Médicos cobram segurança contratual e estrutura de trabalho, enquanto prefeitura tenta reverter decisão judicial que barrou demissão em massa
Médicos também fizeram protesto na praça Tamadaré, em Goiânia (Foto: divulgação/Simego)
Os médicos credenciados da rede municipal de saúde de Goiânia decidiram não iniciar greve por enquanto. A decisão aconteceu após os profissionais receberem salários que estavam atrasados. O pagamento pendente aos médicos da Maternidade Célia Câmara foi feito na segunda-feira (23), poucas horas antes de uma assembleia que poderia decretar uma paralisação.
Mesmo após a decisão de não iniciar a greve, vários médicos fazem, nesta quarta-feira (25/2), manifestação na Câmara de Goiânia para cobrar mudanças nas condições de trabalho, estabilidade nos contratos e mais fiscalização sobre decisões recentes da gestão municipal. O ato é organizado pela categoria e conta com apoio doSindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego). Segundo a entidade, o objetivo é pressionar vereadores a acompanhar de perto as medidas adotadas na saúde municipal e discutir soluções para evitar prejuízos no atendimento à população.
Os profissionais afirmam que continuam preocupados com a segurança jurídica dos vínculos trabalhistas, a organização da rede, condições de trabalho e a estrutura disponível nas unidades. Para eles, fatores como falta de equipamentos ou até insumos, influenciam diretamente na qualidade da assistência oferecida aos pacientes. O sindicato diz manter diálogo aberto e defende que “eventuais mudanças ocorram com transparência e respeito à categoria”.
Liminar barrou demissões em massa
O protesto ocorre poucos dias após decisão judicial que impediu a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de rescindir antecipadamente contratos de médicos credenciados. A liminar foi concedida na sexta-feira (20) pelo Tribunal de Justiça de Goiás, atendendo a um pedido coletivo do sindicato.
Na decisão, o magistrado considerou que a norma administrativa poderia forçar profissionais a trocar de contrato para outro modelo com regras diferentes, o que poderia prejudicar tanto médicos quanto pacientes. Ele também apontou risco de interrupção de atendimentos caso as demissões acontecessem em massa.
A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia informou que vai recorrer da decisão e reiterou que mantém aberto o novo edital de credenciamento para atuação em unidades básicas, serviços de urgência e emergência e Centros de Atenção Psicossocial. No novo modelo, os valores dos plantões são menores em relação ao edital atual.
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Histórico de manifestações e greves
A atual tensão entre médicos e administração municipal não é recente. Em 13 de janeiro, profissionais credenciados chegaram a paralisar atividades por tempo indeterminado para denunciar problemas estruturais, atrasos e mudanças contratuais. Na época, a categoria listou reivindicações como regularidade de pagamentos, melhores condições de trabalho e revisão de editais que, segundo os médicos, reduziram honorários em até 35%.
A prefeitura, por sua vez, afirmou que os valores pagos seguem parâmetros de mercado e que o novo modelo de credenciamento busca ampliar o número de profissionais.
Além das manifestações de rua, a categoria tem buscado apoio político. Em mobilizações anteriores na própria Câmara, médicos criticaram propostas de contratação e alertaram para risco de desassistência caso profissionais deixem a rede. Vereadores chegaram a apresentar pedidos de análise em órgãos de controle para verificar a legalidade de editais.

