Foto: Neve. frio – Molica_an/shutterstock.com
O vórtice polar, estrutura de ventos fortes que circunda o Polo Norte na estratosfera, apresenta sinais de enfraquecimento neste final de novembro de 2025. Meteorologistas europeus monitoram a possibilidade de um evento de divisão (split), fenômeno raro que pode favorecer a descida de massas de ar frio para o continente. A análise atual indica maior probabilidade de ondas de frio entre janeiro e fevereiro de 2026.
O fenômeno não significa automaticamente inverno rigoroso, pois depende da interação entre a estratosfera e a troposfera. Quando o distúrbio consegue descer, o jato polar enfraquece e ondula, abrindo caminho para bloqueios atmosféricos e irruições geladas.
O que é o vórtice polar
O vórtice polar consiste em uma vasta circulação de ventos que giram no sentido anti-horário ao redor do Ártico, localizada entre 20 e 30 km de altitude.
Essa barreira mantém o ar extremamente frio confinado na região polar durante o inverno no hemisfério norte.
Quando os ventos permanecem intensos, o vórtice fica compacto e o inverno europeu tende a ser mais ameno ou dentro da normalidade.
Dois tipos de enfraquecimento
O deslocamento (displacement) ocorre com maior frequência. O vórtice se alonga e é empurrado para um lado, alterando parcialmente o jato polar.
Já a divisão (split) é mais rara e acontece quando um anticiclone estratosférico aquece bruscamente a região, partindo o vórtice em dois ou mais lobos.
Esse segundo cenário está associado aos grandes aquecimentos estratosféricos súbitos (SSW, na sigla em inglês).
Os efeitos de um split podem durar semanas ou até dois meses na troposfera.
Condições atuais em novembro de 2025
Observações realizadas até 28 de novembro mostram desaceleração significativa dos ventos estratosféricos.
Modelos numéricos apontam probabilidade acima de 60% de ocorrência de um evento de split entre o final de dezembro e janeiro.
Caso se confirme, a configuração favoreceria bloqueios de alta pressão sobre o Atlântico Norte e a Escandinávia.

Histórico de eventos extremos
O inverno de 1984-1985 registrou um dos splits mais intensos do século XX, resultando em fevereiro gelado na Europa Ocidental.
Em 2018 e 2019, episódios semelhantes trouxeram a “Besta do Leste”, com temperaturas abaixo de -15°C em vários países.
Estudos indicam que a frequência de SSW maiores aumentou nas últimas décadas, possivelmente ligada às mudanças climáticas no Ártico.
Por que nem todo enfraquecimento traz frio
O distúrbio precisa se propagar para baixo e modificar o jato polar na troposfera para gerar impacto real.
Em cerca de 40% dos casos de split, o sinal não desce ou é absorvido por outros padrões atmosféricos.
A posição pré-existente do jato e dos bloqueios determina se o frio chegará à Europa Ocidental, Central ou Oriental.
Monitoramento contínuo
Centros como ECMWF, em Reading (Reino Unido), e o Instituto de Meteorologia da Alemanha atualizam diariamente os índices do vórtice.
A próxima atualização importante está prevista para a primeira semana de dezembro, quando os modelos refinam as projeções para janeiro.
Qualquer confirmação de aquecimento estratosférico maior será comunicada imediatamente às agências nacionais.
O vórtice polar segue como um dos principais indicadores para o inverno europeu, mas a resposta da troposfera define o resultado final. Meteorologistas mantêm atenção máxima nas próximas semanas, pois a temporada de frio intenso pode se iniciar mais cedo em 2026.


