Senado nunca avançou com pedidos de impeachment de ministros do STF

Apesar da escalada no número de pedidos protocolados no Senado, nenhum ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) jamais perdeu o cargo por meio de impeachment no Brasil. O mecanismo está previsto em lei desde 1950, mas nunca resultou na destituição de um integrante da Corte.

Na atual legislatura, o volume de requerimentos cresceu de forma expressiva, com dezenas de petições apresentadas, boa parte delas nos últimos meses. Ainda assim, nenhuma avançou até a fase final de julgamento no plenário do Senado.

Pela legislação, qualquer cidadão pode protocolar denúncia por crime de responsabilidade contra ministros do STF. Entre as infrações, estão o de proferir julgamento, quando, por lei, seja suspeito na causa, e exercer atividade político-partidária.

A análise de um pedido de impeachment começa pelo presidente do Senado, que decide se dá andamento ou não. Caso avance, a denúncia passa por parecer técnico da Advocacia da Casa, pela Comissão Diretora e, depois, por uma comissão especial.

Metrópoles

Pedidos de impeachment contra ministros do STF aumentaram no Senado, mas nenhum avançou até a fase final de julgamento

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Pedidos de impeachment contra ministros do STF aumentaram no Senado, mas nenhum avançou até a fase final de julgamento

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

A análise começa pelo presidente do Senado, que decide se dá andamento ao pedido

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A análise começa pelo presidente do Senado, que decide se dá andamento ao pedido

KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo

Plenário do STF

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Plenário do STF

KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo

Essa comissão tem até 10 dias para opinar sobre a admissibilidade da acusação. O ministro denunciado também dispõe de prazo para apresentar defesa. Se a maioria simples do plenário autorizar a abertura do processo, o magistrado é afastado até o julgamento definitivo.

Na etapa final, os senadores votam nominalmente se houve ou não crime de responsabilidade. A condenação exige o apoio de dois terços da Casa. Mesmo com o rito detalhado e as sucessivas pressões políticas, essa fase jamais foi alcançada.


Sem avanço no Senado

  • Nenhum ministro do STF foi destituído por impeachment, apesar do aumento expressivo de pedidos na atual legislatura;
  • Qualquer cidadão pode protocolar denúncia; o processo começa pelo presidente do Senado e passa por comissão especial;
  • Abertura depende de maioria simples; condenação exige voto de dois terços dos senadores;
  • Moraes lidera representações; Toffoli virou alvo após deixar caso do Banco Master em meio à pressão política.

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O ministro Alexandre de Moraes concentra o maior número de representações na atual composição do STF – 29 pedidos de impeachment, ao todo. Outros integrantes da Corte também são alvos frequentes de petições apresentadas por parlamentares e cidadãos.

A discussão sobre impeachment de ministros ganhou força durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e continuou sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sendo utilizada com frequência como instrumento de pressão política.

No caso do ministro Dias Toffoli, parte dos pedidos recentes está relacionada à atuação dele na relatoria de investigações envolvendo o Banco Master. O magistrado deixou o caso após a Polícia Federal (PF) apontar menções ao seu nome no celular do empresário Daniel Vorcaro, o que ampliou a pressão política sobre ele.

Mesmo com o aumento das representações e episódios de tensão entre Congresso e Supremo, o Senado não levou adiante nenhuma das iniciativas até a fase de condenação.