No momento, Trump fala em guerra para liberar a passagem pelo estreito de Hormuz e já se especula sobre o envio de tropas terrestres, a contrariar a promessa eleitoral de campanha de Trump.
Todas as versões de Trump são mentirosas à luz da revelação de Joe Kent, diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos EUA que se exonerou e caiu fora atirando.
Kent disse que o Irã não era uma ameaça iminente e Trump apenas atendeu o desejado por Israel, entenda-se, o premiê Benjamin Netanyahu.
Quadro da primeira fase da guerra
Para os especialistas em geoestratégia, a primeira etapa da guerra está chegando ao fim.
Israel cumpriu a sua estratégia de “martelar” alvos preestabelecidos. Foram 13 mil ataques aéreos em duas semanas.
Dados de campo revelam a tragédia, com confirmação e denúncia da Cruz Vermelha: 1.300 iranianos mortos, a incluir mulheres e crianças.
No Líbano, temos 850 mortos, depois de o Hezbollah, braço armado financiado e sujeito às ordens do Irã, haver entrado na guerra, atacando Chipre e Israel.
Não se sabe das perdas de Israel, mas, oficialmente, temos 13 militares americanos mortos.
A guerra inesperada, em sequência à invasão da Venezuela e o cerco para sufocar economicamente Cuba, com Trump a exigir a substituição do presidente, teve repercussão eleitoral interna. A popularidade de Trump baixou consideravelmente.
As tentativas de Trump de envolver a oposição interna ao sanguinário regime iraniano ainda não se concretizaram.
A lembrar, os opositores internos, instalados em território iraniano, são curdos, árabes sunitas, lures, balúchis e azerbaijanos. Representam 40% da população.
Na visão de especialistas, a não adesão decorre da falta de confiança em Trump. Como ele vem falando que a guerra acabou e os EUA venceram, o que não é verdade, a oposição interna pode resultar em conflito étnico, com Trump fora da guerra e a cantar falsa vitória.
A primeira fase foi positiva para EUA e Israel. O vértice de mando iraniano foi eliminado. Começou com o supremo guardião Ali Hosseini Khamenei. Nesta semana, o homem mais influente e articulador da guerra, Ali Larijani, foi morto, com ele Gholamreza Soleimani.
Larijani, um filósofo admirador de Kant, era o braço direito do eliminado Ali Khamanei. Não era um clérigo, mas líder de um clã familiar, um tipo clã dos Kennedy, para fim comparativo.
Um ataque aéreo israelense eliminou o manda-chuva do regime, comandante do Conselho Supremo da Segurança Nacional.
Coube a Larijani, para provocar e fazer prevalecer a vontade dos radicais, eleger, no Conselho dos Peritos, em reunião online, forçar a escolha de Mojtabá Khamenei, filho de Khamenei, mas, numa sucesso natural, carta fora do baralho.
Khamenei dava ordens para Larijani reprimir as manifestações populares contra o regime. Larijani, então, acionava a milícia Basij, com ordem para matar e prender.
A milícia Basij era comandada pelo violento Soleimani, morto também no ataque de segunda para terça desta semana.
Como se move a defesa iraniana
O International Institute for Strategic Studies, que goza de respeito mundial e é especializado em segurança global, políticas de risco e conflitos militares, identificou o mover-se iraniano nessa guerra, com planejamento elaborado há anos.
Sem condições de evitar os ataques e inferiorizado nesse quesito, entrou o Irã com uma arma tão potente como a nuclear, ou seja, fechou e minou o estreito de Hormuz. Uma guerra a afetar a economia internacional.
A guerra iniciada por Trump está a causar, pelo fechamento de Hormuz, problemas para a China, Japão e Europa.
Pelo estreito de Hormuz passa 90% do petróleo comprado pela China. Também é escoado 95% do petróleo adquiridos pelo Japão e Europa. O percentual americano é de 1%.
A barafunda de Trump está a prejudicar os abastecimentos de China, Japão e Europa. Como consequência, a viagem à China de Trump, marcada para o período de 31 de março a 2 de abril, será suspensa.
Trump, um diletante em estratégias de guerra, pensou em resolver o problema do fechamento do estreito de Hormuz rapidamente, num piscar de olhos.
O plano de Trump era posicionar navios de guerra a garantir a navegação em Hormuz. Solicitou, e não foi atendido, a colaboração de França, China, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido.
Os supracitados estados nacionais não foram informados sobre a guerra por Trump. Agora, Trump os quer envolver, o que foi descartado.
Outra surpresa para Trump foi a estratégia iraniana de atacar os países vizinhos. Arábia Saudita, Emirados Árabes e Kuwait, amigos dos EUA, foram atacados e tiveram a sua soberania desrespeitada. Até o momento, entenderam em não reagir, para evitar o aumento do conflito no Golfo, como desejam os iranianos.
Pano rápido
A guerra poderá não ter vencedores.
Trump poderá sair de fininho e cantar vitória e, no lugar, deixar a teocracia viva, pronta a recuperar-se das perdas, com nova milícia para reprimir os cidadãos e continuar com os pasdaran a proteger o Guia supremo. Será, ao certo, um perdedor, até por não ter alçado a meta que lhe moveu para a guerra
Em Israel, e isso já será uma perda para o estado da estrela de David, o premier Netanyahu continuará no poder ao vencer a próxima eleição: as pesquisas apontam para isso.
Bibi Netanyahu continuará a driblar a Justiça criminal e a colocar a máquina de propaganda em ação. Será o salvador do Estado, com a eliminação do risco nuclear iraniano, com o Hamas e Hezbollah agonizantes e a Síria sob nova direção.
Ainda mais, com ajuda de Trump poderá fechar um acordo abraâmico com a Arábia Saudita. Com o apoio dos religiosos radicais e a direita selvagem, continuará a política de assentamentos na Cisjordânia, uma verdadeira invasão com apossamento ilegítimo de terras palestinas.
O Irã, pelas perdas, a incluir os lançadores de mísseis destruídos e a indústria bélica nuclear comprometida, sempre terá como controlar o estreito de Hormuz e colocar os houtis do Iêmen a perturbar a navegação comercial pelo Golfo de Aden.
Enfim, uma guerra só de perdedores.
Opinião
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

