19% das favelas só entram a pé ou de moto: ambulância e lixo não chegam, diz IBGE

Redação
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19% das favelas só entram a pé ou de moto: ambulância e lixo não chegam, diz IBGE

Censo do IBGE mostra que 19% dos moradores de favelas e comunidades urbanas do Brasil, equivalente a 3,1 milhões de pessoas, residem em vias acessíveis apenas a pé, motocicleta ou bicicleta. Fora dessas áreas, o índice cai para 1,4%.

A restrição de tráfego impacta diretamente serviços essenciais, como coleta de lixo e atendimento emergencial por ambulâncias. Os dados, referentes a 2022 e divulgados nesta sexta-feira (5), reforçam desigualdades no acesso à infraestrutura urbana.

O país registra 12.348 favelas, com população total de 16 milhões de habitantes, ou 8% dos brasileiros.

Acessibilidade veicular limitada

Técnicos do IBGE destacam que a ausência de vias adequadas para veículos de grande porte cria barreiras concretas no dia a dia. Caminhões de lixo não conseguem entrar em 19% das ruas das favelas.

Ambulâncias enfrentam o mesmo obstáculo em situações de urgência médica. A combinação de ruas estreitas e ladeiras agrava o tempo de resposta em emergências.

Calçadas e mobilidade pedestres

A presença de calçadas atinge apenas 54% das vias em favelas, contra 89% nas áreas formais da cidade. Obstáculos como postes, degraus e entulho reduzem ainda mais a acessibilidade.

Idosos e pessoas com deficiência encontram dificuldades adicionais para sair de casa. Rampas para cadeirantes estão ausentes em mais de 95% das ruas dessas comunidades.

Pavimentação e arborização deficientes

A pavimentação cobre 78,3% das vias em favelas, enquanto fora delas o índice chega a 91,8%.

A arborização aparece em apenas 35,4% das ruas, metade do verificado em bairros regulares (69%).

  • Vias com bueiros ou bocas de lobo: 45,4% nas favelas
  • Iluminação pública presente: 91,1% (98,5% fora das favelas)
  • Calçadas sem obstáculos: 3,8% dentro versus 22,4% fora
Escadaria da favela no Rio de Janeiro
Escadaria da favela no Rio de Janeiro – Donatas Dabravolskas/shutterstock.com

Transporte coletivo distante

Pontos de ônibus ou vans próximos aparecem em apenas 5,2% das vias de favelas. Fora dessas áreas, o percentual mais que dobra, alcançando 12,1%.

A baixa oferta de paradas força deslocamentos longos a pé até os pontos acessíveis. Moradores relatam depender de mototáxis ou aplicativos para trajetos internos.

Sinalização e segurança viária

Vias com faixa exclusiva ou sinalização para bicicletas representam menos de 1% do total nas favelas.

A falta de equipamentos básicos de drenagem contribui para alagamentos frequentes em períodos de chuva forte.

Esses indicadores, coletados domicílio a domicílio pelo Censo 2022, permitem mapear com precisão as disparidades de infraestrutura entre territórios formais e informais das cidades brasileiras. O levantamento abrange 656 municípios com presença de favelas e comunidades urbanas.

Dados complementares de infraestrutura

O IBGE identificou ainda que 62% dos moradores de favelas vivem em vias que suportam ônibus e caminhões. Nas demais áreas urbanas, essa capacidade atinge 93%.

A diferença reflete décadas de crescimento desordenado em encostas e áreas de risco.

Especialistas do instituto apontam que os números servem de base para políticas públicas direcionadas à regularização fundiária e melhoria de acessibilidade.

As informações detalhadas por território estão disponíveis para consulta no portal oficial do Censo.

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