O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) calcula que a queda do tarifaço, feita através de decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, não altera os planos de uma reunião bilateral com o presidente Donald Trump. A avaliação é que o encontro segue relevante por um conjunto mais amplo de temas e pelo momento político, considerado oportuno para consolidar o canal direto entre os dois líderes.
A data da ida de Lula a Washington permanece em negociação. A expectativa do governo brasileiro é que a agenda ocorra em março, embora seja considerada pouco provável a realização ainda na primeira quinzena do mês. A tendência é que o encontro se dê na segunda metade de março.
Auxiliares de Lula avaliam que uma demora maior pode coincidir com mudanças no cenário tarifário, visto como dinâmico e sujeito a revisões. Após a decisão do tribunal, o presidente dos EUA anunciou novas tarifas globais para 15% para todos os países.
Por isso, consideram que uma reunião no curto prazo pode ajudar a prevenir novos movimentos comerciais desfavoráveis e reforçar o diálogo político direto entre os governos.
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Interlocutores do presidente defendem que a visita tem valor estratégico mesmo além da pauta comercial. Entre os temas que Lula deve trazer na conversa estão o combate ao crime organizado, integração regional na América do Sul — incluindo a situação da Venezuela — e outras iniciativas de cooperação bilateral.
O petista também deve se manifestar sobre o convite de Trump para que o Brasil integre o Conselho da Paz, órgão criado pela Casa Branca para coordenar os esforços de transição política, segurança e reconstrução da Faixa de Gaza.
Do lado norte-americano, a expectativa é que o governo dos EUA traga para a mesa o tema dos minerais críticos.

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Lula e Trump na Malásia
@ricardostuckert

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Importações dos Estados Unidos
Iskandar Zulkarnaen/Getty Images

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Lula e Trump conversaram por telefone em 6/10
Arte/Reprodução

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Tarifaço comercial dos EUA atingiu fortemente o Brasil
Reprodução/FGV
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Trump e o tarifaço
Arte/Metrópoles
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Tarifaço de Trump afeta diversos países
Arte Metrópoles

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Tarifaço dos Estados Unidos
Grok / Arte Metrópoles
Visita aos EUA
- O presidente Lula planeja uma viagem a Washington, possivelmente na segunda quinzena de março.
- Na ocasião, o petista pretende apresentar uma proposta de colaboração para combate ao crime organizado internacional.
- Conversas sobre minerais críticos e terras raras também devem entrar na pauta. O chefe do Planalto já sinalizou interesse em negociar a matéria sem abrir mão da soberania.
- Encontro ocorrerá após a decisão da Suprema da Corte americana de derrubar o tarifaço imposto por Trump. Depois da medida, o republicano anunciou uma taxa global de 15%.
A avaliação interna é que o encontro não deve ter como objetivo a assinatura imediata de acordos, mas sim o lançamento de iniciativas conjuntas e a definição de diretrizes para a relação bilateral. Assessores do presidente não descartam, inclusive, a possibilidade de uma nova reunião ao longo do ano, a depender da organização da questão tarifária.
O governo brasileiro entende que o encontro de março “vale a pena” independentemente da evolução no recuo das tarifas, por abrir espaço para tratar de temas estruturais da relação entre os dois países. A aposta é que o momento é propício para consolidar um ambiente de diálogo preventivo e estabelecer a aproximação, construída gradualmente, entre Lula e Trump.
Nessa sexta-feira (27/2), o chefe da Casa Branca sinalizou uma expectativa positiva em relação à reunião. Questionado por jornalistas, o republicano afirmou que “adoraria” receber Lula em Washington. “Eu me dou muito bem com o presidente do Brasil“, afirmou.
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Secretário polêmico
Às vésperas da visita, o governo Trump nomeou o secretário de Estado adjunto interino para Assuntos Educacionais e Culturais dos Estados Unidos, Darren Beattie, como conselheiro para supervisionar políticas sobre o Brasil. O consultor é crítico ferrenho do governo petista.
Em agosto passado, Beattie classificou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), como “o principal arquiteto do complexo de censura e perseguição dirigido contra [o ex-presidente Jair] Bolsonaro”. O episódio causou uma crise diplomática que fez o Itamaraty convocar o principal diplomata dos EUA em Brasília para dar explicações.
A avaliação do governo brasileiro é que a medida não deve interferir nos resultados do encontro. Interlocutores dizem que a orientação por parte dos EUA é buscar convergências com o Brasil.

