de ganhar na Mega-Sena, com uma aposta simples, 55 vezes consecutivas.
Ele afirma que será preciso investir em média R$ 6.200 para completar este álbum, sem efetuar trocas de figurinhas. É o equivalente a aproximadamente 885 pacotinhos. Ele explica: serão gastos, em média, R$ 980 (140 pacotes) para efetivamente preencher o álbum, e outros R$ 5.220 com as figurinhas repetidas.
Gilcione considerou que todas as figurinhas possuem as mesmas chances de serem sorteadas, uma vez que a Panini informou ao GLOBO que todas as figurinhas, incluindo as especiais, têm a mesma tiragem.
— Mas, se houver um grupo de dez pessoas trocando figurinhas, por exemplo, o custo com as repetidas tende a ser dividido pelas pessoas do grupo. Dessa forma, cada uma gastaria 980 reais para preencher o álbum e cerca de R$ 520 com as figurinhas repetidas, totalizando 1.500 reais — explica o matemático, que lembra que quanto maior o grupo, menor o custo com as figurinhas repetidas.
O matemático calculou ainda que para preencher somente uma seleção específica, com 20 jogadores, a pessoa gastaria em média R$ 3.525, equivalente a pouco mais de 500 pacotes. Ou seja, para preencher somente uma seleção, a pessoa compraria 3.500 repetidas, em média.
— Além de diminuir os custos, montar álbum de figurinha é um incentivo à interação entre as pessoas. Trocar figurinha é muito bom, é uma socialização, uma brincadeira. É melhor do que ficar preso às redes sociais — opina Gilcione, ao lado dos filhos, Gael e Bianca, terá também um álbum. — E queremos gastar o mínimo possível, ou seja, menos de R$ 1 mil. E olhe lá (risos).
Para incentivar a troca de figurinhas, a Panini promete dar uma mãozinha. A editora informou que fará promoções, ativações e eventos espalhados por todo o Brasil. A programação será divulgada nas redes sociais da Panini.

Neste momento, já estão confirmados dois eventos. Aproveitando o boom das corridas, a editora vai realizar duas corridas de rua: uma em Belo Horizonte e outra em São Paulo, ambas em maio e com o mote de troca dos cromos.
A ideia é juntar os colecionadores no pós-prova para essa troca. Em ambas corridas haverá área específica para juntar essa turma. Além disso, quem comprar o kit premium, ganha um álbum e um pacote de figurinha. As inscrições estão abertas no Tickets Sports.
Mas, neste primeiro momento, não faltaram críticas à Panini. Do preço dos pacotinhos à confusa compra na pré-venda.
O dia “d”, na última quarta-feira, a pré-venda do álbum foi marcada por quedas no site da empresa e dificuldade para completar as compras.
Raul Vallecillo, CEO da Panini, não quis comentar sobre a alta procura pelo álbum na pré-venda nem a instabilidade do site da editora. Sobre os preços, afirmou que o valor do pacote acompanha a quantidade de figurinhas:
— O valor por pacotinho, com os 7 cromos por envelope, segue o padrão que temos seguido nos últimos anos de R$ 1 por figurinha. Então mantemos o que já praticamos nos últimos álbuns lançados — explicou o CEO — Nossa missão é sempre apresentar um álbum que consiga acompanhar os torcedores nesse campeonato único. No Brasil temos a tradição muito forte do álbum que se aliou à nossa paixão pelo futebol e, essa bagagem já vem há gerações. Então esse álbum se tornou parte inseparável da experiência do Mundial.


