Polícia francesa faz buscas em escritórios do X, de Musk, em investigação sobre pornografia infantil e deepfakes

Redação
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Polícia francesa faz buscas em escritórios do X, de Musk, em investigação sobre pornografia infantil e deepfakes

A ação faz parte de uma investigação preliminar que apura uma série de supostos crimes, como a disseminação de pornografia infantil e deepfakes.

O Ministério Público de Paris informou que autoridades pediram que Elon Musk, dono da rede social, preste esclarecimentos sobre a plataforma.

Elon Musk no Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), em janeiro de 2026 — Foto: FABRICE COFFRINI / AFP

“Intimações para depoimentos voluntários em 20 de abril de 2026, em Paris, foram enviadas ao sr. Elon Musk e à sra. Linda Yaccarino na condição de gestores de fato e de direito da plataforma X à época dos acontecimentos”, afirmou o órgão.

Além de Musk e Yaccarino, funcionários do X na França também foram intimados a prestar depoimento como testemunhas em abril, segundo o comunicado.

‘Isso é um ataque político’

No próprio X, a rede social se posicionou na tarde desta terça-feira (3) contra as buscas do Ministério Público francês nos seus escritórios no país.

A companhia afirma que as “alegações da investigação não tem fundamentos” e diz que o “X nega categoricamente qualquer irregularidade”.

Além disso, o comunicado acusa o Ministério Público francês de promover um “teatro policial” ao divulgar amplamente a operação, que afirma ter objetivos “políticos ilegítimos”, e de não respeitar o devido processo legal para tentar obter provas.

“O Ministério Público de Paris está claramente tentando pressionar a alta administração da X nos Estados Unidos, visando nossa entidade e funcionários na França, que não são o foco desta investigação”, disse a empresa no comunicado.

Elon Musk republicou o comunicado do X em seu perfil destacando “Isto é um ataque político” (na tradução livre).

Elon Musk republicou e respondeu nota do X — Foto: Reprodução/X

Mais cedo, ele já tinha republicado publicações sobre o assunto no X. Em uma delas (veja abaixo), ele comentou: “liberdade de expressão está sendo atacada em nome da regulamentação”.

“A polícia francesa fez uma operação no escritório do X em Paris. O povo da França se manifestou. O X agora é o aplicativo de notícias nº 1 na App Store da França”, diz o post compartilhado por Musk. “A liberdade de expressão está sendo atacada em nome da regulamentação”, conclui a publicação.

Publicação compartilhada por Elon Musk critica operação da polícia francesa contra o X — Foto: Reprodução/X

Acusações

Em uma mensagem publicada no X, o Ministério Público de Paris confirmou operação e informou que estava deixando a plataforma, ao mesmo tempo em que convidou seguidores a acompanharem o órgão em outras redes sociais.

A unidade de crimes cibernéticos da Procuradoria de Paris está realizando buscas nas instalações francesas do X, com a Unidade Nacional de Cibersegurança e a Agência da União Europeia para a Cooperação Policial, como parte da investigação aberta em janeiro de 2025. A Procuradoria de Paris está deixando o X“, diz a publicação.

O inquérito apura suposta cumplicidade na manutenção e disseminação de imagens pornográficas de menores, deepfakes sexualmente explícitos, negação de crimes contra a humanidade e manipulação de sistemas automatizados de dados no âmbito de um grupo organizado, entre outras infrações.

“Nesta etapa, a condução da investigação baseia-se em uma abordagem construtiva, com o objetivo final de garantir que a plataforma X cumpra a legislação francesa, já que opera em território nacional”, disseram os promotores em nota.

Linda Yaccarino, ex-CEO do X, e Elon Musk — Foto: Brendan SMIALOWSKI/Jim WATSON /AFP

A investigação foi aberta inicialmente após denúncias de um parlamentar francês, que alegou que algoritmos enviesados no X poderiam ter distorcido o funcionamento de um sistema automatizado de processamento de dados.

Posteriormente, o inquérito foi ampliado após novas denúncias. Segundo o comunicado, o chatbot de inteligência artificial do X, o Grok, teria negado o Holocausto e disseminado deepfakes sexualmente explícitos.

Em julho, Elon Musk negou as acusações e disse que os promotores franceses estavam iniciando uma “investigação criminal motivada politicamente”.

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