Copiadora de shopping em Goiânia foi usada para lavar dinheiro do CV, diz investigação

Dados de clientes de copiadora em shopping foram usados para lavar dinheiro do crime organizado

Empresário e líder faccionado foram condenados (Foto: reprodução)

Empresário e líder faccionado foram condenados (Foto: reprodução)

Inglid Martins

Um empresário de Goiânia e um líder faccionado foram condenados pela Justiça de Goiás por comandarem um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 500 milhões do crime organizado entre 2017 e 2018. A estrutura criminosa era ligada ao Comando Vermelho e se baseava no uso indevido de dados pessoais de clientes de uma copiadora instalada em um shopping da capital.

De acordo com as investigações, o proprietário do estabelecimento, José Edvarde de Lima Filho, era responsável pela parte operacional do esquema, enquanto André Luiz Oliveira Lima, apontado como liderança da facção, coordenava a circulação dos recursos ilícitos. Documentos deixados para serviços de cópia eram usados sem autorização para a abertura de empresas de fachada, contas bancárias em nome de terceiros e até para a regularização de bens.

Essas pessoas, em sua maioria, só descobriram que haviam sido usadas como “laranjas” quando foram procuradas pela polícia ou intimadas a prestar esclarecimentos. Os dados eram vinculados a transações milionárias completamente incompatíveis com a realidade financeira das vítimas.

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Imagem dos veículos
Bens foram apreendidos em 2018 (Divulgação PCGO)

A apuração apontou que o grupo utilizava o fracionamento de valores para dificultar o rastreamento do dinheiro e escapar dos sistemas de controle financeiro. O esquema funcionava como um braço financeiro da facção criminosa em Goiás, responsável por dar aparência legal a recursos oriundos de atividades ilícitas.

Como resultado da condenação, André Luiz, que já cumpre pena em presídio federal, recebeu sentença superior a 11 anos de prisão. José Edvarde foi condenado a 7 anos e 6 meses. Além das penas, a Justiça determinou o pagamento de R$ 500 milhões por danos morais coletivos.

Imagem dos bens apreendidos
Itens de luxo estavam em nome de terceiros (Divulgação PCGO)

Dez meses de investigação

Durante as investigações, a Polícia Civil apreendeu veículos de luxo, dinheiro em espécie e outros bens adquiridos com recursos ilícitos, muitos deles registrados em nome de pessoas que tiveram seus dados usados sem qualquer conhecimento.

O caso é fruto da Operação Red Bank, realizada em dezembro de 2018 pela Delegacia Estadual de Repressão a Ações Criminosas Organizadas (Draco), após cerca de dez meses de investigação.

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