PSol discute neste sábado federação com PT. Maioria articula veto

Redação
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PSol discute neste sábado federação com PT. Maioria articula veto

A direção nacional do PSol se reúne na manhã deste sábado (7/3) para discutir uma proposta de federação partidária com o PT. A legenda também colocará em debate a manutenção da aliança com a Rede Sustentabilidade, formalizada em 2022.

A possibilidade de um “casamento” com o PT provocou um racha interno no partido, exposto nas redes sociais, e levou ao isolamento da corrente liderada pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, um dos principais defensores da federação.

Membros do diretório nacional do PSol apostam que haverá maioria de votos para barrar neste sábado a federação com o PT. Segundo esses dirigentes, cerca de 70% dos membros do órgão devem votar contra a aliança.

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Metrópoles

Lula e Boulos

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Lula e Boulos

Reprodução/X GuilhermeBoulos

Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

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Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

DANIEL FERREIRA/METRÓPOLES

O presidente do PT, Edinho Silva

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O presidente do PT, Edinho Silva

Foto: KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo

A presidente nacional do PSOL, Paula Coradi, em sessão solene na Câmara dos Deputados

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A presidente nacional do PSOL, Paula Coradi, em sessão solene na Câmara dos Deputados

Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Boulos isolado?

Nos últimos dias, integrantes de diferentes tendências do PSol se mobilizaram para se contrapor à proposta. Parte dos integrantes da tendência de Boulos – a Revolução Socialista – rompeu com o grupo acusando o núcleo ligado ao ministro de centralizar decisões. Eles também dizem que os movimentos de Guilherme Boulos integram uma estratégia para projetá-lo como herdeiro político de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2030.

A corrente encabeçada por Boulos, apostam os dirigentes, deverá ficar isolada. De acordo com um deles, ouvido pelo Metrópoles, o movimento reflete uma nova correlação de forças dentro do PSol. Há alguns anos, a ala liderada por Guilherme Boulos integrava o bloco majoritário que comandava a legenda. Com o tempo, porém, as correntes se dividiram, e o racha se aprofundou com o debate sobre a aliança com o PT.

Os defensores da federação argumentam que a aliança com o PT poderia ajudar o PSol a superar a cláusula de barreira, uma regra que restringe o acesso ao fundo partidário e ao tempo de propaganda eleitoral com base no desempenho das siglas nas urnas.

  • As federações funcionam como uma espécie de “casamento”. Por quatro anos, as legendas passam a atuar de forma conjunta nas eleições e podem somar os seus votos para a cláusula de barreira.
  • Em 2022, com objetivo semelhante, o PSol “casou” com a Rede. O arranjo, no entanto, precisa ser reavaliado neste ano.

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Divergências no PT e PSol

Apoiadores da aliança PSol–PT afirmam que a federação seria um caminho “mais fácil” para que a sigla supere o piso exigido nas eleições de 2026. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, tem defendido que a federação pode fortalecer o campo político contrário ao avanço da direita no país.

Membros da direção petista afirmam que, apesar do discurso de Edinho, a aliança não foi levada à discussão nas instâncias internas do PT. Lideranças do partido têm criticado os movimentos de Edinho Silva a favor da federação.

Correntes internas do PSol contrárias à aliança com o PT avaliam que o “casamento” pode comprometer a autonomia da legenda, criada por dissidentes petistas e crítica à aproximação do governo do presidente Lula (PT) com partidos de centro-direita.

Dirigentes do partido também argumentam que a federação pode atrapalhar estratégias eleitorais do PSol tanto nas eleições deste ano quanto na disputa municipal de 2028.


Da ruptura à aliança: a relação entre PSol e PT

  • O PSol nasceu de um racha interno no PT. Em 2003, a direção nacional petista expulsou quatro parlamentares que votaram contra a reforma da Previdência, desobedecendo uma orientação do PT.
  • Os dissidentes fundaram, em julho de 2004, o PSol.
  • O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou o registro da sigla no ano seguinte.
  • Em 2006, na sua primeira eleição, o PSol lançou a então senadora Heloísa Helena, uma das políticas expulsas do PT, como candidata a presidente.
  • Nos anos seguintes, o partido seguiu a estratégia de lançar candidaturas próprias ao Palácio do Planalto: Plínio de Arruda Sampaio (2010), Luciana Genro (2014) e Guilherme Boulos (2018).
  • Nas eleições de 2006, 2010 e 2014, o PSol também não declarou apoio ao PT nos segundos turnos das disputas presidenciais.
  • Em 2018, pela primeira vez, a sigla indicou voto em um candidato petista no segundo turno: Fernando Haddad.
  • Quatro anos depois, o PSol integrou a aliança que levou Lula ao Planalto e, pela primeira vez, apoiou um candidato de outro partido já no primeiro turno.

Aliança com a Rede e apoio a Lula

Neste sábado, um bloco majoritário de tendências internas do PSol deve apresentar uma resolução que rejeita a federação com o PT.

O documento também deve defender a manutenção da aliança com a Rede. Pela proposta em discussão, caberia à executiva nacional — instância abaixo do diretório — conduzir os trâmites para dar continuidade à federação com a Rede, que aguarda a decisão do PSol para discutir a renovação da aliança.

“A Primavera Socialista tem cerca de 25% do diretório, o Movimento de Esquerda Socialista cerca de 20% e o Fortalecer o PSol aproximadamente 10%. Isso já seria suficiente para derrotar o Boulos. Além disso, a resolução terá a assinatura de mais sete organizações internas. A Revolução Socialista está isolada nesse tema”, afirmou um dirigente do PSol.

Apesar da resistência à federação com o PT, lideranças do PSol afirmam que o partido deverá apoiar a candidatura à reeleição do presidente Lula nas eleições presidenciais deste ano. “O apoio [a Lula] deve ser unânime na direção”, disse um integrante do diretório nacional.

Membros da direção do PSol afirmam que, neste sábado, também deve ser definido o formato de um grupo que vai discutir medidas prioritárias para o partido em um eventual quarto mandato de Lula.

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