A Polícia Federal e o Banco Central investigam se o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, também está por trás da quebra de uma fintech que travou o dinheiro de milhares de lojistas. Ele atuaria como uma espécie de dono oculto.
Na semana passada, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Entrepay Instituição de Pagamento S.A. Por extensão, a Acqio Adquirência Instituição de Pagamento S.A. e a Octa Sociedade de Crédito Direto S.A., instituições integrantes do conglomerado, também foram liquidadas, como publicado no Diário Oficial da União (DOU) desta segunda-feira (30/3).
No site do Reclame Aqui, praticamente todas as reclamações dos lojistas sobre a Entrepay são a respeito de falta de repasse de pagamento.
“Utilizei as maquininhas do Banco do Nordeste, em parceria com a Entrepay. Há mais de 20 dias que estão com os valores retidos e não repassam, só dizem que estão tentando solucionar, mas sem previsão”, diz um usuário.
Um lojista relatou que o banco deixou de repassar R$ 44 mil e que espera pelo pagamento desde fevereiro.
“A Entrepay deixou de repassar R$ 44 mil. Desde 23 de fevereiro, não recebo um centavo, comprometendo o fluxo de caixa da empresa, você tem o dinheiro e não recebe é revoltante, já fui duas vezes ao BNB (Banco do Nordeste), e não tem nenhuma previsão”, escreveu.
Outro empreendedor apontou o mesmo problema com a companhia.
“Desde o ano passado, a empresa vem deixando de realizar os pagamentos dos recebíveis, incluindo transações de crédito (parceladas) e débito, acumulando um valor superior a R$ 40 mil sem qualquer regularização até o momento”, disse no Reclame Aqui.
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Envolvimento do Master
O CEO da Entrepay, Antônio Freixo, conhecido como Mineiro, foi alvo da Operação Compliance Zero e teve o nome citado nas investigações do caso Master. A investigação apura fraudes, lavagem de dinheiro e irregularidades em fundos de investimento.
Ele e Daniel Vorcaro também respondem a um processo na Comissão de Valores Mobiliários, que apura irregularidades na emissão e distribuição de cotas de fundos de investimentos.

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Daniel Vorcaro declarou à Receita Federal possuir R$ 49,7 milhões em obras de arte
Arte sobre foto de divulgação

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Dono do Banco Master, Vorcaro é transferido para Superintendência da PF em Brasília
VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

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Daniel Vorcaro
Reprodução/ redes sociais

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Daniel Vorcaro, dono do Banco Master

Em dezembro do ano passado, a companhia tinha, aproximadamente, 0,009% do ativo total do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
Segundo o BC, a liquidação extrajudicial ocorreu por causa do comprometimento da situação econômico-financeira da Entrepay, por infringência às normas bancárias e “prejuízos que sujeitam a risco anormal seus credores”.
Por meio de nota, o Grupo Entre, dono da Entrepay, afirma que vinha conduzindo “de forma estruturada” um processo de descontinuação das operações dessas sociedades.
“O Grupo Entre reafirma seu compromisso com a colaboração integral com as autoridades competentes, prestando todos os esclarecimentos necessários e acompanhando os desdobramentos do processo de liquidação dentro dos canais institucionais apropriados, de forma também a mitigar impactos a clientes, parceiros e demais públicos relacionados”, diz o comunicado.
O Metrópoles questionou sobre a suposta ligação da Entrepay com Vorcaro, mas não obteve retorno. A defesa de Vorcaro também foi procurada, mas não respondeu à tentativa de contato. O espaço permanece aberto.
Fim de contrato
Em 13 março, o Banco do Nordeste (BNB) rescindiu, de forma unilateral, o contrato com a EntrePay devido a atrasos nos repasses a lojistas e descumprimento contratual.
A parceria oferecia maquininhas de cartão (crédito, débito e Pix) a clientes do Crediamigo, no entanto, as pessoas não estavam recebendo os pagamentos.
“Como medida cautelar, o banco determinou, ainda, a suspensão imediata dos serviços prestados pela EntrePay, com a vedação à realização de novas autorizações, transações ou operações com cartões vinculados à parceria, sem prejuízo das providências necessárias à preservação dos direitos dos usuários finais, à mitigação de riscos operacionais e financeiros e à observância da legislação e da regulamentação aplicáveis”, disse o BNB à época.

