Kuwait acusa o Irã de atacar usina de dessalinização e refinaria de petróleo; Teerã nega e culpa Israel – O Globo

Redação
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Kuwait acusa o Irã de atacar usina de dessalinização e refinaria de petróleo; Teerã nega e culpa Israel – O Globo

Reino Unido condenou o ataque ‘irresponsável’ à refinaria e anunciou envio de sistemas de defesa aérea


Fumaça sobe do aeroporto internacional do Kuwait após um suposto ataque iraniano com drone
Fumaça sobe do aeroporto internacional do Kuwait após um suposto ataque iraniano com drone — Foto: AFP

RESUMO

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GERADO EM: 03/04/2026 – 06:27

Irã ataca Israel com mísseis em retaliação a ameaças de Trump

O Irã lançou mísseis contra Israel, atingindo Tel Aviv, em resposta às ameaças de Donald Trump de atacar infraestruturas iranianas. A ofensiva ocorre em um cenário de guerra prolongada envolvendo Israel e EUA contra o Irã, resultando em milhares de mortos e deslocamentos massivos no Líbano. A tensão afeta a economia global, com impactos no estreito de Ormuz e alta nos preços do petróleo.

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O Kuwait acusou o Irã de atacar uma usina de energia e dessalinização, além de uma importante refinaria de petróleo, nesta sexta-feira, no 35º dia da guerra ainda sem fim à vista. Segundo a companhia estatal de petróleo do país, o ataque provocou incêndios em diversas áreas da Mina al-Ahmadi, que já foi alvo durante o conflito. Não há, até o momento, informações sobre feridos, e Teerã nega a responsabilidade pelo ataque à usina, atribuindo a culpa a Israel. A escalada acontece um dia depois de os Estados Unidos bombardearem uma ponte no Irã e das novas ameaças do presidente americano, Donald Trump, que falou em atacar instalações elétricas iranianas.

O porta-voz do Exército iraniano, Ebrahim Zolfaghari, afirmou que, se os EUA continuarem a ameaçar atacar usinas de energia iranianas, Teerã começará a visar a infraestrutura energética regional e empresas de telecomunicações com acionistas americanos.

— Se tocarem na infraestrutura, destruiremos todos os seus bens na região — disse Zolfaghari em um vídeo publicado pela emissora estatal nesta sexta-feira.

Zolfaghari acrescentou que, se as ameaças de Trump forem concretizadas, as Forças Armadas do Irã atacarão instalações de combustível, energia e econômicas ligadas aos EUA e a Israel em toda a região, bem como ativos em países aliados.

— Os países que abrigam bases militares americanas na região devem forçar os americanos a deixarem seus países se quiserem evitar danos — disse ele, afirmando que o alerta foi uma resposta direta a Trump e às suas “repetidas ameaças”.

O Ministério da Eletricidade, Água e Energias Renováveis ​​do Kuwait culpou o Irã e afirmou que o ataque danificou diversas unidades da usina de energia e dessalinização. Já a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), por sua vez, negou a responsabilidade pelo ataque, atribuindo a culpa a Israel. Em comunicado, a IRGC condenou “este ato desumano” e declarou “que as bases e o pessoal militar americanos na região, bem como os centros militares e de segurança do regime sionista nos territórios palestinos ocupados, são nossos alvos prioritários”.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, classificou o ataque que incendiou a refinaria de Mina al-Ahmadi como “irresponsável”, durante uma conversa telefônica com o príncipe herdeiro do Kuwait, Meshal al-Ahmad al-Sabah. Após a conversa, Downing Street anunciou que vai implantar seu sistema de defesa aérea Rapid Sentry no Kuwait para ajudar a proteger os interesses britânicos e kuwaitianos no Golfo, evitando, ao mesmo tempo, a escalada para um conflito mais amplo.

— O primeiro-ministro reiterou que o Reino Unido está ao lado do Kuwait e de todos os nossos aliados no Golfo — afirmou o porta-voz do governo britânico.

