Apesar do afastamento, John Textor seguirá no comando da SAF do Botafogo
Jhon Textor, dono da SAF do Botafogo. Foto: Vitor Silva – Botafogo
John Textor, proprietário da SAF do Botafogo, foi afastado oficialmente da Eagle Football Holdings (EFH), empresa que controla o clube brasileiro e o Lyon. Segundo comunicado da empresa, o norte-americano foi removido de sua posição no último dia 27 de janeiro. O estopim do afastamento foi uma tentativa do empresário de afastar integrantes independentes da estrutura de governança da Eagle.
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Com essa ação, a Ares Management — empresa que havia acionado uma cláusula de proteção de crédito na Justiça britânica contra a EFH — interpretou o movimento como um risco. Diante disso, exerceu garantias contratuais previstas para situações de descumprimento do acordo.
Apesar do afastamento de John Textor da Eagle, que segue como controladora do Botafogo, o empresário permanece no comando da SAF alvinegra. Isso porque a gestão só pode ser alterada por decisão do Conselho da SAF ou por meio de decisão liminar do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Ainda assim, existe a possibilidade de que ele venha a ser afastado do cargo posteriormente.
Textor se pronunciou por meio de nota e afirmou que seu afastamento faz parte de uma “guerra civil”. “O resultado dessa decisão é uma lamentável guerra civil que transformou uma organização esportiva solidária, colaborativa e incrivelmente bem-sucedida (em busca de troféus em todos os mercados) em um atoleiro financeiro. O clube financeiramente mais forte do Brasil, que enviou dinheiro e jogadores para o então líder da Liga Europa, foi deixado à deriva, com grandes contas a receber intragrupo em aberto, sob a direção de um ‘conselho secreto’ na França, o que constitui uma clara violação da lei francesa”, publicou o americano.
Entenda a situação
Em 2022, a Ares Management emprestou 425 milhões de euros — aproximadamente R$ 2,582 bilhões — para que a Eagle adquirisse o Lyon, da França. Até o momento, porém, a empresa recebeu apenas 175 milhões de euros, montante repassado após a venda do Crystal Palace, da Inglaterra, em 2025.
Com uma dívida elevada, a Eagle recebeu o prazo de duas semanas para quitar os 250 milhões de euros restantes — cerca de R$ 1,518 bilhões —, mas o pagamento não foi realizado. Diante do descumprimento, a Ares acionou a cláusula de proteção de crédito contra a EFH.

