Justiça manda soltar esposa de Dannilo Proto com tornozeleira em Rio Verde

Redação
7 Min Read
Justiça manda soltar esposa de Dannilo Proto com tornozeleira em Rio Verde

Desembargador substitui prisão preventiva por medidas cautelares e determina liberação imediata de Karen Proto, detida há um mês

Imagem do casal

Danilo Proto e sua esposa Karen de Souza Santos Proto são investigados pelo MPGO (Foto: reprodução)

A Justiça de Goiás determinou a soltura de Karen de Souza Santos Proto, esposa do delegado Dannilo Ribeiro Proto, investigada por integrar, junto com o marido, um grupo suspeito de fraudar contratos na área da educação e desviar mais de R$ 2,2 milhões de dinheiro de escolas estaduais em Rio Verde. A decisão, assinada pelo desembargador Oscar Sá Neto e publicada na noite de sexta-feira (27/2), substitui a prisão preventiva por liberdade provisória, com tornozeleira eletrônica e uma série de restrições. O alvará de soltura já foi expedido.

Karen havia sido presa preventivamente no dia 27 de janeiro, durante a terceira fase da Operação Regra Três, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO). Ela é investigada por suposta participação em um esquema de fraudes em contratos na área da educação e desvio de recursos públicos, além de possível favorecimento ao marido, que já estava preso.

Fraude na educação

Segundo o Ministério Público, mesmo após a prisão do delegado, o esquema de desvios e fraudes contratuais teria continuado em funcionamento por meio de pessoas próximas. A acusação aponta que Karen manteve comunicação com o marido quando ele estava custodiado na Delegacia de Investigações de Homicídios (DIH), em Goiânia, e que essa interlocução teria servido para repassar orientações e alinhar estratégias relacionadas ao suposto esquema.

Imagem do casal
O delegado Dannilo Proto e sua esposa, Karen Proto, são alvos de apuração do Gaeco por suspeitas de irregularidades envolvendo recursos públicos (foto: reprodução)

As investigações também indicaram que ela ocupava cargo estratégico na área educacional e, a partir dessa posição, teria contribuído para a manutenção de contratos considerados irregulares. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Rio Verde, com recolhimento de celulares, documentos e equipamentos eletrônicos.

Leia também sobre o caso:

  • Após denúncia do Mais Goiás, MP apreende celular com delegado preso na DIH de Goiânia
  • Delegado preso por suposta fraude em licitação já foi afastado por corrupção
  • Delegado de Rio Verde, preso desde agosto, é acusado de coagir ex-alunos de dentro da cela
  • MPGO denuncia vereador Idelson Mendes e delegado Dannilo Proto por fraude a licitações

A apuração menciona ainda suspeita de tentativa de falsificação de certidão para regularizar programa de estágio vinculado à Prefeitura de Rio Verde, além de possível articulação para manter privilégios ao delegado no sistema prisional.

Argumentos da defesa

Os advogados Vitória Santana Cardoso de Mendonça e Cil Farney Modesto Arrates Júnior impetraram habeas corpus no TJ-GO, alegando que não havia fundamentos concretos para manter a prisão. Sustentaram que Karen é primária, não possui antecedentes criminais, tem residência fixa, é proprietária de instituto profissionalizante e professora da rede estadual de ensino.

A defesa também afirmou que “ela enfrenta problemas de saúde, com necessidade de tratamento para depressão e ansiedade, e que não estava submetida a medidas cautelares antes da prisão”. Questionou ainda a validade das provas digitais, apontando suposta quebra da cadeia de custódia e falhas na extração de dados.

  • Após falar em mudança de sede, Instituto Delta Proto de Rio Verde diz que pedirá autofalência
  • Prisão de delegado em Rio Verde afundou instituto em colapso que durou meses, dizem alunos

Inicialmente, o pedido liminar foi negado. No entanto, após reapresentação de argumentos e novos documentos, o relator reconsiderou a decisão.

Por que a Justiça autorizou a soltura?

Ao analisar novamente o caso, o desembargador entendeu que a prisão preventiva é medida excepcional e só deve ser mantida quando outras providências não forem suficientes para garantir a ordem pública e o andamento do processo.

Para o magistrado, o risco de que Karen pudesse atuar como intermediária entre o marido preso e o mundo externo pode ser neutralizado com medidas menos gravosas. Ele destacou que os crimes investigados não envolvem violência ou grave ameaça direta à pessoa.

Com isso, determinou a substituição da prisão por liberdade provisória condicionada ao cumprimento de oito medidas cautelares:

  • uso de tornozeleira eletrônica por 120 dias ou até sentença;
  • suspensão do exercício da função pública na Secretaria de Estado da Educação de Goiás;
  • proibição de acesso à Secretaria de Educação, à Câmara Municipal de Rio Verde e a outros órgãos ligados à investigação;
  • proibição de visitar qualquer unidade prisional ou delegacia onde o marido esteja custodiado;
  • proibição de manter contato com outros investigados, testemunhas ou vítimas;
  • comparecimento a todos os atos do processo;
  • proibição de se ausentar da comarca por mais de 15 dias sem autorização judicial;
  • obrigação de manter endereço atualizado nos autos.

O desembargador advertiu que o descumprimento de qualquer uma das condições pode resultar na revogação do benefício e no retorno à prisão.

Operação segue em andamento

A Operação Regra Três investiga um suposto esquema milionário envolvendo contratos públicos na área da educação em Goiás. O delegado Dannilo Ribeiro Proto já havia sido preso em fases anteriores da apuração e transferido de unidade após denúncias de que estaria se comunicando de dentro da prisão.

O processo tramita sob sigilo. O habeas corpus ainda será analisado pelo colegiado em sessão virtual, mas, até nova decisão, Karen Proto responde as acusações em liberdade.

Share This Article