Homem que matou ex-sogro em Goiânia tem transtornos mentais, diz defesa

Julgamento de Felipe Gabriel Jardim, que matou o ex-sogro João do Rosário Leão em 2022, começou na manhã desta segunda-feira

Debate sobre saúde mental será decisivo no júri do homem que matou o ex-sogro em Goiânia (Foto: Reprodução)

Debate sobre saúde mental será decisivo no júri do homem que matou o ex-sogro em Goiânia (Foto: Reprodução)

Começou na manhã desta segunda-feira (19) o julgamento do ex-servidor público Felipe Gabriel Jardim, que no dia 27 de junho de 2022 matou a tiros o ex-sogro João do Rosário Leão, 63, em uma farmácia no setor Bueno, em Goiânia. O embate entre defesa e acusação acontece sobretudo no debate sobre a sanidade do réu. A equipe jurídica que representa Felipe tenta provar e ele não tinha pleno domínio das faculdades mentais quando tirou a vida da vítima.

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A defesa do réu, formada pelos advogados Ana Cláudia Alves, Allan Hahnemann Ferreira e Diogo Jorge, está lançando mão de laudos produzidos pela psicóloga jurídica Isabella Aguiar e pelo psiquiatra forense Hewdy Lobo Ribeiro. A presença dos dois especialistas, segundo a defesa, visa “esclarecer o histórico de transtornos mentais que acometem Felipe ao longo da vida, bem como as condições psíquicas em que ele se encontrava no momento dos fatos”.

'Revivendo o pesadelo': família de homem morto pelo ex-genro se prepara para o júri em Goiânia (Fpto: Reprodução)
‘Revivendo o pesadelo’: família de homem morto pelo ex-genro se prepara para o júri em Goiânia (Fpto: Reprodução)

“A atuação da defesa técnica tem por finalidade assegurar que o julgamento ocorra com base em critérios técnico-científicos, em estrita observância aos princípios constitucionais do devido processo legal e da dignidade da pessoa humana”, complementam Ana Cláudia, Allan e Diogo.

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 Por outro lado, os advogados que representam a família de João do Rosário afirmam que laudos psicológicos produzidos pela Junta Médica do Tribunal de Justiça de Goiás atestaram a sanidade de Felipe no ato do crime e foram elaborados “de forma idônea, imparcial e seguindo protocolos científicos: “é importante destacar que os exames periciais foram requeridos pela própria defesa de Felipe Gabriel no início do processo”.

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Discussão que vem de longe

Um dos capítulos mais arrastados do julgamento de Felipe Gabriel Jardim foi a discussão sobre a saúde mental do réu. Esse debate aconteceu antes mesmo de sair a decisão de pronúncia, que é aquela em que o juiz, depois de analisar as evidências, decide se o réu vai ao tribunal do júri.

O Mais Goiás teve acesso ao laudo produzido pela junta médica do poder Judiciário, por determinação do juiz Antônio Fernandes de Oliveira. O laudo diz que Felipe é portador de perturbação mental, mas que a patologia não tirava dele a consciência sobre o que ele estava fazendo.

“Felipe Gabriel Jardim Gonçalves é portador de perturbação de saúde mental. Porém, quanto ao crime de que é acusado, a sua capacidade de entendimento era plena, assim como sua capacidade de determinar-se segundo o seu entendimento. Não há nexo de causalidade do tal ato criminoso e de sua condição mental à época do crime em tela”, diz o laudo.

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“A motivação para o acontecimento não decorre de forma alguma diretamente da condição mental que possui; a dinâmica do crime descarta a dificuldade para controlar impulsos, nota-se que há planejamento para chegar a um fim, portanto tinha entendimento e determinação preservados quanto ao crime do qual é acusado”, continua o documento.

Incidente de insanidade mental

O incidente de insanidade mental foi aberto pelo juiz a pedido da defesa de Felipe, logo após o poder Judiciário recepcionar a denúncia do Ministério Público. A junta analisou o acusado e concluiu, textualmente, que o réu tem “propensão à desorganização psíquica, tanto na sensopercepção quanto no juízo de realidade, o que aponta para maior probabilidade de episódios depressivos com sintomas psicóticos”, embora, vale frisar mais uma vez, esse quadro não fosse determinante para o crime.

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A estratégia da defesa era convencer o juiz de que Felipe era inimputável em razão de transtornos mentais e, dessa forma, livrá-lo da cadeia. Emanuel diz que os advogados discordaram do laudo e abriram uma nova frente no âmbito do processo, questionando a idoneidade da perícia responsável pelo exame.

Filha de João do Rosário, morto pelo ex-genro em Goiânia, faz relato triste do Natal da família (Foto: arquivo pessoal)
Filha de João do Rosário, morto pelo ex-genro em Goiânia, faz relato triste do Natal da família (Foto: arquivo pessoal)

“Foram dois anos e seis meses dedicados a questões como essa, e só então é que conseguimos que a decisão de pronúncia (que levou Felipe ao tribunal do júri) transitasse em julgado”, lembra Emanuel. Depois disso, o juiz Antônio Fernandes marcou o júri para esse dia 15 de outubro de 2025, data em que a família esperava que o desfecho fosse acontecer.

O crime

João foi morto dentro da família da qual ele era dono, na avenida T-4, no alto do setor Bueno. No fim de semana anterior, ele havia demonstrado comportamento agressivo na frente da namorada, Kennia Yanka (hoje com 29 anos), e do pai dela, João do Rosário, a quem ele viria a matar.

Kennia terminou o namoro e, na segunda-feira, voltou a falar com Felipe para tratar de dívidas que ele teria feito no cartão de crédito dela. Teria sido aí que Felipe, segundo a acusação, soube que João havia registrado boletim de ocorrência contra ele e avisado que iria matar o ex-sogro. Pouco depois, ele cumpriu a promessa.

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