O presidente do Comitê Olímpico Nacional Italiano (CONI), Luciano Buonfiglio, anunciou nesta segunda-feira, 1º de dezembro de 2025, um momento de recolhimento em memória de Nicola Pietrangeli, ícone do tênis italiano falecido aos 92 anos. A medida vale para todas as manifestações esportivas no país, a partir de hoje, envolvendo federações nacionais, disciplinas associadas e entidades de promoção esportiva. Pietrangeli, primeiro italiano a vencer um Grand Slam, deixou o esporte em luto profundo.
Nascido em 11 de setembro de 1933, em Túnis, Pietrangeli se destacou como jogador e capitão, marcando a história do tênis com conquistas inéditas para o Brasil. Sua morte ocorreu em Roma, após um período de saúde fragilizada por uma fratura no quadril em dezembro de 2024 e o falecimento do filho Giorgio, em julho de 2025, vítima de um tumor cerebral aos 59 anos.
O anúncio do CONI reforça o impacto de Pietrangeli além das quadras, como símbolo de dedicação e elegância no esporte. Atletas e dirigentes expressaram condolências imediatas, destacando sua influência duradoura.
Anúncio oficial do CONI
Luciano Buonfiglio, presidente do CONI, emitiu uma nota oficial convidando todas as entidades esportivas a observar o minuto de silêncio em eventos programados. A iniciativa começa imediatamente e abrange competições de diversos esportes, não se limitando ao tênis.
A medida busca honrar Pietrangeli como figura central do esporte italiano, com participação em 22 edições dos Internacionais d’Italia e 20 do Roland Garros. Federations foram orientadas a integrar a pausa no início das atividades, garantindo adesão ampla.
Buonfiglio enfatizou a perda de um ícone que transcendeu gerações, com recordes ainda vigentes em competições internacionais.
Conquistas que definiram uma era
Pietrangeli conquistou o Roland Garros em 1959 e 1960, tornando-se o primeiro italiano a vencer um Grand Slam em simples. Em duplas, levou o título parisiense em 1958 ao lado de Orlando Sirola, formando a dupla mais vitoriosa da história italiana na modalidade.
Como capitão não jogadora da Copa Davis em 1976, liderou a equipe italiana à vitória histórica contra o Chile, por 4 a 1, no Estádio Nacional de Santiago. A decisão de disputar a final, apesar do regime de Augusto Pinochet, foi defendida por ele como um ato de resistência esportiva.
Ele disputou 164 partidas pela Davis, com 120 vitórias, recorde mundial até hoje. Sua inclusão na International Tennis Hall of Fame em 1986 consolidou seu legado global.
- Dois títulos de Roland Garros em simples (1959, 1960).
- Um em duplas no mesmo torneio (1958).
- Duas vitórias nos Internacionais d’Italia (1957, 1961).
- Medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de 1968, em exibição.
Reações imediatas no mundo do esporte
Angelo Binaghi, presidente da Federação Italiana de Tênis, descreveu Pietrangeli como o “simbolo mais grande” do esporte nacional. Ele destacou o papel do ex-jogador em ensinar vitórias “dentro e fora de campo”, inspirando gerações subsequentes.
Tathiana Garbin, capitã da equipe italiana na Billie Jean King Cup, recordou Pietrangeli como um “ponto fixo” do tênis, uma presença constante e guia silenciosa para atletas. Sua voz autorevole moldou a identidade do movimento.
Filipp Volandri, atual capitão da Davis, afirmou que o espírito de Pietrangeli permanecerá em cada partida com a camisa azzurra. Ele o chamou de “mestre” cujo legado orienta jovens jogadores.
O ministro do Esporte, Andrea Abodi, lamentou a perda de um “simbolo nacional e internacional”, cujo estilo e sucessos disseminaram o tênis na Itália.
O contexto da carreira e dos desafios pessoais
Pietrangeli iniciou sua trajetória profissional nos anos 1950, alcançando o top 10 mundial entre 1957 e 1964, com base em avaliações jornalísticas da época. Ele competiu por duas décadas, aposentando-se em 1971 aos 38 anos, após acumular 67 títulos.
Sua vida incluiu atuações em cinema e televisão, além de relações com figuras como a apresentadora Licia Colò, entre 1987 e 1994. Casado com a modelo Susanna Artero, deixou três filhos: Marco, Giorgio e Filippo.
A saúde declinou após a fratura no quadril, agravada pelo luto pelo filho Giorgio. Pietrangeli expressou dor profunda, dizendo que “devia ter partido antes”.
Homenagens planejadas e legado duradouro
A família Pietrangeli agradeceu as mensagens de afeto e anunciou que detalhes sobre o funeral serão divulgados em breve. Pietrangeli havia sugerido, em entrevistas passadas, que as exéquias ocorressem no Campo Centrale do Foro Italico, batizado em sua homenagem.
Atletas como Fabio Fognini compartilharam fotos pessoais, chamando-o de mentor que ensinou “o que significa vencer de verdade”. Rafael Nadal, ex-número 1 mundial, lamentou a partida de um “grande do tênis italiano e mundial”.
O CONI planeja eventos adicionais de commemorazione, possivelmente públicos, para celebrar sua contribuição ao esporte olímpico e nacional.
Influência na formação de novos talentos
Pietrangeli atuou como embaixador do tênis, participando de clínicas e comentando torneios até recentemente. Sua ênfase em elegância e estratégia influenciou jogadores como Adriano Panatta, parceiro em duplas.
Ele manteve recordes em vitórias na Davis por décadas, superados apenas recentemente por contemporâneos. Sua participação em 20 edições consecutivas do Roland Garros exemplifica dedicação contínua.
Jornalistas esportivos destacam seu carisma, que popularizou o tênis na Itália pós-guerra, elevando o esporte de nicho a fenômeno nacional.
O impacto da Copa Davis de 1976
A vitória na Davis de 1976, sob liderança de Pietrangeli, marcou o primeiro título italiano na competição. A equipe, com Panatta, Bertolucci, Barazzutti e Zugarelli, superou o boicote político imposto por opositores ao regime chileno.
Pietrangeli defendeu a viagem como essencial: “Se não formos, entregamos a taça a Pinochet”. A final, disputada sob tensão, resultou em 4-1 para a Itália, com Panatta vencendo dois jogos decisivos.
Esse triunfo diplomático e esportivo solidificou sua reputação como estrategista, além de atleta.

