IA na advocacia: 76% dos profissionais em Goiás e mais 6 estados usam a tecnologia com frequência

Redação
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IA na advocacia: 76% dos profissionais em Goiás e mais 6 estados usam a tecnologia com frequência

Estudo indica um crescimento significativo na adoção da tecnologia para resolução de problemas do dia a dia

Imagem mostra homem usando dispositivo eletrônico

Entre as justificativas, 84% apontam a economia de tempo (Foto: Freepik)

Felipe Cardoso

Um levantamento aponta que 76% dos advogados de Goiás e outros seis estados da federação fazem uso frequente inteligência artificial (IA) em seus cotidianos profissionais. Adoção da IA na advocacia cresceu 21 pontos percentuais entre 2025 e 2026. O estudo, realizado pela Jusbrasil, Trybe e ITS Rio, teve parceria de seccionais da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Goiás, São Paulo, Paraná, Bahia, Pernambuco e Espírito Santo. O nível de confiança da pesquisa é de 95%, com margem de erro de dois pontos percentuais.

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IA na advocacia

A redação de peças processuais aparece como a principal atividade desenvolvida com o auxílio de IA generativa, citada por 76% dos entrevistados. Em seguida, estão pesquisa jurídica (59%), elaboração de pareceres e memorandos (58%) e análise e revisão de contratos (56%). Como as respostas eram de múltipla escolha, os percentuais ultrapassam 100%.

O perfil dos respondentes demonstra maior concentração nas áreas de direito civil e processo civil (24%), direito do trabalho e previdenciário (17%) e direito de família e sucessões (11%). Também participaram profissionais com atuação geral ou full service (8%), direito administrativo e gestão pública (7%), direito penal e processual penal (6%), direito empresarial, societário e fusões e aquisições (5%), direito do consumidor (4%), direito imobiliário (4%), direito tributário (3%) e direito digital (3%), entre outras especialidades.

Advogados justificam

Entre as justificativas para o uso das ferramentas, 84% apontam a economia de tempo como principal benefício. Do total, 37% relatam ter poupado mais de quatro dias de trabalho por mês. A melhora técnica na qualidade das atividades desempenhadas é mencionada por 91% dos profissionais, enquanto 75% afirmam que o uso da tecnologia contribuiu para o bem-estar profissional.

Incentivo goiano

Em setembro de 2025, a OAB-GO foi pioneira ao disponibilizar gratuitamente uma ferramenta de IA voltada exclusivamente à advocacia. Batizada de Livia, a plataforma foi criada com o objetivo de auxiliar e facilitar a rotina dos advogados, oferecendo suporte em diversas atividades.

Segundo os desenvolvedores, a Livia foi treinada exclusivamente com fontes jurídicas, incluindo legislação, jurisprudência e literatura acadêmica. Entre os serviços oferecidos estão assistente jurídico integrado à base de 81 tribunais, editor de documentos, cofre digital para armazenamento, criação de bases de conhecimento personalizadas, acompanhamento processual, gestão de clientes, atendimento automatizado e fluxos jurídicos padronizados para petições, respostas e preparação para audiências.

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“A partir de agora, todos os sistemas e projetos da OAB-GO passam a dialogar com essa visão estratégica, moderna e conectada às demandas do nosso tempo. Queremos que a tecnologia esteja a serviço da advocacia, garantindo eficiência, segurança e, acima de tudo, fortalecendo o papel da profissão na sociedade”, declarou à época o presidente da OAB Goiás, Rafael Lara Martins.

Metodologia

Para a realização da pesquisa, foram ouvidos mais de 1.800 estudantes, advogados e outros profissionais da área jurídica, por meio de formulário distribuído nos canais digitais das seccionais e das instituições parceiras. Pelo segundo ano consecutivo, o levantamento busca compreender como a Inteligência Artificial vem sendo institucionalizada na prática jurídica, tanto na advocacia privada quanto em órgãos públicos e departamentos jurídicos.

Ao divulgar a pesquisa entre os juristas goianos, a OAB-GO ressaltou que a participação da categoria seria fundamental para garantir um diagnóstico fiel e plural da realidade nacional. A entidade destacou ainda que os resultados devem subsidiar debates qualificados e contribuir para a construção de diretrizes voltadas ao uso ético, responsável e produtivo da tecnologia no sistema de Justiça. O questionário tinha duração inferior a 15 minutos e garantia o sigilo das informações prestadas pelos participantes.

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