Quando EUA e Israel começaram a bombardear o Irã em 28 de fevereiro, as forças iranianas retaliaram rapidamente, atacando infraestruturas energéticas em países do Golfo Pérsico aliados de Washington — como a cidade industrial de Ras Laffan, no Catar, a maior instalação de gás natural liquefeito do mundo. A campanha de ataques aéreos americano-israelenses também teve como alvo instalações energéticas no Irã, incluindo depósitos de combustível e campos de gás.

O Kuwait, o Irã e grande parte dos países do Golfo Pérsico dependem fortemente da dessalinização — no caso kuwaitiano, responsável por cerca de 90% da água potável. Para esses países, os bombardeios representam uma ameaça direta à própria subsistência. Pelo direito internacional, ataques deliberados contra infraestruturas essenciais como essas podem configurar crime de guerra.

Interceptação de caça americano

Também nesta sexta, segundo a Reuters, o Irã informou que interceptou um caça F-35 americano sobre seu território. A imprensa iraniana afirmou que o piloto teria se ejetado sobre o sudoeste do país e que o Exército procura pelo homem. A informação, divulgada sem detalhes adicionais, não foi confirmada por autoridades dos Estados Unidos.

Durante a transmissão de uma TV estatal, o apresentador leu um anúncio sobre a interceptação do caça americano incentivando a população a capturar eventuais pilotos inimigos, prometendo recompensa. Em outra mensagem exibida na tela, o público era instado a reagir com violência caso identificasse aeronaves, em referência a imagens que circulam nas redes sociais.

A agência de notícias semioficial iraniana Tasnim não reiterou as afirmações de que a aeronave poderia ser um F-35, mas disse que as imagens mostram marcas que a ligam ao Comando Europeu dos EUA.

“O caça pertence ao 48º Esquadrão do Comando Europeu dos EUA, sediado na Base Aérea de Lakenheath, na Inglaterra. O esquadrão foi destacado para a área de missão do Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) para operações contra o Irã”, afirmou a agência.

Ataque à ponte

Na quinta-feira, o presidente americano, que alterna ameaças e apelos ao diálogo para que Teerã aceite um acordo de cessar-fogo, alertou o Irã de que, se o Estreito de Ormuz, rota marítima vital para o escoamento de 20% do petróleo mundial, não for reaberto, as Forças Armadas dos EUA destruirão as usinas de energia do país.

“Nossas Forças Armadas, as maiores e mais poderosas do mundo, ainda nem começaram a destruir o que restou no Irã”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social. “Pontes em seguida, depois usinas elétricas”, acrescentou.

Horas depois, um ataque aéreo americano causou o colapso de uma importante ponte que liga Teerã e uma cidade próxima, matando pelo menos oito pessoas, segundo veículos de imprensa iranianos. Trump comemorou os danos e publicou um vídeo do ataque, com a advertência de que mais infraestrutura seria destruída se o Irã não “fizesse um acordo”.

 — Foto: Arash Khamooshi / The New York Times
— Foto: Arash Khamooshi / The New York Times

Após o ataque, o chanceler iraniano, Abbas Araqchi, afirmou que “atacar infraestruturas civis, incluindo pontes inacabadas, não fará os iranianos se renderem”.

Retaliação contra Israel e alvos no Golfo

A Guarda Revolucionária afirmou ter lançado mísseis de “longo alcance” contra Tel Aviv e contra Eilat, no sul do país, nesta sexta-feira. As autoridades israelenses afirmam que um ataque com mísseis teve como alvo a cidade de Haifa e áreas adjacentes no norte de Israel. Haifa é uma cidade estrategicamente importante em Israel, que briga a refinaria de petróleo mais importante do país, responsável por 70% da capacidade de refino.

Monarquias do Golfo também seguem sob ataque do Irã, que acusa esses países de apoiar os Estados Unidos.

O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos afirmou que suas defesas estavam respondendo a drones e mísseis lançados do Irã nesta sexta. Autoridades de Abu Dhabi, capital dos Emirados, informaram que destroços de uma interceptação provocaram um incêndio nas instalações de gás de Habshan e deixaram 12 feridos.

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Guga Chacra

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